Em Cabo Verde, não existe uma única autoridade que abranja todos os campos artísticos, nem um mercado de arte nacional ou calendário de acesso uniformes. O MCIC desenvolve políticas culturais, legislação, estruturas e concursos públicos, conhecidos localmente como editais. A DGAIC, direção-geral responsável pelas artes e indústrias criativas, realiza ou apoia programas em áreas como teatro, dança, música e outras práticas criativas. O IPC, Instituto do Património Cultural, inventaria, investiga, salvaguarda, protege e apresenta o património móvel e imóvel, incluindo o património material e imaterial. O Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), no Mindelo, articula as artes visuais, o artesanato e o design. Disponibiliza exposições permanentes e temporárias, uma biblioteca e centro de investigação, formação, uma coleção, residências artísticas e uma loja. O acesso pode depender do programa, da inscrição ou de contacto prévio. O horário de funcionamento publicado é de terça a sexta-feira, das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 19:00; ao sábado, das 10:00 às 14:00 e das 18:00 às 21:00; e aos domingos e feriados, das 17:00 às 21:00. O ensino formal está disponível em várias instituições. A M_EIA, Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura, no Mindelo, oferece cursos de arquitetura, design, artes visuais, educação artística, gestão e produção cultural, cinema e audiovisual. A Uni-CV oferece um curso de quatro anos de Educação Artística, com oito semestres e 240 créditos, destinado a candidatos com o 12.º ano; a propina publicada é de aproximadamente 9.000 ECV por mês. O curso de Gestão de Projetos de Instituições Culturais e Artísticas da Uni-CV dura 18 meses, distribuídos por três semestres, tem 135 créditos e apresenta uma propina de 6.000 ECV por mês. A Universidade Lusófona oferece uma licenciatura em Artes Performativas acreditada pela ARES, com acesso baseado na conclusão do 12.º ano ou numa qualificação equivalente. As regras de admissão e as propinas variam consoante a instituição. A música tem uma forte dimensão comunitária e patrimonial. A morna combina voz, música instrumental, poesia e dança e foi inscrita na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da UNESCO em 2019. É transmitida através de oficinas, rádio, atuações, festivais e iniciativas como Todo Mundo Canta. A Casa da Música e a Uni-CV oferecem cursos, oficinas, residências, atividades corais e o Uni-Talentos, enquanto as estruturas do MCIC incluem a Cesária Évora Academia de Artes. As instalações do IPC incluem o Núcleo Museológico Cesária Évora, a Casa da Morna Sodade e a Casa Museu Eugénio Tavares, com o seu Centro de Estudos da Morna. A arte também pode recorrer à língua cabo-verdiana, chamada LCV ou Kriolu/Crioulo, sobretudo na música e na literatura. A literatura e a edição têm um sistema mais fragmentado de criadores e editores. O IBNCV é uma instituição pública, e Eugénio Tavares é homenageado através da Casa Museu Eugénio Tavares e do seu Centro de Estudos da Morna, na Brava. Não foi demonstrada uma regra nacional uniforme de acesso ao mercado literário. O cinema e o audiovisual têm um quadro jurídico específico: a Lei 99/IX/2020 apoia e protege a produção, distribuição, exibição e divulgação do cinema nacional e das obras audiovisuais, enquanto o Decreto-Regulamentar 4/2021 estabelece programas de apoio financeiro, medidas de desenvolvimento e o registo de obras. Assim, o acesso depende do projeto e do respetivo registo, e não de um direito automático a uma subvenção. Os projetos de artes performativas podem candidatar-se através dos concursos da DGAIC ou do MCIC e podem trabalhar com espaços como o Auditório Nacional Jorge Barbosa, o Palácio da Cultura Ildo Lobo, o Centro Cultural do Mindelo e a Cesária Évora Academia de Artes. A arquitetura relaciona-se com a construção tropical, os tipos de edifícios tradicionais, o urbanismo, o ordenamento do território e a reabilitação do património edificado; a M_EIA oferece um percurso de estudo relevante. Um aviso nacional de criação artística de 2024 abrangeu artes plásticas e