A linha de base da Estratégia e Plano de Ação Nacional para a Biodiversidade 2 (National Biodiversity Strategy and Action Plan 2, NBSAP2) identifica catorze tipos amplos de ecossistemas, incluindo florestas, matos, bosques e pradarias. Mosaicos paisagísticos importantes incluem florestas de miombo, mopane, munga e Kalahari, dambos, pradarias sazonais, zonas húmidas, rios e lagos. Os dambos são depressões pouco profundas ou zonas húmidas de pradaria que ficam sazonalmente alagadas. Entre os principais sistemas de planícies aluviais estão as planícies de Kafue Flats, Bangweulu, Barotse e Zambeze, enquanto o Vale do Luangwa, o Lago Tanganica e o sistema Mweru-Luapula sustentam habitats aquáticos e terrestres distintos. As cheias anuais transportam nutrientes, produzem peixe e aves, recarregam as águas subterrâneas e, em algumas zonas, reduzem a pressão das cheias. O Departamento de Parques Nacionais e Vida Selvagem (Department of National Parks and Wildlife, DNPW), integrado no Ministério do Turismo, gere as áreas de vida selvagem. As páginas oficiais do DNPW apresentam valores diferentes: uma página geral enumera 20 parques nacionais e 36 Áreas de Gestão da Caça, enquanto uma página sobre vida selvagem enumera 19 parques nacionais, 34 Áreas de Gestão da Caça e cerca de 233.900 quilómetros quadrados. Uma página geral também indica que as áreas protegidas de vida selvagem cobrem aproximadamente 30% da Zâmbia. Antes de utilizar estes dados em planeamento ou publicações, deve consultar-se o registo oficial atualizado. Uma Área de Gestão da Caça (Game Management Area, GMA) é uma área onde a conservação da vida selvagem se combina com o uso regulado, o planeamento da gestão e a participação comunitária. As GMA podem permitir o uso sustentável da vida selvagem, sujeito a licenças, quotas, concessões, planos de gestão e condições aplicáveis. Os parques nacionais geralmente permitem o acesso durante todo o ano, mas, com as chuvas, algumas estradas, caminhos e parques podem ficar difíceis ou impossíveis de alcançar. A Zâmbia também tem santuários de vida selvagem e de aves, florestas comunitárias, áreas de gestão florestal conjunta, zonas húmidas Ramsar e outras classificações de conservação. Um Sítio Ramsar é uma zona húmida reconhecida como internacionalmente importante nos termos da Convenção de Ramsar. A Zâmbia aderiu à Convenção em 1991 e tem oito sítios Ramsar que cobrem cerca de 4.030.500 hectares: Kafue Flats, zonas húmidas de Bangweulu, pântanos de Busanga, planícies aluviais do Luangwa, Mweru wa Ntipa, planícies aluviais do Zambeze, pântanos de Lukanga e Lago Tanganica. A classificação Ramsar apoia o uso racional e a gestão; não estabelece uma proibição geral da pesca, agricultura ou outras atividades. Mosi-oa-Tunya, também conhecida como Cataratas Vitória, é um sítio transfronteiriço natural do Património Mundial, inscrito em 1989. A parte zambiana cobre cerca de 3.779 hectares. A cascata tem aproximadamente 1.708 metros de largura, e os desfiladeiros circundantes foram formados pela erosão fluvial. As planícies de Kafue Flats são Reserva da Biosfera desde 2022 e também são um sítio Ramsar. Integram a lista indicativa do Património Mundial da Zâmbia, tal como as zonas húmidas de Bangweulu, as Cataratas Kalambo, o Parque Nacional do Baixo Zambeze, o Parque Nacional Kasanka e as cabeceiras do Zambeze, entre outros locais. Uma inscrição na lista indicativa não equivale à inscrição como Património Mundial. A vida selvagem da Zâmbia inclui animais selvagens, espécies de aves silvestres e vegetação indígena não cultivada. Entre as espécies e os habitats notáveis contam-se o antílope lechwe de Kafue, endémico das planícies de Kafue Flats, o barbet de Chaplin, endémico do centro-sul da Zâmbia, o lechwe-negro, o bico-de-sapato, a grua-coroada-carunculada, o cão-selvagem-africano, o elefante, o leão, o hipopótamo, o crocodilo e diversas populações de peixes. A linha de base da NBSAP2 regista 24 espécies ameaçadas de mamíferos, 74 espécies de anfíbios, 156 espécies de répteis e 490 espécies de peixes, estimando cerca de 289 espécies endémicas de peixes. Estes dados provêm de uma linha de base com limitações de antiguidade e cobertura e não constituem um inventário atual completo. O uso da natureza pode ser não extrativo ou extrativo. A observação da vida selvagem, a