O ponto de partida nacional mais fiável é o inquérito ao orçamento familiar de 2022, realizado pelo instituto de estatística de Moçambique, o INE. Registou uma despesa média mensal de MZN 8.661 por agregado familiar e MZN 1.893 por pessoa. Os alimentos e bebidas não alcoólicas representaram MZN 3.358 por agregado, ou 38,8% do orçamento registado. A habitação, a água, a eletricidade, o gás e outros combustíveis representaram MZN 1.489, ou 17,2%; os transportes, MZN 980, ou 11,3%; as comunicações, MZN 548, ou 6,3%; o lazer, MZN 173, ou 2,0%; a educação, MZN 142, ou 1,6%; e a saúde, MZN 40, ou 0,5%. Estes valores indicam uma estrutura histórica, não um preço atual. A inflação acumulada em 2024 foi de 4,2% no total, 10,2% nos alimentos e 1,0% na habitação, água, eletricidade, gás e combustíveis; por isso, uma estimativa atual deve atualizar os valores de 2022, em vez de os copiar sem alterações. A localização altera substancialmente o resultado. Maputo e Matola, as capitais provinciais e outros centros urbanos têm geralmente custos de habitação e serviços superiores aos de muitos distritos e zonas rurais, enquanto os agregados rurais podem depender mais da produção própria, das trocas comunitárias, de fontanários, poços, transportes partilhados ou prestadores informais. O inquérito nacional registou tanto rendas pagas como o valor estimado da renda de casas ocupadas pelos proprietários. Os regimes habitacionais incluem arrendamento, que significa aluguer privado; casa própria; alojamento cedido por outro agregado ou instituição; habitação autoconstruída; e subarrendamento informal. Os custos de habitação podem incluir renda, caução, reparações, segurança, eletricidade, água, combustível para cozinhar e deslocações entre a casa, o trabalho, a escola ou os serviços. Não foi identificada uma tabela oficial nacional de rendas; por isso, as comparações devem basear-se na propriedade específica, na localidade, no acesso a serviços e nas condições do contrato. A eletricidade tem uma estrutura formal de tarifas, mas o acesso à rede elétrica é desigual. As informações tarifárias da ARENE e da EDM, válidas a partir de 7 de maio de 2026, indicam uma tarifa social de MZN 1,07 por kWh para 0–125 kWh, tarifas domésticas de MZN 6,63 por kWh para 0–300 kWh, MZN 9,39 para 301–500 kWh e MZN 9,85 acima de 500 kWh, e uma tarifa pré-paga de MZN 8,44 por kWh. A página tarifária também indica um encargo fixo de MZN 257,97. A categoria e o método de pagamento aplicáveis devem ser confirmados em função da ligação e do aviso tarifário atual. Onde não há acesso à rede elétrica ou este é pouco fiável, os agregados podem utilizar equipamento solar, geradores, carvão vegetal ou querosene, o que acrescenta custos de aquisição, combustível, carregamento, manutenção ou transporte. Os preços de referência de 2026 indicados para o GPL e o querosene de iluminação eram MZN 87,82 por quilograma e MZN 97,56 por litro. Os custos da água dependem da cidade, do prestador, da leitura do contador e da categoria do cliente. A faturação do PIGI pode combinar um encargo de consumo baseado em metros cúbicos com o imposto sobre o valor acrescentado e taxas de saneamento. Nas zonas periurbanas e rurais, os agregados podem recorrer a um fontanário, vendedor privado, furo ou poço. O montante pago pode, por isso, incluir a água e o transporte, os recipientes, o tempo de espera ou a entrega. Não existe um único encargo de água para consumidores aplicável a todos os agregados do país. A alimentação exige normalmente a maior parte flexível do orçamento. Os preços variam conforme o distrito, o mercado, a época das colheitas, as condições de transporte, o tempo e as condições de segurança locais. A monitorização semanal dos preços pelo SIMA e pelo ICM é mais útil para comparações atuais do que uma única média nacional. Por exemplo, as observações de preços na Zambézia, de 31 de agosto a 4 de setembro de 2026, indicaram milho a MZN 12–17 por quilograma, arroz a MZN 