Achados arqueológicos demonstram uma longa presença humana na área do atual Burkina Faso. Os sítios de Maadaga e Gobnangou mostram uma sequência que vai da Idade da Pedra Média à Idade da Pedra Final; mais de 60 000 artefactos foram estudados nesses locais, numa estratigrafia com até 190 centímetros de profundidade. A datação e os termos técnicos para grupos específicos de achados continuam a ser objeto de debate regional e historiográfico. A arte rupestre, o trabalho do ferro, a cerâmica e os achados de povoamentos completam este quadro. Na Antiguidade e no início da Idade Média, a área situava-se entre a curva do Níger e a região do Volta. A agricultura, o ferro, o ouro, o comércio de longa distância, as migrações e os contactos com o Islão moldaram diferentes regiões. Gana, Mali e Songai pertencem a este contexto transregional, mas não demonstram um domínio uniforme sobre todo o território do atual Burkina Faso. Vários Estados mossi estão documentados na Idade Média e no início da época moderna, incluindo Wogdogo, a histórica Uagadugu, Yatenga e Tenkodogo. Existia uma referência dinástica (Moogo Naaba), enquanto as áreas ocidentais, meridionais e orientais desenvolveram as suas próprias ordens políticas. Nomes como Gourmantché ou Gulmanceba, Bobo, Bwa, Lobi, Dagara, Sénoufo e Peul ou Fulbe referem-se a sociedades regionais diferentes e não devem ser combinados numa única história uniforme. As ruínas de Loropéni cobrem 11 130 metros quadrados e têm muros de pedra com até seis metros de altura. O sítio tem pelo menos 1 000 anos, provavelmente floresceu entre os séculos 14 e 17 e está associado às sociedades Lohron ou Koulango. A mineração e o processamento de ouro, assim como o comércio transaariano, são contextos plausíveis; contudo, a função e o desenvolvimento exato do sítio ainda não foram plenamente estabelecidos. Loropéni é Património Mundial da UNESCO desde 2009. A França conquistou e administrou a área aproximadamente entre 1895 e 1898. Em 1.º de março de 1919, foi estabelecida a colónia do Alto Volta (Haute-Volta), com sete distritos administrativos e Uagadugu como capital. A França dissolveu o Alto Volta em 1932; a reorganização entrou em vigor em 1.º de janeiro de 1933 e distribuiu o território entre a Costa do Marfim, o Sudão Francês e o Níger. O Alto Volta foi restaurado em 4 de setembro de 1947. O trabalho forçado, a tributação, as migrações, a administração e os sistemas missionários e escolares transformaram as sociedades regionais, enquanto a resistência e a cooperação variaram de lugar para lugar. A República do Alto Volta foi proclamada em 11 de dezembro de 1958, seguida pela independência em 5 de agosto de 1960, sob Maurice Yaméogo. A nova república adotou grande parte da estrutura administrativa colonial. Os sindicatos, as intervenções militares e as mudanças constitucionais moldaram os anos até 1983. Em 4 de agosto de 1983, Thomas Sankara iniciou a Revolução Democrática e Popular (Révolution démocratique et populaire). Em 1984, o país recebeu o nome Burkina Faso, traduzido como “terra de pessoas íntegras”; ao mesmo tempo, surgiram novos símbolos nacionais e uma agenda de orientação política, social e soberanista. A importância desse período continua a ser avaliada de formas diferentes. Blaise Compaoré tomou o poder após o golpe de 15 de outubro de 1987; Thomas Sankara foi morto. Compaoré demitiu-se em 31 de outubro de 2014, após uma revolta popular. Seguiu-se um período de transição, depois a eleição de Roch Marc Christian Kaboré em 2015 e a sua reeleição em 2020. As mudanças de poder de 24 de janeiro e 30 de setembro de 2022 conduziram a uma nova ordem política de transição; a carta de 14 de outubro de 2022 é uma referência central para essa ordem. A crise de segurança, humanitária e estatal faz parte do desenvolvimento histórico contemporâneo do país. A comunicação política oficial em 2026 utiliza a expressão Revolução Popular Progressista (Révolution Progressiste Populaire); esta expressão é uma interpretação política atual, não uma classificação historiográfica neutra. O conhecimento histórico em Burkina Faso resulta da história oral, da arqueologia, dos arquivos coloniais, dos registos administrativos, das fontes missionárias, da investigação universitária, dos museus, dos monumentos e das autoridades locais. O Centro Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (Centre national de la recherche scientifique et technologique), a Universidade Joseph KI-ZERBO (Université Joseph KI-ZERBO) com o programa de pesquisa ProGRES (ProGRES), os Arquivos Nacionais de Burkina Faso (Archives nationales du Burkina Faso), o Museu Nacional (Musée national), o Ministério da Cultura (Ministère de la Culture) e a UNESCO estão entre as principais referências institucionais. As categorias coloniais, as narrativas nacionais heroicas e as memórias regionais devem ser avaliadas segundo a sua fonte, o momento da sua criação e os interesses envolvidos. Os arquivos, museus e sítios de investigação têm regras próprias de acesso; os horários, as taxas e as autorizações de investigação dependem de cada local. As condições de segurança e a proteção dos sítios podem restringir o acesso a locais históricos ou zonas de conflito. A investigação histórica não dispõe de uma aplicação nem de um sistema de taxas uniformes a nível nacional.
História de Burkina Faso
A história de Burkina Faso estende-se desde uma longa presença humana, passando por Estados regionais e redes comerciais, até à atual crise política e social do país. A arqueologia, as tradições orais, os arquivos coloniais e a investigação institucional apresentam perspetivas diferentes. O desenvolvimento do país só pode ser compreendido em ligação com regiões como o Sahel, a curva do Níger e a região do Volta.
Dica
Classifique cada afirmação histórica sobre Burkina Faso segundo o período, a região, o tipo de fonte e o grau de segurança ou contestação do conhecimento. Evite uma narrativa nacional única quando as tradições regionais, os achados arqueológicos e as interpretações políticas diferirem. Para visitas ou investigação própria, tenha também em conta as regras de acesso, as autorizações e a situação de segurança atual.

