O panorama da dívida na Mauritânia inclui empréstimos públicos, crédito privado, atrasos, cobrança e insolvência empresarial. A Direção da Dívida Pública (Direction de la dette publique), no Ministério das Finanças, lidera a gestão da dívida pública, com apoio do Banco Central da Mauritânia (Banque Centrale de Mauritanie) e da Direção-Geral do Tesouro e da Contabilidade Pública (Direction Générale du Trésor et de la Comptabilité Publique) na recolha e reconciliação de dados. O Comité Nacional da Dívida Pública (Comité National de la Dette Publique) contribui para a estratégia e supervisão. Um boletim oficial de meados de 2025 registou dívida pública de cerca de 191.000,18 milhões de MRU, dos quais 84% eram dívida externa e 16% dívida interna. A dívida externa era de cerca de 161.392,66 milhões de MRU, repartida entre credores multilaterais e bilaterais; a dívida interna era de cerca de 29.607,52 milhões de MRU, constituída sobretudo por títulos do Tesouro e um crédito do Banco Central da Mauritânia. Uma avaliação do FMI no final de 2025 situou a dívida pública em cerca de 39,2% do PIB e a dívida externa em cerca de 32,7% do PIB, com risco global moderado de sobre-endividamento segundo o cenário de referência. Alterações nos preços de exportação, secas, cheias, exposição cambial, choques de segurança e necessidades de refinanciamento interno podem afetar a dívida pública. Cerca de 48,46% da dívida interna tinha vencimento para refinanciamento em 2026 e cerca de 84% da carteira total estava exposta a variações cambiais. Por isso, a estratégia 2026–2028 dá prioridade a financiamento externo concessional ou semiconcessional e prazos internos mais longos. O crédito privado está disponível através de cerca de 18 bancos, aproximadamente 34 instituições de microfinanças, leasing, crédito comercial ou de fornecedores e empréstimos garantidos. As instituições de microfinanças atendem uma ampla base de clientes por uma rede de serviços limitada, enquanto três operadores de dinheiro móvel apoiam sobretudo pagamentos e remessas, sem que estejam documentados como equivalente direto de empréstimo. O crédito ao setor privado é pouco profundo em comparação com muitos outros mercados, e o crédito formal permanece limitado, sobretudo fora dos principais centros urbanos. Um acordo escrito deve indicar capital, juros, taxas, vencimento, prestações, garantias reais e garantias pessoais. O acesso depende da avaliação do credor, documentação, capacidade de reembolso, garantias e localização. Não foi identificada uma taxa máxima nacional verificada para crédito ao consumidor nem um teste padronizado de capacidade de pagamento. Família e amigos, credores privados, comerciantes, redes comunitárias e compras de alimentos a crédito também fornecem liquidez, mas os juros, garantias, prazos e força executória variam. Comprovativos escritos do montante devido, recibos e registos de pagamento são particularmente valiosos em acordos informais. Em geral, o mutuário tem de cumprir o calendário de pagamento acordado. Quando o reembolso se torna difícil, contactar o credor cedo pode permitir pedir reescalonamento, reestruturação ou acordo. Guarde o contrato, extratos de conta, comprovativos de pagamento, notificações e correspondência. Um credor pode procurar pagamento amigável, recuperação judicial, execução de garantias ou outras medidas legais. A Mauritânia tem um regime especial de recuperação para créditos de bancos e instituições financeiras, mas o texto atualmente em vigor e os prazos detalhados de cada fase exigem confirmação caso a caso. Existem tribunais comerciais em Nouakchott e Nouadhibou e secções comerciais nos tribunais das wilayas. O acesso aos tribunais concentra-se nos principais centros urbanos. O Código Comercial reconhece apreensão, reclamações de credores, garantias e execução judicial. O Ministério da Justiça comunicou uma reforma em 2020 que eliminou ou limitou a prisão por dívidas civis e comerciais, mas o texto consolidado atual deve ser verificado antes de confiar nessa posição. A insolvência empresarial difere da dívida pessoal comum. Em geral, uma entidade comercial que se encontre em cessação de pagamentos — incapaz de pagar dívidas vencidas — tem de declarar a situação no prazo de 30 dias. Um Tribunal de Comércio pode ordenar recuperação judicial (redressement judiciaire) quando a continuação ou um acordo, como um plano aprovado com os credores, continuar a ser possível. Pode ordenar liquidação judicial (liquidation judiciaire) quando a situação estiver irremediavelmente comprometida. O tribunal nomeia um juiz comissário (juge-commissaire) e um administrador judicial (syndic) para supervisionar o processo, verificar créditos e administrar os atos relevantes. A liquidação retira ao devedor o controlo da administração e alienação de bens. Gestores responsáveis podem enfrentar proibições comerciais ou de funções públicas de três a dez anos nos casos abrangidos pelas regras aplicáveis. Um fiador ou codevedor pode continuar exposto mesmo quando o mutuário principal negocia ou inicia processo de insolvência. Após acordo ou pagamento, obtenha uma declaração escrita de quitação, extrato de conta atualizado e, quando aplicável, prova de que as garantias foram libertadas ou removidas do registo. Confirme separadamente que não subsiste obrigação de fiador, responsabilidade de codevedor ou medida de execução. Não foi identificado um procedimento nacional de reabilitação do histórico de crédito nem um processo de novo começo.
Dívida na Mauritânia
Na Mauritânia, dívida é dinheiro ou outra prestação devida ao abrigo de um empréstimo, acordo de crédito, conta por pagar ou obrigação semelhante. A dívida pública é formalmente documentada, enquanto a dívida de agregados familiares e pequenas empresas é mais fragmentada e muitas vezes informal. Bancos, instituições de microfinanças, empresas de leasing e comerciantes oferecem crédito formal, mas o acesso, os custos e as salvaguardas variam. Não foi identificada na Mauritânia uma quitação nacional de insolvência pessoal, serviço unificado de aconselhamento sobre dívidas ou plano legal de alívio da dívida do consumidor.
Dica
Trate o empréstimo na Mauritânia como um compromisso de reembolso documentado, e não apenas como acesso a dinheiro. Compare o encargo total de reembolso, as garantias reais e a exposição de fiadores antes de aceitar crédito; contacte o credor assim que o pagamento se tornar difícil. A dívida empresarial exige uma resposta mais rápida, pois podem aplicar-se deveres de insolvência e processos judiciais.