fotografia, a observação de aves, os safaris a pé, a pesca à linha, a canoagem e os passeios de barco são atividades não extrativas comuns. A caça, a pesca, a recolha de produtos florestais e a captura de animais selvagens são atividades regulamentadas que podem exigir uma licença, autorização, concessão, quota ou plano de gestão aprovado. A caça ilegal, o comércio de troféus e a captura não autorizada são proibidos. O DNPW disponibiliza formulários e serviços eletrónicos para atividades como caça, captura, pesca, fotografia, orientação e autorizações de exportação de animais selvagens. A autorização de uma atividade não substitui uma autorização separada de vida selvagem, exploração florestal, turismo ou ambiente quando outra exigência jurídica se aplicar. As visitas aos parques geralmente incluem uma taxa de entrada e podem também implicar encargos por veículo, embarcação, atividade, guia ou alojamento. Um guia de taxas do Conselho do Turismo da Zâmbia de 2025 indicava, a título de exemplo, taxas diárias para cidadãos de K44.80 em Kafue, K55.60 em South Luangwa e no Baixo Zambeze, e K33.60 em Mosi-oa-Tunya. Para visitantes internacionais, os exemplos eram 20 dólares americanos em Kafue, 25 dólares americanos em South Luangwa e no Baixo Zambeze e 10 dólares americanos em Mosi-oa-Tunya. O mesmo guia indicava taxas de campismo de K42 para cidadãos ou residentes e 5 dólares americanos para visitantes internacionais. As taxas podem mudar; por isso, antes da viagem, confirme a tarifa atual com o DNPW ou o Turismo da Zâmbia. As instituições comunitárias têm funções definidas na gestão da vida selvagem e das florestas. Uma comunidade local numa GMA ou numa área aberta pode requerer o registo de um Conselho Comunitário de Recursos (Community Resource Board, CRB). Um CRB inclui normalmente entre sete e dez representantes comunitários eleitos, um representante do município, um chefe e um representante ministerial, com um mandato de três anos. As suas funções podem incluir a gestão integrada dos recursos naturais e humanos, a cogestão, guardas comunitários, planos de gestão e acordos sobre benefícios. Um CRB não confere a propriedade geral e individual da vida selvagem. Os povoados numa GMA devem cumprir o plano geral de gestão aplicável. A atividade mineira numa GMA exige aviso prévio por escrito ao Diretor e o cumprimento de condições ministeriais nos termos de uma avaliação ambiental aprovada. Um grupo comunitário de gestão florestal é composto por pessoas que vivem numa floresta ou perto dela. O Diretor pode reconhecer o grupo mediante o consentimento do chefe; depois, um acordo de silvicultura comunitária e um plano de gestão definem as atividades permitidas. Esses acordos podem abranger plantas medicinais, mel, madeira, lenha, erva e pastagem, indústrias florestais, ecoturismo, recreação e usos científicos ou educativos. O grupo deve proteger, conservar e gerir a floresta, usar de forma sustentável os direitos tradicionais, proteger bosques sagrados e árvores protegidas e agir contra a exploração ilegal e os incêndios. Os comités de gestão florestal conjunta podem incluir líderes tradicionais, o Departamento Florestal, os setores da agricultura, água, terras e pescas, o município, titulares de licenças, o ministério da vida selvagem e representantes comunitários. As receitas e os benefícios seguem o plano aprovado. Os projetos que possam afetar o ambiente precisam de aprovação prévia por escrito da Agência de Gestão Ambiental da Zâmbia (Zambia Environmental Management Agency, ZEMA). A ZEMA analisa avaliações ambientais, supervisiona a execução e pode envolver o público. Iniciar um projeto sem a avaliação ambiental exigida pode constituir uma infração. A aprovação ambiental não substitui licenças de vida selvagem, exploração florestal, turismo ou outras. O turismo baseado na natureza concentra-se em locais como South Luangwa, Kafue, Baixo Zambeze, Mosi-oa-Tunya, Kasanka, Lochinvar, Blue Lagoon e Nsumbu. As chuvas afetam o acesso por estrada, caminhos e rio. Os encontros com animais selvagens, águas profundas, calor, incêndios e cheias criam riscos práticos; por isso, os visitantes devem seguir as regras do parque, recorrer a guias autorizados quando necessário, permanecer nos percursos permitidos e respeitar as restrições de atividade ou acesso. As cheias sazonais