O Iémen não dispõe de um único serviço nacional para a convivência quotidiana. Conselhos Locais, comités de desenvolvimento de subdistrito, Conselhos Cooperativos de Aldeia, Comités Comunitários Locais e iniciativas de auto-organização comunitária podem coordenar serviços, infraestruturas, recursos, diálogo e riscos locais. Estes órgãos não equivalem a um gabinete de bairro nacional e permanente. Alguns estão ligados a projetos ou a distritos específicos; por exemplo, 49 comités de desenvolvimento de subdistrito funcionaram em cinco províncias num contexto do ERRYJP-III. Os comités das comunidades de acolhimento e dos locais de pessoas deslocadas internamente também apoiam a comunicação, a auto-organização e a coesão social, mas o seu trabalho depende do local, do financiamento, da segurança e das autoridades responsáveis. Na prática, a administração formal está dividida entre o Governo Internacionalmente Reconhecido no sul, incluindo Áden, e autoridades de facto no norte, incluindo Saná. As regras, o acesso e os riscos podem, por isso, mudar de província para província e de distrito para distrito. Os Conselhos Locais, a polícia, os procuradores e os tribunais podem ter alcances práticos diferentes, enquanto xeques, líderes comunitários e outras figuras influentes ajudam frequentemente a resolver disputas locais. Um acordo local pode ajudar a resolver um problema prático, mas não proporciona automaticamente as garantias legais de uma autoridade formal. A realização pacífica de reuniões é regulada formalmente pela Lei n.º 29/2003, relativa a manifestações e marchas. Cidadãos, partidos, organizações de massas e sindicatos têm de apresentar uma notificação escrita à autoridade de segurança competente pelo menos três dias antes da reunião planeada. A notificação indica a data, a hora, o local, o percurso planeado, o objetivo, as palavras de ordem e os organizadores. Por razões de segurança, a autoridade pode adiar a hora ou alterar o percurso planeado até 24 horas. Pode ser apresentada uma reclamação no prazo de 24 horas, e o tribunal deve decidir no prazo de 72 horas. São proibidas armas e explosivos. Na prática, o conflito, o controlo dividido, a repressão e a situação de segurança podem restringir gravemente estes direitos; por isso, é necessário verificar a aprovação local e as condições de segurança antes de utilizar um espaço público. As disputas comunitárias dizem frequentemente respeito à escassez de serviços e recursos, estradas, água, educação, cuidados de saúde, terrenos ou direitos de utilização, assuntos familiares, dívidas e outros desacordos civis. Uma disputa pode passar do diálogo comunitário para a mediação ou arbitragem e, quando adequado, para processos policiais ou judiciais. