Os cursos profissionais formais são oferecidos através de centros públicos de formação profissional, institutos setoriais e centros privados ou de ONG acreditados. O Ministério da Educação licencia e supervisiona os centros de formação profissional, enquanto o Ministério dos Assuntos Sociais e do Trabalho coordena os serviços de emprego, a política do mercado de trabalho e a governação da formação profissional. O Ministério da Economia e Indústria refere cinco institutos técnicos com mais de 3.500 alunos e complexos profissionais em Damasco, Homs e Alepo. Os cursos duram normalmente quatro a nove meses e abrangem áreas como mecânica automóvel, metalomecânica, eletrónica, eletricidade, carpintaria, soldadura, canalização, têxteis, costura, construção e sistemas de aquecimento ou arrefecimento. O Complexo Industrial de Damasco oferece cursos com duração até nove meses em tecnologias da informação, administração de escritório, eletricidade, AVAC, eletrónica, construção, carpintaria, metalomecânica, soldadura, canalização, têxteis, costura e desenho técnico. Em Homs, programas documentados aceitaram alunos dos 16 aos 30 anos, ofereceram um curso anual gratuito com cerca de nove meses de duração e emitiram um certificado do Ministério da Indústria. O exemplo de Homs incluiu 120 formandos em 2025 em sete centros. Estes exemplos não estabelecem um limite nacional único de idade, duração ou certificado. O Ministério das Obras Públicas e Habitação organiza formação profissional ao abrigo da Lei 4/2021. O ciclo de 2026 documentado decorreu de 1 de junho a 1 de outubro, aceitou candidatos dos 15 aos 45 anos, não cobrou propina e pagou um subsídio mensal. As áreas de formação incluíam acabamentos de construção, instalações elétricas, energia solar, carpintaria, metalomecânica, soldadura e aquecimento ou arrefecimento. O programa descreveu o certificado ministerial como reconhecido e permitiu possíveis contratos anuais de até dois anos para diplomados, mas nem o certificado nem a formação garantem emprego automático. A Autoridade de Desenvolvimento das Pequenas e Médias Empresas, geralmente chamada SMEDA, apoia formadores, centros, cursos, certificados, aconselhamento empresarial e incubação. O portal destina-se a formandos, formadores, centros, empresários, consultores e candidatos a emprego. Um processo típico consiste em criar uma conta, inscrever-se e obter aprovação quando necessária, escolher um curso, frequentá-lo e concluí-lo e, depois, receber um certificado eletrónico cujos dados podem ser verificados em linha. Os requisitos variam consoante o prestador e podem incluir idade, documentos de identidade, escolaridade anterior, província, área profissional disponível, prazo de inscrição e vagas restantes. A aprendizagem em contexto de trabalho, abreviada como WBL, combina aprendizagem e trabalho prático numa empresa ou oficina. Um programa apoiado pela OIT em Alepo em 2023–2024 envolveu 105 formandos, 16 empresas locais e cinco profissões, com estágios, remuneração diária ou subsídios salariais; 24 participantes permaneceram no emprego. O programa destinava-se a mulheres, pessoas com deficiência, pessoas deslocadas e jovens dos 16 aos 18 anos. Tratava-se de um modelo de projeto, não de prova de um direito legal geral a estágio ou remuneração. Os programas não formais chegam a zonas além da rede pública de centros profissionais. Em 2024, a UNICEF informou ter abrangido 162.297 pessoas desfavorecidas dos 10 aos 24 anos em 14 províncias, incluindo 34.680 participantes em atividades de competências para a vida, educação comunitária, formação profissional, empreendedorismo e empregabilidade. Noventa e seis cursos abrangeram 30 profissões e foram ministrados em espaços adaptados aos adolescentes, centros integrados e equipas móveis. Os programas do PNUD oferecem competências profissionais orientadas pela procura, estágios, apoio a meios de subsistência, recuperação de pequenas empresas e reintegração de pessoas regressadas. Um projeto de capacitação de jovens do Ministério dos Assuntos Sociais