e repentinas, as secas e os períodos secos, o calor extremo, os incêndios florestais, a erosão, a degradação do solo e os deslizamentos localizados afetam os ecossistemas. A grave seca de 2023–2024 revelou a dimensão da pressão nacional sobre os recursos hídricos e os meios de subsistência. As projeções climáticas indicam temperaturas mais altas, precipitação mais variável e períodos secos e cheias potencialmente mais intensos. Estas alterações podem transformar a hidrologia das zonas húmidas, os padrões de incêndio, a produção de peixe, o movimento da vida selvagem e a qualidade dos habitats. As principais pressões incluem a desflorestação, a conversão de florestas, a procura de carvão vegetal e lenha, os incêndios florestais, a fragmentação dos habitats, a mineração, as estradas, a expansão agrícola e dos povoados, a pesca insustentável, a caça furtiva, as espécies invasoras, a poluição, os pesticidas, as alterações a montante dos caudais dos rios e as alterações climáticas. A linha de base da NBSAP2 refere cerca de 249 reservas florestais e indica que 51,37% estavam ocupadas ou degradadas no período de avaliação histórico; esse valor não é uma medição nacional atual. Em geral, a pressão e os conflitos entre pessoas e animais selvagens são maiores nas GMA do que nos parques nacionais, embora as condições variem conforme o local. O DNPW é o primeiro serviço a responder aos conflitos entre pessoas e animais selvagens. Os incidentes devem ser comunicados ao DNPW ou ao serviço regional pertinente. As respostas podem envolver agentes da vida selvagem, polícia da vida selvagem, equipas veterinárias, monitorização, sistemas de alerta precoce, coleiras GPS, vigilância aérea, malaguetas, foguetes, detonações, torres de vigilância, cercas elétricas, rádio comunitária, armazenamento seguro de cereais, planeamento do uso do solo nas aldeias e guardas comunitários ou CRB. Os conflitos podem resultar da ocupação de habitats, da partilha de água, pastagens e rotas migratórias, da dispersão reprodutiva, das condições climáticas e de outros fatores ecológicos. As fontes oficiais analisadas não comprovam a existência de um direito universal a compensação; por isso, não se deve presumir que haverá compensação. As pessoas não devem ocupar habitats nem retaliar ilegalmente contra a vida selvagem. A educação sobre a natureza tem uma estrutura formal, mas distribuída. O mandato do DNPW inclui a educação do público. Em 2025, o Ministério do Turismo e o Ministério da Educação trabalharam para reativar os Clubes de Educação Ambiental, através das direções do Ensino Técnico, Profissional e de Empreendedorismo e do ensino primário e secundário. Outras opções incluem clubes escolares, formação de professores, iniciativas de sensibilização do DNPW e das comunidades, investigação e educação da Reserva da Biosfera e programas não formais. O Chipembele Wildlife Education Trust, nas proximidades de South Luangwa, é um exemplo local que oferece clubes escolares e aprendizagem no terreno. O acesso e o custo dependem do programa; não foi identificada uma formação nacional universal sobre a natureza nem uma qualificação correspondente.
Natureza na Zâmbia
A natureza da Zâmbia inclui florestas de miombo, mopane e munga, dambos, pradarias, zonas húmidas, rios, lagos e planícies aluviais. Parques nacionais, Áreas de Gestão da Caça, florestas, santuários e sistemas geridos pela comunidade protegem ou regulam a vida selvagem, as plantas, a água e o uso do solo, e deles dependem o turismo, a pesca, a exploração florestal e os meios de subsistência locais. As cheias sazonais sustentam os habitats e a pesca, mas a seca, os incêndios, a perda de habitat, a caça furtiva, a poluição e as alterações climáticas aumentam a pressão. O acesso e o uso dependem da categoria da área protegida, das regras locais, das licenças, das autorizações, das taxas e dos planos de gestão.
Dica
Considere a natureza na Zâmbia um sistema de uso regulado, não um recurso de acesso livre. Primeiro, escolha a área e a atividade; depois, confirme a categoria, as taxas atuais, as autorizações, o acesso sazonal, os requisitos relativos a guias e as regras locais. Antes de assumir despesas ou iniciar qualquer projeto, atividade de subsistência ou visita que possa afetar habitats ou a vida selvagem, documente as aprovações e os riscos.

