A Constituição é a lei suprema. Estabelece a soberania dos cidadãos, o Islão como religião do Estado, o divehi como língua nacional e Malé como capital. Protege a igualdade, a vida, a expressão, os meios de comunicação social, a reunião, a associação, a circulação, a ação administrativa justa e o acesso a um recurso judicial. Entre os deveres constitucionais estão respeitar a Constituição, o Estado de direito, os direitos das outras pessoas, o Islão, a língua divehi, o património nacional e o ambiente. As questões relativas ao acesso de não muçulmanos a certos direitos ou cargos públicos podem depender da Constituição e de legislação específica. As Maldivas têm instituições nacionais, judiciais e locais. O Presidente é chefe do executivo e comandante-chefe e nomeia o Conselho de Ministros e os ministérios nos termos da Constituição. Em 2026, o Presidente Dr. Mohamed Muizzu é coadjuvado pelo Vice-Presidente Uz Hussain Mohamed Latheef. As responsabilidades do Conselho de Ministros incluem defesa e serviço nacional; relações externas; segurança interna, trabalho e tecnologia; finanças e empresas públicas; educação, ensino superior e desenvolvimento de competências; saúde, família e assistência social; desenvolvimento económico, transportes e comércio; pescas, agricultura e recursos oceânicos; assuntos islâmicos e fundações religiosas; turismo e aviação civil; capacitação dos jovens, desporto e atividade física; artes, cultura e património; infraestruturas, habitação e desenvolvimento urbano; alterações climáticas, ambiente e energia; e Procuradoria-Geral. O People's Majlis é o parlamento unicameral do país. Aprova leis e alterações constitucionais, impostos e despesas públicas, adota o orçamento anual, questiona ministros, convoca funcionários e supervisiona tratados e matérias de segurança. Dispõe também de mecanismos de censura. As sessões e os trabalhos públicos são divulgados, e as leis são publicadas no Diário da República. O 20.º Parlamento está em funções em 2026. Os tribunais são constitucionalmente independentes. O Supremo Tribunal é a instância mais alta, seguido pelo Tribunal Superior e pelos tribunais inferiores e especializados. A Comissão do Serviço Judicial nomeia e disciplina juízes e exerce a supervisão administrativa judicial nos termos da lei. Uma pessoa inicia normalmente uma questão jurídica no tribunal competente; os recursos, as questões constitucionais, a representação e as taxas de apresentação dependem do caso e do tribunal. O governo local reflete a dispersão das ilhas do país. Os conselhos municipais e insulares prestam serviços locais e tratam de infraestruturas, regulamentação local e orçamentos locais. A Autoridade do Governo Local, ou LGA, regula e apoia o governo local. Os residentes recorrem normalmente à secretaria do conselho competente. As delimitações são estabelecidas por decretos presidenciais e pelo Diário da República. Uma ilha com menos de 2 000 residentes tem três conselheiros, incluindo uma mulher; uma ilha com pelo menos 2 000 residentes tem cinco conselheiros, incluindo duas mulheres. O Conselho Municipal de Malé tem um presidente da câmara e representantes correspondentes à representação no People's Majlis. O Conselho Municipal de Fuvahmulah tem um presidente da câmara e oito representantes de distrito. As Comissões para o Desenvolvimento das Mulheres incluem uma presidente eleita a tempo inteiro. A 17.ª alteração à Lei da Descentralização prevê a abolição dos Conselhos dos Atóis nas próximas eleições para os conselhos locais, com a transição operacional prevista para 17 de maio de 2026. Addu Hulhudhoo e Addu Meedhoo têm conselhos separados em 2026. A Comissão do Serviço Civil, ou CSC, é um organismo independente e imparcial responsável por recrutar, nomear, promover, transferir e demitir funcionários públicos e manter normas uniformes de pessoal. Em 30 de junho de 2026, havia 31 878 funcionários públicos: 10 157 homens e 21 721 mulheres. O Serviço Digital das Maldivas, ou MDS, foi criado em 15 de janeiro de 2026 após a abolição do NCIT. Lidera a política e as normas digitais e desenvolve as bases de dados do eFaas, do intercâmbio de dados, da nuvem soberana e da identidade digital. O oneGov é o portal central de serviços públicos, enquanto o Roteiro Maldivas 2.0 2025–2028 define uma orientação de reforma que privilegia o digital. O acesso varia conforme o serviço e inclui canais online e presenciais. O