Os termos locais incluem casa ou moradia e arrendamento para a locação privada. O acesso à habitação é fragmentado: é possível arrendar em regime privado, comprar um edifício ou imóvel urbano, construir num terreno, recorrer à ocupação costumeira ou apoiar-se numa posse adquirida de boa-fé. Um DUAT, ou título de uso e aproveitamento da terra, regista o direito de usar e aproveitar um terreno. A terra pertence ao Estado, pelo que um pagamento pela propriedade da terra não é válido apenas porque um vendedor ou intermediário o exige. Uma transferência legal de um edifício urbano pode incluir o DUAT relacionado, mas a própria terra não é vendida. Os cidadãos nacionais podem adquirir direitos de uso e aproveitamento da terra através de ocupação segundo normas costumeiras ou de ocupação de boa-fé mantida durante pelo menos 10 anos, acompanhada da autorização escrita exigida. As comunidades locais, serviços públicos de cadastro, administradores distritais e autoridades municipais podem ter funções diferentes consoante a localização e a via aplicável. A ausência de título não elimina automaticamente um direito baseado na ocupação; testemunhas, provas comunitárias e avaliação pericial podem ajudar a demonstrá-lo. Em geral, cidadãos estrangeiros precisam de um projeto de investimento aprovado e pelo menos cinco anos de residência. Uma pessoa coletiva estrangeira normalmente precisa de ser constituída e registada em Moçambique. O crédito à habitação do FFH destina-se geralmente a cidadãos moçambicanos, enquanto o projeto Renascer visa famílias de baixos rendimentos que recebem até dois salários mínimos, quando aplicáveis as condições do projeto. Uma candidatura ou categoria geral de elegibilidade não garante a atribuição de habitação. Antes de arrendar, confirme a identidade do senhorio ou titular, o contrato escrito, finalidade, prazo, renda, caução, serviços, reparações, regras de aviso prévio e estado do imóvel na entrega. Guarde recibos e registe leituras dos contadores, chaves e caução. Não existe um padrão nacional confirmado para rendas, cauções ou prazos de aviso; o contrato e as regras de direito civil aplicáveis são relevantes, e as práticas locais podem afetar a execução. Antes de comprar ou construir, verifique o DUAT ou outras provas de ocupação, registos cadastrais, prediais e fiscais disponíveis, identidade do titular do direito e posição do município ou outra autoridade responsável. Uma transferência pode exigir contrato legal, registo e escritura pública ou outra aprovação formal. Um terreno urbano pode exigir informação prévia do município, projeto de construção aprovado, licença de construção e, posteriormente, licença de utilização. Os valores indicativos dos guias apontam para cerca de 90 dias para resposta municipal sobre o DUAT, autorização provisória de cinco anos para nacionais e dois anos para estrangeiros, e início da construção no prazo de dois anos, com possível prorrogação de até seis meses. Estes valores não substituem a confirmação do procedimento, taxas e prazos municipais atuais. O processamento formal pode demorar mais do que a ocupação informal, sobretudo quando cadastro, planeamento, documentos, estações do ano ou catástrofes causam atrasos. A EDM fornece eletricidade a nível nacional, incluindo ligações residenciais, mudanças de titular, tarifas e serviços pré-pagos Credelec. A eletricidade fora da rede é regulada pela ARENE ao abrigo do Decreto n.º 93/2021. O FIPAG trata ligações de água apenas nas zonas urbanas de serviço indicadas; o pedido pode exigir identificação, NUIT, cidade, distrito, bairro, morada ou referência e dados GPS. Fora das zonas do FIPAG, as famílias podem recorrer a prestadores locais, fontanários comunitários, poços ou furos, pelo que o acesso é sobretudo fragmentado e por vezes informal. As condições de habitação variam muito entre zonas urbanas e rurais. O IDS de 2022–23 indica acesso à eletricidade para cerca de 35,9% das famílias no total nacional, 76,9% nas zonas urbanas e 15,1% nas rurais. O serviço básico de água potável abrange cerca de 52,2% da população nacional, contra 82,1% nas zonas urbanas e 36,6% nas rurais; o saneamento básico abrange cerca de 32,2%, 59,2% e 18,1%, respetivamente. Tecnologias ou combustíveis limpos para cozinhar chegam a apenas cerca de 6,3% da população, e aproximadamente 50,3% dos pavimentos são de adobe ou terra, contra 31,5% de cimento. Uma referência inicial de um projeto do Banco Mundial estimou que cerca de 80% da população urbana constrói em assentamentos periurbanos não planeados, frequentemente sujeitos a inundações; trata-se de uma referência do projeto, não de um recenseamento atual. Drenagem, altitude, acesso rodoviário, exposição a ciclones e inundações e eventual reassentamento afetam, portanto, a segurança prática de um terreno. Em 2024, a política urbana também deu atenção à habitação adequada, infraestruturas básicas, sustentabilidade de assentamentos irregulares e resiliência. Durante a ocupação, o titular do DUAT tem direito de acesso e uso da terra, proteção contra invasões e acesso a ligações ou servidões para estradas, serviços e água, quando aplicável. A expropriação por interesse público pode exigir indemnização. O titular deve usar a terra legalmente, cumprir regras de urbanismo, ambiente e catástrofes, manter limites e pagar os encargos fiscais aplicáveis. No final do arrendamento, documente a entrega, regularize serviços, devolva as chaves e registe a situação da caução. Quando um direito de uso e aproveitamento da terra expirar, for renunciado ou revogado por interesse público, confirme as regras de indemnização e as consequências para benfeitorias permanentes. Os litígios podem seguir mecanismos costumeiros ou comunitários, administração local, vias extrajudiciais ou tribunais administrativos e comuns; a via adequada depende do direito, contrato e localidade. A herança pode transferir direitos relacionados com habitação, mas os registos e formalidades devem ser confirmados. Moçambique continua a aplicar a Lei n.º 19/97, o Decreto n.º 66/98 e o Decreto n.º 60/2006; uma proposta de revisão da lei da terra discutida em 2025–26 ainda não estava em vigor.
Habitação em Moçambique
Em Moçambique, é possível obter habitação através de arrendamento privado, compra de imóvel urbano associado a um DUAT, construção própria, ocupação costumeira ou posse de boa-fé. Um DUAT é o direito legal de uso e aproveitamento da terra; Moçambique não permite propriedade privada, venda, hipoteca ou penhora da própria terra. O acesso, a segurança e o custo dependem da prova do direito de ocupação, das práticas da autoridade local ou comunidade, dos serviços e das aprovações de urbanização e construção.
Dica
Escolha a via de habitação de acordo com o seu estatuto, documentação e finalidade pretendida, não apenas pelo preço ou rapidez aparentes. Antes de pagar ou mudar-se, trate a prova do DUAT ou do direito de ocupação, a legalidade da construção, o acesso a serviços e a exposição a inundações ou ciclones como fatores decisivos. Um contrato escrito e uma entrega documentada reduzem litígios evitáveis.