e do Trabalho foi lançado em 2025 em dez províncias, enquanto uma plataforma do mercado de trabalho liga candidatos e empregadores a serviços de formação, qualificação e competências. A educação de adultos é outro percurso direto de formação contínua. O Ministério da Cultura e a sua Direção de Desenvolvimento Cultural e Educação de Adultos oferecem programas de literacia e aprendizagem para adultos. Em 2026, o Ministério referiu cerca de quatro milhões de pessoas analfabetas, ou cerca de 20% da população, e mais de 400 cursos de literacia lançados desde o início desse ano. A expansão também abrange literacia digital e jurídica, pensamento crítico e aprendizagem cívica ou cultural, com o objetivo reportado de reduzir o analfabetismo para menos de 10% no prazo de três anos. Em Alepo, o analfabetismo reportado era de cerca de 25%, chegando a 50% em algumas zonas remotas e campos, pelo que o acesso varia muito conforme a localidade. Os exemplos públicos são frequentemente gratuitos e os cursos para jovens apoiados pela UNICEF também costumam ser gratuitos nos programas documentados. As propinas de cursos privados, de ONG e da SMEDA variam; não existe uma tabela nacional de preços. Muitos programas não formais dependem de doadores, pelo que um curso pode terminar, mudar de local ou alterar os critérios de elegibilidade quando mudam o financiamento ou o acesso local. A capacidade pública de formação profissional mais bem documentada encontra-se em Damasco, Homs e Alepo; está prevista uma expansão para todas as províncias em 2026–2028, com preparação em Latakia e planeamento para Deir ez-Zor, mas a expansão ainda não está concluída. A SMEDA refere ter uma rede em todas as províncias, enquanto a oferta humanitária e não formal tem uma cobertura geográfica mais ampla, mas depende mais de projetos. Um certificado emitido pelo prestador tem o valor jurídico ou laboral indicado pela entidade emissora. Atualmente, a Síria não dispõe de um sistema nacional unificado para reconhecer aprendizagens anteriores, ou seja, competências adquiridas no trabalho ou na prática informal. A aprendizagem informal em oficinas, empresas familiares, estágios, estudo autónomo e cursos digitais continua a ser importante para os meios de subsistência, mas muitas vezes não confere certificação transferível. Podem ser exigidos presença, conclusão e avaliações teóricas ou práticas; espera-se que prestadores licenciados utilizem programas aprovados e controlos de qualidade. O acesso também depende de transportes, segurança, eletricidade, internet, deslocação, normas de género, financiamento e disponibilidade local de uma profissão adequada. O ensino secundário isolado, o ensino universitário e a aprendizagem de línguas pertencem a percursos educativos separados, a menos que façam parte de um programa mais amplo de competências ou emprego.
Formação contínua na Síria
Na Síria, a formação contínua abrange aprendizagem organizada ou autodidata depois ou durante a escolaridade inicial ou o trabalho, incluindo competências profissionais, literacia, competências digitais e reconversão profissional. Não existe um sistema nacional único: ministérios, a Autoridade de Desenvolvimento das Pequenas e Médias Empresas, agências da ONU, ONG, câmaras e prestadores privados oferecem percursos formais, não formais e informais que se sobrepõem. O acesso, as taxas, os certificados e a disponibilidade dos cursos dependem do prestador, província, financiamento do programa e vagas disponíveis.
Dica
Considere a formação contínua na Síria uma escolha entre prestadores, e não um percurso nacional único. Escolha um curso curto e ligado ao mercado quando a profissão, local, horário, entidade emissora do certificado e apoio à transição corresponderem ao seu objetivo; comece pela literacia ou competências digitais quando forem necessárias para concluir a formação. Confirme as taxas, financiamento, condições de presença e valor do certificado antes de se comprometer, pois uma vaga ou certificado não garante emprego nem reconhecimento transferível.

