As evidências sobre a história mais antiga do Camboja provêm sobretudo da arqueologia, de vestígios de assentamentos, das paisagens e de locais de metalurgia. A história escrita torna-se mais clara com Funan e, mais tarde, Chenla, aproximadamente entre o século I e o século VIII. Sambor Prei Kuk, identificado com Ishanapura, foi uma capital de Chenla no final do século VI e início do século VII. As suas inscrições em sânscrito e em khmer antigo, os edifícios religiosos, as obras hidráulicas e as evidências de centralização política mostram como as comunidades e as instituições se desenvolveram antes de Angkor. O Império Khmer surgiu por volta do século IX e durou até aproximadamente ao século XV. A ascensão de Jayavarman II, em 802, é tradicionalmente considerada a data da sua fundação, embora os historiadores distingam as tradições políticas das evidências disponíveis para cada período. Angkor incluía capitais que mudavam ao longo do tempo, templos, reservatórios conhecidos como barays, canais e rotas de transporte numa área de cerca de 400 quilómetros quadrados. Angkor Wat, Angkor Thom, o Bayon, Preah Khan e Ta Prohm são importantes sítios que sobreviveram. Koh Ker serviu de capital sob Jayavarman IV, de cerca de 921 ou 928 a 944. Preah Vihear desenvolveu-se como local sagrado a partir do século IX, enquanto a sua estrutura principal data, em grande parte, da primeira metade do século XI. Depois do século XV, os centros políticos deslocaram-se para zonas ocidentais e sudeste. As influências siamesa e vietnamita moldaram as regiões do Mekong, do Tonle Sap e das fronteiras. As evidências do período posterior a Angkor são mais fragmentadas, por isso as suas datas e fronteiras políticas não devem ser tratadas como absolutas. A França estabeleceu um protetorado sobre o Camboja em 1863. O Japão ocupou o Camboja durante a Segunda Guerra Mundial, seguindo-se um breve período de independência em 1945. O Camboja tornou-se independente em 9 de novembro de 1953, sob Norodom Sihanouk. O Reino do Camboja durou de 1953 a 1970, seguido pelo período Sangkum Reastr Niyum, de 1955 a 1970, pela República Khmer, de 1970 a 1975, e pela Kampuchea Democrática, de 17 de abril de 1975 a 7 de janeiro de 1979. A República Popular do Kampuchea governou de 1979 a 1989, seguida pelo Estado do Camboja, de 1989 a 1993. Durante a Kampuchea Democrática, o Khmer Vermelho e o Partido Comunista do Kampuchea impuseram deslocações forçadas, coletivização, abolição dos mercados e da moeda, trabalho forçado, prisão, tortura e perseguição. As Câmaras Extraordinárias nos Tribunais do Camboja (Extraordinary Chambers in the Courts of Cambodia, ECCC) eram um tribunal híbrido criado pelas Nações Unidas e pelo Governo Real do Camboja. Examinaram crimes cometidos entre 17 de abril de 1975 e 6 de janeiro de 1979 e concentraram-se nos dirigentes de alto escalão e nas pessoas com maior responsabilidade. O período residual começou em 1 de janeiro de 2023 e inclui a revisão de sentenças, a proteção de vítimas e testemunhas, arquivos, acesso a registos e acompanhamento das reparações. As conclusões da ECCC são registos jurídicos importantes, mas não constituem uma história completa do período. A intervenção vietnamita e a República Popular do Kampuchea foram seguidas por um conflito prolongado, disputas fronteiriças e movimentos de refugiados. Os Acordos de Paz de Paris foram assinados em 23 de outubro de 1991. A Autoridade Transitória das Nações Unidas no Camboja funcionou de fevereiro de 1992 a setembro de 1993, com responsabilidades que incluíam direitos humanos, eleições, administração, segurança, repatriamento e infraestruturas. A Constituição de 24 de setembro de 1993 restaurou o Reino do Camboja como monarquia constitucional e estabeleceu uma democracia pluralista. O conflito e a consolidação da paz continuaram ao