As visitas árabes, suaílis e austronésias são referidas localmente, mas não foi confirmado um povoamento permanente anterior à presença europeia. Mapas portugueses mostravam as ilhas em 1502, e a Companhia Inglesa das Índias Orientais registou o primeiro desembarque em 1609. Lazare Picault explorou as ilhas em 1742 e 1744. Nicolas Morphey reivindicou-as para Luís XV em 1 de novembro de 1756, e o nome Sechelles referia-se a Jean Moreau de Séchelles. A França estabeleceu a primeira colónia em Ste Anne em 1770 e L'Établissement du Roi em Mahé em 1778. Em 1841, a colónia passou a chamar-se Victoria. As plantações francesas, também chamadas habitations, empregavam africanos escravizados, malgaxes e outros grupos. Em 1804, a população ultrapassava 3.500 pessoas, mais de 3.000 das quais estavam escravizadas. O Code Noir tratava as pessoas escravizadas como propriedade e negava-lhes o direito de possuir bens, herdar, celebrar contratos e apresentar queixas em tribunal. A abolição legal ocorreu em 1835, mas o trabalho forçado continuou em algumas ilhas exteriores. Após a abolição, seguiram-se o sistema de mwatye e um regime de aprendizagem ou servidão de quatro anos. Ao longo de 37 anos, a Marinha Real Britânica levou mais de 2.800 africanos libertados para as Seicheles. As terras não foram redistribuídas após a abolição, o que contribuiu para perpetuar desigualdades de classe, raça e propriedade. Venn's Town foi criada em 1875 como missão e povoação escolar para filhos de africanos libertados; tornou-se monumento nacional em 1984 e foi incluída na Lista Indicativa da UNESCO em 2013. A Grã-Bretanha assumiu o controlo em 1811, confirmado pelo Tratado de Paris de 1814. As Seicheles permaneceram dependentes das Maurícias até 1903, quando se tornaram colónia da Coroa. Existia um Conselho de Comissários Civis desde 1872, seguido por Conselhos Executivo e Legislativo em 1888. As exportações incluíam baunilha, óleo de coco, copra e carapaças de tartaruga. As redes comerciais indianas e de outras partes da Ásia cresceram a partir da década de 1880. Em 1948, apenas cerca de 2.000 pessoas, aproximadamente 9% da população, podiam votar, devido às restrições de propriedade e educação. As igrejas desempenharam um papel importante no desenvolvimento da escolaridade. A memória histórica desenvolveu-se segundo perspetivas concorrentes: uma dava destaque à sociedade dos colonos franceses e outra às comunidades escravizadas e libertadas. A política partidária expandiu-se a partir de 1959. O Seychelles People's United Party, liderado por France Albert René, competia com o Seychelles Democratic Party, liderado por James Mancham. Houve greves em 1964, 1966 e 1970. Em 1974, a Assembleia Legislativa apoiou uma moção de independência e um governo de coligação introduziu o autogoverno interno em 1975. As Seicheles tornaram-se independentes da Grã-Bretanha em 29 de junho de 1976, com James Mancham como presidente e France Albert René como primeiro-ministro. Um golpe em 5 de junho de 1977 levou o governo de René ao poder. O poder legislativo esteve suspenso de 1977 a 1979, e a Constituição de 1979 criou um sistema de partido único sob a Seychelles People's Progressive Front (SPPF). Mais tarde, a Comissão da Verdade, Reconciliação e Unidade Nacional (TRNUC) documentou a repressão política e as violações dos direitos humanos durante os 16 anos de regime autoritário. As Seicheles regressaram a um sistema multipartidário em dezembro de 1991. Uma Comissão Constitucional elaborou um primeiro projeto em novembro de 1992, mas este não obteve a maioria exigida de 60%. Um referendo em 18 de junho de 1993 aprovou a Constituição da Terceira República. As fontes divergem quanto ao resultado: a TRNUC regista 71,9%, enquanto a State House regista 73,9%. René venceu as eleições presidenciais de 23 de julho de 1993 com 59,5%, e a SPPF conquistou 81% dos lugares eleitos por votação direta e proporcional. A Terceira República estabeleceu a separação de poderes, o Estado de direito, direitos fundamentais, um Provedor de Justiça e outros