Não existe em Cabo Verde uma instituição nacional que organize encontros entre conhecidos. Os contactos surgem sobretudo informalmente, por exemplo no Carnaval, em festas de romaria, festas de santos padroeiros, festivais de música como o Festival de Música da Baía das Gatas (Baía das Gatas) ou o Atlantic Music Expo, eventos de música batuku (Batuku), feiras gastronómicas, concertos, exposições, teatro, mercados, passeios pelas localidades, praias e praças públicas. Conversas à porta, refeições partilhadas, música e dança também podem dar uma primeira oportunidade para conhecer alguém. Praia, Mindelo e outras localidades das ilhas oferecem opções diferentes consoante o município; Santa Luzia não é habitada e não tem atividades culturais regulares. Os municípios, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (Ministério da Cultura e Indústrias Criativas) e instituições locais de juventude e cultura organizam ou apoiam estes espaços e eventos. Centros de juventude (Centros de Juventude), telecentros (Telecentros) e pousadas da juventude (Pousadas de Juventude) podem servir como locais de encontro e convívio. Os eventos públicos são, em geral, acessíveis sem taxa formal de participação. Ainda assim, eventos organizados, comida, transporte e, sobretudo, viagens entre ilhas podem ter custos. Os horários, os limites de idade, as regras de acesso e as taxas dependem do município, da ilha e do evento. Para um primeiro contacto, pode ser adequada uma atividade partilhada, uma apresentação por alguém local, uma conversa de vizinhança ou uma atividade cultural ou juvenil. O português e o crioulo cabo-verdiano (Kriolu) são as principais línguas do quotidiano. «Morabeza» é um termo conhecido no contexto turístico para a hospitalidade cabo-verdiana (morabeza), mas não cria qualquer obrigação de convidar alguém, partilhar contactos ou dar acesso a espaços privados. Uma conversa, troca de mensagens, refeição partilhada, dança ou convite não se transforma automaticamente em amizade, relação amorosa ou habitação partilhada. Os limites também se aplicam num ambiente amigável. Um não ou uma interrupção devem ser respeitados imediatamente. Ninguém deve usar um convite ou contacto para pressionar outra pessoa a revelar a morada privada, fotografias, localização, dinheiro, documentos, códigos de utilização única ou aceitar um encontro privado. Para o primeiro encontro, recomenda-se um local público durante o dia, um meio próprio para regressar e informar uma pessoa de confiança. A identidade e os perfis devem ser verificados gradualmente. Não se deve entregar dinheiro, documentos nem códigos de utilização única a novos contactos. Em caso de pressão, fraude, assédio ou violência, saia do local e envolva uma pessoa de confiança ou a autoridade responsável. As pessoas menores de 18 anos beneficiam de proteção especial; a violência baseada no género e a violência sexual podem ter consequências criminais. Na Praia, a Polícia Judiciária indica o número 134; no Sal e em São Vicente, o número 800 11 34. Nas outras ilhas, deve confirmar os números locais da polícia e das urgências médicas antes de surgir uma situação. Os contactos digitais são relevantes em Cabo Verde, mas não estão igualmente acessíveis a todos os agregados familiares. Segundo dados sobre TIC do Instituto Nacional de Estatística para 2024, 68,7% dos agregados familiares tinham acesso à internet em casa; nas zonas urbanas, a percentagem era de 71,8% e nas zonas rurais, de 58,9%. Entre os agregados com ligação, 88,2% usavam uma rede móvel, 30,2% ADSL, 7,3% uma pen USB 3G, 6,0% a rede de um vizinho e 1,1% pontos digitais de acesso público (Praças Digitais). Por isso, ao conhecer pessoas, também se deve considerar o telefone, os eventos presenciais e as instituições locais, além das aplicações e redes sociais. As regras de proteção de dados de Cabo Verde previstas na Lei de Proteção de Dados n.º 133/V/2001 (Lei n.º 133/V/2001), alterada pela Lei n.º 41/VIII/2013 (Lei n.º 41/VIII/2013), também se aplicam aos contactos digitais. A comissão nacional de proteção de dados é relevante, entre outros aspetos, para os direitos de acesso, retificação e atualização. Partilhe apenas os dados necessários para o contacto específico e não reencaminhe conversas privadas nem fotografias de perfil. Os municípios, os serviços de cultura e juventude, as autoridades responsáveis pelo desenvolvimento familiar e social, o organismo nacional responsável pela prevenção e combate à violência, a Polícia Judiciária e a comissão nacional de proteção de dados têm responsabilidades diferentes, consoante o problema.
Conhecidos em Cabo Verde
Um conhecido em Cabo Verde costuma surgir através de atividades partilhadas, eventos, relações de vizinhança ou contactos digitais e, inicialmente, continua a ser um contacto social pouco próximo. Espaços culturais e de lazer públicos, centros de juventude, telecentros, pousadas da juventude e iniciativas locais oferecem oportunidades para conhecer pessoas, dependendo da ilha. Hospitalidade, comida, música ou um convite não significam amizade, relação amorosa nem consentimento para um encontro privado.
Dica
Para o primeiro contacto, escolha uma atividade pública ou um local de encontro aberto de onde possa sair sozinho a qualquer momento. Ajuste o esforço e os custos à ilha, ao município e ao evento e planeie encontros por telefone ou presenciais se o acesso à internet for limitado. Inicialmente, trate os convites e as conversas digitais como contactos informais e não entregue a novos contactos dinheiro, documentos, códigos de utilização única nem credenciais de acesso privado.

