Em Vanuatu, kastom significa práticas e regras consuetudinárias que orientam as relações comunitárias e a autoridade local. Chefes, famílias, igrejas, nakamals e líderes comunitários muitas vezes organizam a cooperação quotidiana, sobretudo fora das zonas urbanas. Um nakamal é um espaço de governança consuetudinária que pode servir uma família ou grupo, ou vários grupos de uma aldeia ou de uma área mais ampla. Homens, mulheres e crianças podem estar sujeitos à sua autoridade consuetudinária, conforme o arranjo local. O Censo de 2020 registou 289,333 pessoas, incluindo 64,018 em áreas urbanas e 225,315 em áreas rurais. Vanuatu tem 83 ilhas e mais de 100 línguas locais. Essas diferenças afetam a forma como as pessoas obtêm informações, resolvem desacordos e têm acesso a serviços públicos. Conselhos de Área e governos provinciais atuam juntamente com chefes e estruturas consuetudinárias. Nas zonas urbanas, os Conselhos Municipais regulam partes da vida pública por meio de regulamentos municipais. Os principais municípios são o Conselho Municipal da Cidade de Port Vila, o Conselho Municipal de Luganville e o Conselho Municipal da Cidade de Lenakel; o Departamento de Assuntos Urbanos e Planeamento também tem responsabilidades em centros como Lakatoro, Saratamata e Sola. A Constituição proíbe a discriminação com base em raça, local de origem, crenças religiosas ou tradicionais, opiniões políticas, língua e sexo. Bislama, inglês e francês são línguas oficiais, enquanto as línguas locais fazem parte do património nacional. As pessoas podem solicitar serviços governamentais numa língua oficial à sua escolha, com apoio de tradução e interpretação prestado pelo Departamento de Serviços Linguísticos quando disponível. A política nacional também apoia a participação de mulheres, jovens, pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros grupos expostos à discriminação ou à violência. O Conselho Nacional de Chefes de Malvatumauri tem uma função consultiva. A Constituição reconhece os Tribunais de Aldeia e de Ilha, e o artigo 95(3) reconhece o kastom como parte do quadro jurídico de Vanuatu. Desacordos quotidianos podem primeiro chegar à família, ao chefe, ao nakamal ou a um líder religioso. Infrações graves, questões de proteção e casos que não possam ser tratados informalmente com segurança podem exigir a intervenção da Polícia de Vanuatu, da sua Unidade de Proteção da Família, do Tribunal de Magistrados ou do Supremo Tribunal. A mediação pode preservar relações, mas também pode ignorar ou silenciar as necessidades das vítimas; a denúncia formal e os processos judiciais continuam a ser necessários em casos de violência, danos graves ou direitos protegidos. Os conflitos relativos a terras consuetudinárias seguem um processo mais específico. Um conflito pode começar no nakamal local e avançar para mediação. Se continuar sem resolução após 30 dias, poderá ser encaminhado para um tribunal de terras da área consuetudinária, que envolve um agente de terras consuetudinárias e um conselho de chefes. Problemas de acesso e de procedimento podem afetar o processo, por isso é necessário verificar os serviços locais responsáveis e a situação do conflito. O uso de espaços públicos é regulado de forma diferente nos municípios e nas áreas consuetudinárias. Os regulamentos municipais regem terrenos estatais urbanos, enquanto a Lei do Planeamento Físico e a Lei de Desenvolvimento da Zona Costeira se aplicam às atividades de desenvolvimento e na zona costeira pertinentes. O pedido de uma licença para a zona costeira tem uma taxa de VT 20,000, e a violação das regras pode levar a uma penalização máxima de VT 5,000,000 ou a cinco anos de prisão. Estas disposições dizem respeito ao controlo do desenvolvimento, não a uma taxa geral pelo uso de espaços públicos. A família alargada e o parentesco continuam a ser centrais na habitação partilhada e no apoio comunitário. As comunidades podem partilhar a responsabilidade pelas crianças, enquanto as pessoas mais velhas e os chefes frequentemente exercem autoridade social. Não há evidências de uma instituição nacional de coabitação em Vanuatu; os detalhes sobre arrendamento ou legislação habitacional pertencem ao tema separado da habitação. A participação cívica é apoiada pelo Vanuatu 2030, desenvolvido por meio de um processo nacional de consulta de três anos que envolve o governo, líderes comunitários, empresas e sociedade civil. O desporto e outras atividades comunitárias também podem reforçar as ligações sociais. A convivência digital está a desenvolver-se por meio da Lei de Cibercrime de 2021, da Lei de Proteção de Dados e Privacidade de 2024, da Lei de Comunicações Digitais Nocivas de 2024, da Lei da Autoridade de Segurança Digital de 2024 e da Lei de Transformação Digital de 2025, que entrou em vigor em 17 de dezembro de 2025. O Departamento de Comunicações e Transformação Digital, o CERT-VU, o Regulador das Telecomunicações e Radiocomunicações, a Polícia de Vanuatu e a Autoridade de Segurança Digital têm responsabilidades distintas. A política sobre comunicações digitais nocivas inclui proteção de crianças em ambientes online, sensibilização, reabilitação e cooperação interinstitucional. Uma obrigação de atuação em incidentes no prazo de 72 horas aplica-se principalmente a contextos de TIC e do governo, não sendo um prazo universal para todos os residentes denunciarem incidentes. O acesso é desigual em todo o país. A distância física, os custos, as barreiras de conhecimento e a cobertura limitada dos serviços podem dificultar o uso de procedimentos formais em áreas rurais e remotas. Os processos informais podem ser mais rápidos ou acessíveis, mas os seus custos, prazos e autoridade variam localmente. Por isso, a ilha, a área consuetudinária, a província ou o município em causa determina qual órgão pode agir e quais regras têm força prática.
Convivência em Vanuatu
A convivência em Vanuatu é moldada pelo kastom, pelas relações familiares e comunitárias, pelas igrejas, pelos chefes, pelas autoridades públicas e pela legislação escrita. Os arranjos variam entre comunidades rurais e de ilhas periféricas e os principais municípios; por isso, a cooperação, a resolução de conflitos, as regras para espaços públicos e o acesso a serviços dependem da ilha, da área consuetudinária e do município. A Constituição protege a igualdade de tratamento e a participação, enquanto os sistemas formais e informais coexistem.
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