23–25, feijão nhemba a MZN 25–37 e feijão manteiga a MZN 60–85. As observações em Tete, de 24–28 de agosto, indicaram milho a MZN 10–18, arroz a MZN 55–60, feijão nhemba a MZN 35–45 e feijão manteiga a MZN 55–80. Estes intervalos não são diretamente comparáveis, pois dizem respeito a distritos, mercados e datas diferentes. Uma estimativa doméstica deve registar os alimentos efetivamente comprados, o mercado utilizado e a época do ano, prevendo variações ligadas às colheitas, ao transporte, ao tempo e a conflitos. Os agregados com acesso à agricultura, produção própria ou trocas comunitárias podem ter um orçamento em dinheiro diferente dos agregados que compram todos os alimentos a preços de retalho. Os custos de mobilidade dependem muito da distância das deslocações e dos serviços disponíveis. As opções comuns incluem chapas, serviços de machimbombo, táxis, barcos, automóveis particulares, serviços ferroviários da CFM e o sistema multimodal Famba na região de Maputo. Os prestadores de transporte e os mecanismos municipais variam consoante o local. Os preços de combustível da ARENE a partir de 7 de maio de 2026 indicavam gasolina a MZN 93,69 por litro, gasóleo a MZN 116,25, querosene de iluminação a MZN 97,56 por litro, GPL a MZN 87,82 por quilograma e gás natural comprimido a MZN 52,73 por litro equivalente. As zonas tarifárias publicadas pela CFM-Sul para a terceira classe indicam MZN 13, 20, 35 e 50, mas a página tarifária baseia-se em 2021 e deve ser confirmada antes de ser utilizada. Um boletim de Maputo de 2024 indicava MZN 19 para viagens até 10 quilómetros e MZN 22 para mais de 10 quilómetros, com um subsídio de MZN 7; estes valores não devem ser tratados como tarifa nacional atual. As provas disponíveis não permitiram confirmar o preço atual de uma viagem simples no Famba. Um relatório do INSS descreve os cuidados de saúde públicos como geralmente gratuitos, mas um agregado pode continuar a pagar medicamentos, exames de diagnóstico, tratamento privado, transporte, alimentação durante o tratamento e cuidados a uma pessoa impossibilitada de trabalhar. Uma doença rara ou grave pode gerar uma despesa muito superior aos MZN 40 por agregado registados para saúde no inquérito de 2022. O apoio contributivo por doença através do INSS exige pelo menos seis meses de contribuições nos doze meses anteriores e vinte dias de contribuição nos dois meses mais recentes. Esse apoio não equivale a um pagamento universal e não elimina todos os custos de tratamento ou do agregado. Os custos de educação dependem do nível e do prestador. O ensino primário público não cobra propinas, mas as famílias podem pagar uniformes, materiais, transporte, refeições e, quando aplicável, internamento. O ensino secundário, o ensino técnico, os internatos, as escolas privadas e o ensino superior podem implicar taxas. Uma bolsa completa da Universidade Eduardo Mondlane pode cobrir alojamento, alimentação, assistência médica e medicamentos, despesas correntes e propinas, de acordo com as condições aplicáveis. Por isso, a percentagem de 2022 para educação subestima o encargo dos agregados com várias crianças, necessidade de internato ou despesas de ensino privado ou superior. Os custos familiares não são registados como categoria nacional separada no inquérito ao orçamento familiar. O cuidado de crianças, idosos ou pessoas com deficiência é assegurado em grande medida pelos agregados e pelas comunidades, e não foi identificada uma estrutura nacional de preços amplamente aplicável para cuidados infantis ou de idosos. O Instituto Nacional de Ação Social, o INAS, gere programas direcionados, incluindo PSSB, PASP, PASD e PAUS. As metas de programa indicadas para 2025 eram de 786.916 beneficiários do PSSB, 90.224 do PASD e 180.225 do PASP. Uma prestação para crianças em distritos abrangidos foi descrita como sendo de aproximadamente MZN 540 por mês, paga trimestralmente. O acesso depende de critérios de pobreza ou vulnerabilidade e não de elegibilidade