A dívida formal surge com bancos, instituições financeiras, SFD licenciados, isto é, sistemas financeiros descentralizados (SFD), como prestadores de microcrédito, e instituições de moeda eletrónica quando oferecem empréstimos expressamente. Uma aplicação de dinheiro móvel, por si só, não é um empréstimo. Antes de celebrar um acordo, deve verificar-se o credor nas listas da Direção-Geral do Tesouro e da Contabilidade Pública (Direction Générale du Trésor et de la Comptabilité Publique) ou do banco central regional (BCEAO). O contrato deve indicar o montante principal desembolsado, cada prestação, o reembolso total, as taxas, o seguro, as garantias ou cauções e as consequências do atraso. Segundo as fontes consultadas, não existe uma garantia estatal uniforme para empréstimos ao consumidor; o acesso e as condições dependem do prestador e da candidatura específica. Desde 1 de junho de 2026, o limite de usura da UMOA é de 14.0 por cento ao ano para bancos e 24.0 por cento para instituições de financiamento de crédito, SFD e outros agentes económicos abrangidos. Podem acrescer taxas contratuais, seguros, garantias e consequências do atraso. Na Costa do Marfim, a taxa de juro legal é fixada anualmente por decreto segundo a fórmula da UMOA. Além dos empréstimos formais, desempenham um papel importante os empréstimos entre familiares e amigos, as tontines, ou associações rotativas de poupança e crédito (tontines), os empregadores, o crédito de fornecedores e os credores privados. Estas vias podem ser mais rápidas ou socialmente acessíveis, mas diferem muito quanto ao preço, à documentação, à possibilidade de execução e à proteção. A dívida informal não desaparece automaticamente só porque não existe um contrato formal ou um centro estatal de aconselhamento. Quando há vários credores, deve criar-se uma lista com os credores, os montantes em dívida, as prestações, as datas de vencimento, as garantias e os atrasos. Os pagamentos correntes de habitação, energia, água, alimentação e cuidados médicos necessários devem ter prioridade sobre pagamentos não urgentes. Antes da primeira prestação em falta, deve contactar-se o credor e pedir por escrito uma moratória, adiamento ou novo plano de prestações. Um novo empréstimo oneroso para pagar um empréstimo antigo muitas vezes agrava o encargo. O gabinete regional de informação sobre crédito (BIC UMOA), também conhecido como CREDITINFO WEST AFRICA, reúne históricos de crédito e pagamentos. Os dados podem incluir informações de credores, fontes públicas e entidades de faturação de eletricidade, água ou telecomunicações. As pessoas abrangidas podem obter o próprio relatório de crédito, contestar informações incorretas com provas de apoio e pedir a sua correção ou eliminação. Segundo os prazos processuais consultados, o tratamento pode demorar no máximo 5 dias no BIC, no máximo 15 dias no fornecedor de dados e mais 10 dias para confirmação, correção ou eliminação pelo BIC. Um relatório corrigido deve ser enviado aos utilizadores que receberam o relatório nos seis meses anteriores. Uma contestação relativa a dados não deve ser confundida com uma contestação da dívida subjacente. Para bancos supervisionados, instituições financeiras, SFD e instituições de moeda eletrónica, a reclamação começa no canal interno de queixas. Se não for resolvida, pode contactar-se a comissão bancária da UMOA (Commission Bancaire de l’UMOA) através do seu procedimento de reclamação eletrónica. Devem guardar-se o contrato, o calendário de reembolso, os recibos, as mensagens e o relatório de crédito. Uma reclamação ao supervisor não suspende nem cancela automaticamente uma dívida. Em caso de atraso, é frequente uma tentativa de cobrança amigável ou negociação, seguida de uma interpelação formal para pagamento e, quando adequado, de um processo judicial. O ato uniforme da OHADA sobre procedimentos simplificados de cobrança e medidas de execução regula, entre outros aspetos, ordens de pagamento, penhoras conservatórias e execução coerciva. Para uma ordem de pagamento, o crédito tem de ser certo, quantificado e vencido. Depois de obtido um título executivo, pode tornar-se possível uma penhora. As receitas públicas são cobradas segundo os procedimentos que lhes são aplicáveis e não estão abrangidas por este ato. Não é possível indicar uma duração geral fiável para processos judiciais ou de execução, pois depende do tribunal, da notificação, da oposição, do título, dos bens e da jurisdição. Para empresas e certas pessoas coletivas de direito privado ou público, o quadro regional do direito comercial (OHADA) prevê procedimentos diferentes dos aplicáveis aos agregados familiares comuns. O ato uniforme relativo aos processos de insolvência abrange principalmente comerciantes, empresários, pessoas coletivas privadas sem fins lucrativos e empresas de direito público. Antes da cessação de pagamentos, pode considerar-se a conciliação ou um acordo preventivo (règlement préventif); depois da cessação de pagamentos, pode seguir-se uma reestruturação sob supervisão judicial ou a liquidação de bens (liquidation des biens). Estes processos estão sujeitos a supervisão judicial e também podem ter consequências para os devedores ou a administração. A pesquisa consultada não identificou um processo geral de insolvência de consumidores, a extinção automática da dívida remanescente ou uma comissão nacional para o sobre-endividamento privado na Costa do Marfim. A dívida pública diz respeito ao Estado e não equivale ao alívio de dívida privada. O Ministério das Finanças e do Orçamento (Ministère des Finances et du Budget) e a direção de finanças públicas (Direction Générale des Financements) são responsáveis pelo endividamento, pela estratégia, emissão, negociações e administração do governo; o mercado regional de títulos do governo (UMOA-Titres) e a autoridade regional dos mercados financeiros (AMF-UMOA) integram o mercado regional de títulos públicos. Segundo a análise de sustentabilidade da dívida mais recente consultada, a dívida pública foi de aproximadamente 57.6 por cento do produto interno bruto em 2025; para 2026, o valor atual da dívida pública foi indicado em aproximadamente 53.4 por cento e a dívida pública externa em aproximadamente 37.4 por cento do produto interno bruto. Os riscos incluem, entre outros, alterações nas matérias-primas e exportações, taxas de câmbio, choques climáticos, receitas e liquidez. Uma reestruturação da dívida governamental, como a troca apoiada de aproximadamente 400 milhões de euros de dívida comercial onerosa por financiamento mais barato ou de prazo mais longo, não cria um direito automático para os devedores privados.
Dívidas na Costa do Marfim
Na Costa do Marfim, as dívidas são quantias em dinheiro ou outras obrigações que um devedor tem de reembolsar ou cumprir. Podem resultar de empréstimos bancários, microcrédito, empréstimos móveis, empréstimos privados, tontines, crédito de fornecedores ou contas por pagar. O contrato, o calendário de reembolso, as taxas, as garantias e as consequências do atraso determinam o encargo efetivo. Segundo as fontes consultadas, os agregados familiares na Costa do Marfim não dispõem de um mecanismo estatal geral de alívio de dívidas ou insolvência; quando surgem problemas, são importantes a negociação precoce, os pagamentos documentados e a análise jurídica adequada.
Dica
Avalie novas dívidas na Costa do Marfim pelo custo total efetivo, pela autorização do prestador e pelas consequências do atraso. Quando houver previsão de prestações em atraso, a negociação escrita e precoce é mais importante do que contrair outro empréstimo oneroso. Como os agregados familiares não dispõem de uma via geral para extinguir automaticamente a dívida remanescente, proteja sistematicamente as suas provas, os dados de crédito e os prazos.

