O território da atual Síria contém vestígios de vida paleolítica e neolítica, incluindo assentamentos e agricultura iniciais junto ao Eufrates e no Levante. Sítios como Tell Qaramel, Abu Hureyra, Jerf el-Ahmar e Tell Halaf são datados com base nos achados específicos e no respetivo contexto arqueológico. A história da Idade do Bronze e da Idade do Ferro inclui Ebla, em Tell Mardikh, Mari, em Tell Hariri, Ugarit, em Ras Shamra, e Emar, além de contextos amoritas, hurritas e arameus e da influência da Assíria, da Babilónia, dos Hititas e do Império Aqueménida. Estas antigas áreas políticas e culturais não correspondiam às fronteiras do Estado sírio moderno. A história helenística e romana inclui o período selêucida, Antioquia, Apameia, Dura-Europos e Palmira. A Síria romana começou em 64 a.C., enquanto Palmira formou mais tarde um império de curta duração no século III d.C. O comércio, as comunidades multilingues e as redes urbanas em mudança ligavam a região a espaços mais amplos do Mediterrâneo e do Próximo Oriente. A Antiguidade Tardia inclui a administração bizantina, o cristianismo, os mosteiros, o desenvolvimento urbano e os conflitos entre Bizâncio e o Império Sassânida. A conquista árabe no século VII trouxe mudanças linguísticas e religiosas graduais, não uma rutura simples e única. A Síria medieval incluiu Damasco omíada como capital entre 661 e 750, seguida pelo domínio abássida e pela influência dos hamadânidas, fatímidas, mirdássidas, seljúcidas, zênguidas, aiúbidas e mamelucos. Zonas de fronteira cruzadas, crónicas, documentos de waqf, moedas, edifícios e vestígios arqueológicos oferecem diferentes tipos de evidência. A conquista otomana em 1516 introduziu estruturas provinciais como eyalets, vilayets e sanjaks. Damasco tornou-se um importante centro de peregrinação do Hajj, Alepo uma grande cidade comercial, e notáveis e comunidades locais interagiam com a administração fiscal e militar. As reformas Tanzimat de 1839–1876, a violência em Damasco em 1860, as missões, o comércio e a influência europeia marcaram o século XIX. A Primeira Guerra Mundial e a Revolta Árabe puseram fim ao domínio otomano em 1918. O acordo de San Remo, em 1920, precedeu o Mandato Francês, de 1920 a 1946, durante o qual existiram entidades administrativas separadas, incluindo os Estados de Alepo e de Damasco, o Estado Alauíta e o Estado do Jabal Druze. A transferência de Alexandretta, também chamada Sanjak de Alexandretta, para a Turquia em 1939 continua a ser contestada na memória histórica síria. A Grande Revolta Síria de 1925–1927 ligou a resistência local a debates mais amplos sobre o governo e a soberania. A República Síria tornou-se independente em 1946. Seguiram-se golpes de Estado em 1949; a Síria aderiu à República Árabe Unida em 1958 e saiu dela em 1961; e o Partido Baath tomou o poder em 1963. Hafez al-Assad governou de 1971 a 2000, seguido por Bashar al-Assad de 2000 até à queda do seu governo, em 8 de dezembro de 2024. A revolta iniciada em 2011 evoluiu para um conflito armado que envolveu deslocações, intervenção estrangeira, o ISIS ou Daesh, uma administração liderada pelos curdos, forças da oposição e áreas controladas pelo governo. Estes intervenientes e administrações criaram realidades territoriais em mudança, que os historiadores têm de datar e descrever com precisão. De 2025 a 2026, a Síria atravessa um período de transição e reconstrução. A justiça de transição, a documentação de pessoas desaparecidas, as questões constitucionais, as eleições e a integração territorial tornaram-se áreas históricas importantes, enquanto a ordem política permanece indefinida. Por isso, as afirmações sobre instituições ou fronteiras atuais exigem uma data clara. A Direção-Geral de Antiguidades e Museus da Síria (DGAM), universidades, arquivos, museus, historiadores locais e entidades internacionais como a UNESCO, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) e o Mecanismo Internacional, Imparcial e Independente (IIIM) contribuem para o trabalho histórico e documental. As fontes incluem inscrições, textos cuneiformes e alfabéticos, moedas, arquitetura, registos otomanos, documentos do Mandato, jornais, histórias orais e relatórios das Nações Unidas. A tradução, a proveniência, a propaganda, a datação e a conservação podem afetar a avaliação de cada fonte. O acesso à investigação formal costuma depender de uma instituição, projeto, autorização para o sítio ou autorização de segurança, e varia muito consoante a região. Não existe um calendário nacional único de taxas ou prazos para a investigação histórica. O conflito danificou sítios e coleções e contribuiu para o saque, as escavações ilegais e a perda de evidências. Os sítios sírios inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO incluem a Cidade Antiga de Damasco, a Cidade Antiga de Alepo, a Cidade Antiga de Bosra, as Aldeias Antigas do Norte da Síria, o Krak dos Cavaleiros e Qal'at Salah El-Din, e o sítio de Palmira; vários estão em perigo. A história oral e a memória comunitária continuam a ser valiosas, embora o seu peso jurídico ou probatório dependa da utilização específica. Memórias sírias, locais, religiosas, da diáspora e internacionais podem interpretar o mesmo acontecimento de maneiras diferentes.
História na Síria
A história da Síria abrange sociedades, instituições e regiões desde os primeiros assentamentos pré-históricos até à transição política iniciada após 8 de dezembro de 2024. O registo inclui sítios arqueológicos, fontes escritas, edifícios, moedas, arquivos, testemunhos orais e memórias, mas o acesso e a interpretação são desiguais devido ao conflito, à deslocação de pessoas, aos danos na infraestrutura e às narrativas concorrentes.
Dica
Use o relato histórico de acordo com o seu objetivo: o ensino e a explicação pública podem recorrer a uma cronologia datada, enquanto a investigação, a documentação ou o trabalho patrimonial exigem a verificação de cada fonte. Date todas as afirmações sobre a Síria após 2011 e após 8 de dezembro de 2024, e trate o acesso, a proveniência, a segurança e as memórias concorrentes como condicionantes do trabalho.