fotografia, design, artes performativas, cinema e audiovisual, música, edição e artes visuais. Não foi identificada uma instituição ou um mercado nacional específico de arte digital; o acesso é, por isso, sobretudo fragmentado e baseado em projetos. Os museus e equipamentos culturais do IPC funcionam em Santiago, Sal, São Vicente, Boa Vista e São Nicolau. Apoiam a preservação, interpretação, educação e apresentação pública, mas os horários, as reservas, os encerramentos, as renovações e as necessidades de deslocação variam consoante a ilha e a instituição. Estas diferenças afetam o acesso prático num arquipélago. A Casa Eugénio Tavares publica um horário de segunda a sexta-feira, das 08:00 às 13:00 e das 14:00 às 16:00; as visitas ao fim de semana exigem marcação prévia. Os museus registaram 45 141 visitas em 2025, das quais 71% foram de visitantes estrangeiros e 29% de visitantes nacionais. O financiamento público é atribuído através de avisos do MCIC e da DGAIC. Os programas comunicados apoiaram 84 projetos em 2024, 80 em 2023 e 74 em 2022, abrangendo 238 projetos em três anos e chegando a todas as ilhas. Cada edital define os seus próprios critérios de elegibilidade, prazo, documentos, requisitos orçamentais e processo de seleção. O material analisado não estabelece uma subvenção artística universal, uma taxa fixa ou um lugar garantido. Há propinas publicadas para alguns cursos, mas as páginas oficiais analisadas não confirmaram tarifas para os museus e o CNAD. O transporte interilhas e a logística podem afetar significativamente os orçamentos e os calendários. A Lei 73/X/2026 estabelece o Estatuto do Profissional Criador e Produtor da Arte e Cultura. Prevê a inscrição junto do organismo competente e um cartão profissional, com requisitos que incluem a inscrição no INPS, na autoridade tributária e na base de dados setorial relevante. O estatuto inclui medidas de proteção social, incentivos fiscais e aduaneiros, um regime para micro e pequenas empresas e acesso a apoio, formação e crédito. A lei entrou em vigor no dia seguinte ao da publicação, mas os detalhes de implementação e o canal de candidatura devem ser confirmados através da informação atual do MCIC e do Boletim Oficial. A proteção dos direitos de autor rege-se pelo Decreto-Legislativo 1/2009, alterado pelo Decreto-Legislativo 2/2017. Os direitos de autor abrangem a reprodução, a comunicação pública, a tradução e a adaptação. As autorizações ou os contratos escritos devem definir a exploração de uma obra; os intérpretes e produtores podem ter direitos conexos. As entidades de gestão coletiva são reguladas pelo Decreto-Regulamentar 16/23, com um regime especial para obras cinematográficas e audiovisuais. O financiamento público não transfere, por si só, os direitos de autor para a entidade financiadora; é necessário verificar o concurso aplicável e o contrato.
Arte em Cabo Verde
A arte em Cabo Verde tem um ecossistema fragmentado, mas ativo, que abrange artes visuais, música, literatura, cinema, artes performativas, arquitetura, design, fotografia, criação digital, artesanato e património. O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC) e a sua direção das artes definem programas nacionais, enquanto instituições como o CNAD e o IPC se ocupam de formas específicas de criação, preservação, educação e apresentação. O acesso depende da ilha, da instituição, do programa, do concurso público, do espaço e das ligações de transporte. O ensino formal, a transmissão comunitária, o registo profissional, o financiamento público e a proteção dos direitos de autor seguem vias diferentes.
Dica
Considere a arte em Cabo Verde como uma rede de instituições especializadas, práticas comunitárias e oportunidades baseadas em projetos, e não como um serviço central único. Escolha o percurso conforme precise de formação, espaço, financiamento, registo profissional, publicação, preservação ou proteção de direitos. Antes de assumir compromissos financeiros ou ceder direitos de exploração, verifique o acesso específico de cada ilha, os concursos atuais, as regras de implementação e os contratos escritos.