universal. O INSS também abrange prestações contributivas, como subsídios por doença, maternidade, paternidade, morte e funeral, pensões de sobrevivência e pensões de velhice ou invalidez. Uma reforma de 2024 prevê 90 dias de licença de maternidade. Estes programas podem reduzir encargos específicos do agregado, mas não devem ser contabilizados como rendimento garantido sem confirmar a elegibilidade e as condições atuais de pagamento. As despesas de comunicações incluem normalmente saldo ou dados pré-pagos, cartão SIM, dispositivo, carregamento e, por vezes, acesso partilhado ou dinheiro móvel. Os serviços pré-pagos são predominantes. Um inquérito de 2022 registou a utilização da Movitel por 72% dos inquiridos rurais e da Vodacom por 59% dos inquiridos urbanos. A entidade reguladora das comunicações exige o registo dos cartões SIM. Os preços dos pacotes dependem da empresa, do serviço, da promoção e da data; por isso, um valor fixo nacional para comunicações ficaria rapidamente desatualizado. Também não existe uma tabela oficial nacional de preços para lazer. As zonas urbanas oferecem geralmente mais atividades pagas de desporto, cultura, hotelaria e turismo, enquanto as zonas rurais podem depender mais de atividades gratuitas públicas, comunitárias ou familiares. O inquérito de 2022 registou MZN 173 por agregado familiar por mês para lazer, mas a despesa efetiva é facultativa e específica do local. Um orçamento doméstico prático deve separar custos fixos, custos variáveis e reservas para imprevistos. Os encargos fixos ou recorrentes incluem normalmente a renda, os serviços básicos, as telecomunicações, os pagamentos escolares e os transportes regulares. Os custos variáveis incluem alimentação, combustível, medicamentos, cuidados privados, materiais de educação e lazer. O modelo deve registar a dimensão do agregado, as pessoas a cargo, a província ou cidade, o regime habitacional, a origem dos alimentos, o acesso à eletricidade e à água, a organização escolar e a distância das deslocações. Deve também reservar dinheiro para ciclones, cheias, perturbações relacionadas com conflitos, doença, reparações e necessidades súbitas de transporte. Os salários mínimos são uma referência para comparar rendimentos, não uma medida dos custos de vida. A partir de 1 de abril de 2026, os salários mínimos mensais indicados eram MZN 7.072,00 para a agricultura, MZN 7.063,22 para a pesca, MZN 10.845,00 para os serviços não financeiros e MZN 20.361,43 para as finanças e seguros. O orçamento deve ser revisto com dados mensais dos preços no consumidor, tarifas atuais da ARENE para eletricidade e combustíveis e preços semanais de alimentos do SIMA ou do ICM. As provas relativas a rendas, cuidados de saúde privados, cuidados infantis, lazer e preços de vendedores informais continuam limitadas ou fragmentadas; estes itens exigem cotações locais ou registo das despesas reais, e não uma média nacional.
Custos em Moçambique
Os custos domésticos em Moçambique variam muito entre Maputo e Matola, outros centros urbanos, distritos e zonas rurais. Um inquérito do orçamento familiar do INE, de 2022, registou uma despesa média de MZN 8.661 por agregado familiar por mês, ou MZN 1.893 por pessoa. A alimentação foi a maior categoria, seguida da habitação e dos serviços básicos, dos transportes e das comunicações. Um orçamento útil também deve prever variações sazonais nos custos de alimentação e transporte, acesso desigual a serviços e despesas súbitas relacionadas com saúde, fenómenos meteorológicos ou conflitos.
Dica
Elabore o orçamento com base no agregado, localidade e acesso a serviços reais, e não na média nacional. Garanta primeiro habitação, alimentação, transportes, serviços básicos e reservas para a saúde; depois, acrescente educação, comunicações e lazer conforme a utilização real. Trate os subsídios, as bolsas e os valores antigos de tarifas de transporte como condicionais ou históricos até confirmar a sua aplicabilidade atual.