Ministério das Finanças e das Empresas Públicas gere a política orçamental e da dívida, o orçamento anual, o tesouro, as contas públicas e a supervisão das empresas estatais. A Lei das Finanças Públicas 3/2006 e a Lei da Responsabilidade Orçamental 30/2024 constituem o principal enquadramento das finanças públicas. O People's Majlis aprovou o Orçamento de 2026. A Autoridade da Receita Interna das Maldivas, ou MIRA, administra os impostos, e as demonstrações financeiras do governo usam a contabilidade IPSAS em regime de caixa. As taxas, a elegibilidade, os documentos e os prazos variam conforme o serviço, o imposto, a licença, o processo judicial ou a regra do conselho; não existe uma taxa nem um prazo único para todos os serviços públicos. Vários organismos supervisionam a autoridade pública. O Gabinete do Auditor-Geral audita instituições governamentais, contas públicas, entidades comerciais estatais, empresas estatais e sociedades de capital misto, e apresenta relatórios ao Presidente, ao People's Majlis e ao público. A Comissão Anticorrupção recebe denúncias de corrupção, investiga-as, realiza trabalho preventivo e pode recomendar a instauração de processos. A Comissão dos Direitos Humanos das Maldivas, ou HRCM, trata de queixas relativas a direitos humanos, monitoriza a detenção e funciona como mecanismo nacional de prevenção nos termos do Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura. O Gabinete do Comissário para a Informação, ou ICOM, supervisiona o acesso à informação e os recursos nessa matéria. É possível pedir informação pública à instituição competente ou através do procedimento do ICOM, sem prejuízo das exceções legais. A informação pública está disponível no Diário da República, no People's Majlis, nos portais ministeriais, no oneGov e através dos procedimentos de acesso à informação. A Public Service Media, ou PSM, presta serviços públicos de comunicação social. A Comissão dos Meios de Comunicação e Radiodifusão das Maldivas, ou MMBC, foi criada ao abrigo da Lei 16/2025 e substituiu o quadro anterior para os meios de comunicação social e a radiodifusão. Os direitos de expressão, de comunicação social e de reunião estão sujeitos aos limites constitucionais e às restrições legais, incluindo as relacionadas com o Islão. As funções de segurança estão repartidas entre instituições civis e militares. O Ministério da Defesa e do Serviço Nacional supervisiona a Força Nacional de Defesa das Maldivas, o Centro Nacional de Luta contra o Terrorismo, o Comando de Segurança da Aviação e o Serviço Hidrográfico das Maldivas. O Serviço de Polícia das Maldivas assegura a aplicação civil da lei e a segurança comunitária e é distinto das forças militares. A Autoridade Nacional de Gestão de Catástrofes trata da preparação, mitigação, alerta precoce, assistência, resposta e base de dados pública sobre catástrofes. Numa emergência, o Presidente pode fazer uma declaração inicial por um período máximo de 30 dias, tem de a publicar no Diário da República no prazo de três dias e submetê-la ao People's Majlis no prazo de 48 horas. Cada prorrogação pode durar até 30 dias. O People's Majlis e o ministro responsável supervisionam os serviços de segurança. A geografia insular do país, a concentração dos serviços em Malé, a transição da descentralização, a pressão orçamental, a implementação do governo digital e a exposição a riscos climáticos e marítimos influenciam o funcionamento prático da autoridade pública.
Estado nas Maldivas
O Estado das Maldivas, a República das Maldivas, é uma república soberana, independente, democrática e unitária, governada nos termos da Constituição das Maldivas de 2008. O People's Majlis aprova leis, o Presidente dirige o executivo e tribunais independentes administram a justiça. A autoridade pública divide-se entre instituições nacionais e conselhos municipais e insulares em 21 divisões administrativas.
Dica
Na administração pública das Maldivas, identifique a instituição responsável pelo assunto em vez de presumir que existe um canal único para todos os serviços. Classifique primeiro o seu pedido e, depois, recorra ao conselho, ministério, tribunal, organismo de supervisão ou instituição de segurança competente; guarde comprovativos de cada envio. A localização insular e a transição da descentralização prevista para 17 de maio de 2026 tornam especialmente importante confirmar qual é o organismo local responsável.