longo da década de 1990, incluindo a crise de 1997 e as eleições de 1998. Desde o início do século XXI, a reconstrução, a urbanização, a mudança económica e a gestão do património prosseguem, a par de disputas sobre a memória e a interpretação histórica. As evidências históricas são seletivas. A guerra, a pilhagem, a destruição, o controlo político, as perspetivas das elites e os registos coloniais afetam o que sobrevive e a forma como é interpretado. Os investigadores comparam inscrições, dados arqueológicos e paisagísticos, relatos chineses, arquivos coloniais, registos partidários e judiciais, história oral, testemunhos de sobreviventes, coleções de museus e arquivos. As memórias familiares, comunitárias e da diáspora acrescentam evidências sobre experiências que os registos oficiais podem omitir, mas também têm de ser comparadas com outras fontes. O Ministério da Cultura e das Belas-Artes, a Autoridade Nacional de APSARA, a Autoridade Nacional de Sambor Prei Kuk, a Autoridade Nacional de Preah Vihear, universidades, museus, o DC-Cam, comunidades locais e grupos da diáspora contribuem para a preservação, a investigação ou a memória. Os sítios do Camboja inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO incluem Angkor, inscrito em 1992; Preah Vihear, inscrito em 2008; Sambor Prei Kuk, inscrito em 2017; e Koh Ker, inscrito em 2023. A inscrição na Lista do Património Mundial fornece um enquadramento de proteção e gestão, não um relato completo da história do Camboja. A APSARA e o Comité Internacional de Coordenação para Angkor gerem a conservação e a proteção numa povoação habitada, enquanto as autoridades nacionais de Preah Vihear e Sambor Prei Kuk supervisionam as respetivas áreas patrimoniais. O acesso varia consoante a instituição, a língua, a localização, o estado de conservação e as condições de segurança. As leis, os decretos de proteção e os planos de gestão dos sítios podem impor deveres de proteção do património e restringir atividades em locais protegidos. A entrada em museus, o acesso a arquivos, as autorizações de investigação e os serviços nos sítios patrimoniais não têm um preço ou prazo de processamento nacional único; a instituição responsável define as condições aplicáveis. Tuol Sleng, Choeung Ek, a ECCC e o DC-Cam são locais importantes de documentação e memória. As memórias estatais, monárquicas, budistas, anticoloniais, de sobreviventes, familiares, da diáspora e das comunidades podem divergir, por isso as afirmações sobre o período do Khmer Vermelho, as fronteiras ou o património devem indicar as suas fontes e limitações. Angkor e a arquitetura monumental fornecem evidências essenciais, mas não representam toda a história do Camboja, incluindo as experiências das mulheres, das crianças, das comunidades Cham, dos povos indígenas, das populações rurais, dos trabalhadores, das comunidades fronteiriças e da diáspora.
História do Camboja
A história do Camboja acompanha o desenvolvimento das sociedades, instituições, paisagens e memórias desde os primeiros assentamentos pré-históricos até ao presente. Entre os principais períodos estão Funan e Chenla, o Império Khmer e Angkor, as mudanças políticas após Angkor, o domínio colonial francês, a independência, o período do Khmer Vermelho e a reconstrução do pós-guerra. A história do Camboja é documentada por meio da arqueologia, de inscrições, relatos chineses, registos coloniais, processos judiciais, museus, arquivos, histórias orais e testemunhos de sobreviventes.
Dica
Entenda a história do Camboja como um conjunto de fontes e perspetivas, e não como uma única narrativa oficial. Relacione a sua pergunta com a instituição, o período e o lugar relevantes; depois compare evidências arqueológicas, oficiais, jurídicas, comunitárias e de sobreviventes, registando as incertezas e as limitações das fontes.