órgãos de supervisão. A SPPF e os partidos que lhe sucederam mantiveram o poder legislativo até 2016 e o executivo até 25 de outubro de 2020. James Alix Michel sucedeu a René em 2004, a SPPF tornou-se Parti Lepep em 2009 e Michel venceu por margem estreita a segunda volta das presidenciais de 2015. Em 2016, o Linyon Demokratik Seselwa conquistou 15 lugares parlamentares contra 10 do United Seychelles. Em 28 de outubro de 2020, o Linyon Demokratik Seselwa obteve a maioria parlamentar e Wavel Ramkalawan tornou-se presidente. Patrick Herminie, do United Seychelles, venceu a segunda volta presidencial em 2025 e tomou posse em 26 de outubro de 2025, concretizando uma transferência pacífica de poder. O Museu Nacional de História, em Victoria, apresenta mapas, a Pedra da Posse e outros objetos; o museu surgiu dos Arquivos Nacionais em 1965. Os Arquivos Nacionais das Seicheles recolhem, preservam e disponibilizam registos históricos ao abrigo da Lei dos Arquivos Nacionais e da Lei do Instituto Nacional das Seicheles para a Cultura, o Património e as Artes de 2021. Registos parlamentares, documentos constitucionais, materiais da State House e registos da Comissão Eleitoral ajudam a documentar a mudança política. A TRNUC foi criada pela Lei da TRNUC de 2018, funcionou de 2019 a 2023 e analisou 375 queixas, incluindo casos posteriores a 1993; o seu mandato terminou em 31 de março de 2023. As suas conclusões divergem das narrativas oficiais que salientam a independência, a estabilidade e a unidade nacional. Em 2026, um projeto de lei do Conselho de Ministros propôs medidas de seguimento que incluem acompanhamento da implementação, um fundo fiduciário de reparações, um repositório nacional e educação em história e direitos humanos. A memória pública inclui o Dia da Abolição da Escravatura, a 1 de fevereiro, o Dia da Constituição, a 18 de junho, e o Dia da Independência, a 29 de junho. Venn's Town, o Museu Nacional de História e os fundos de arquivo apoiam a investigação em Victoria e em Mahé, enquanto Praslin, La Digue, Ste Anne, Silhouette e as ilhas exteriores têm locais e experiências históricas próprios. A Fundação das Ilhas das Seicheles gere Aldabra, Património Mundial desde 1982, e Vallée de Mai, inscrita desde 1983; a sua relevância histórica diz respeito à proteção do património e à memória pública, não a um relato separado de história natural. O Museu Nacional de História cobra Rs25 a visitantes seichelenses com 12 ou mais anos e Rs150 a visitantes não seichelenses da mesma idade; crianças dos 0 aos 11 anos entram gratuitamente. Está aberto à segunda-feira das 09:30 às 12:30, de terça a sexta-feira das 09:30 às 12:00 e das 13:00 às 16:30, e ao sábado das 09:30 às 12:30. Fecha aos domingos e feriados. A página de informação citada não publica as taxas nem os tempos de processamento dos arquivos.
História das Seicheles
A história das Seicheles passou de um arquipélago em grande parte desabitado a uma colónia francesa e britânica e, depois, a uma república independente. Não há provas confirmadas de povoamento indígena permanente nem de um Estado local pré-colonial; há mapas portugueses datados de 1502 e o primeiro desembarque registado ocorreu em 1609. A colonização francesa, iniciada em 1770, baseou-se em plantações e trabalho escravizado, enquanto o domínio britânico, a independência em 1976, o golpe de 1977 e as posteriores mudanças constitucionais moldaram o Estado moderno. Museus, arquivos, registos públicos e iniciativas de memória preservam diferentes perspetivas sobre a escravatura, o domínio colonial, a repressão política e a identidade nacional.
Dica
Aborde a história das Seicheles como uma investigação baseada em fontes, e não como uma única narrativa nacional. Escolha o Museu Nacional para uma perspetiva material geral, os Arquivos Nacionais e os registos públicos para pesquisa documental e os materiais da TRNUC para estudar a repressão política. Compare perspetivas, identifique a ilha e o período em causa e relacione escravatura, terra, trabalho e poder político nas suas notas.

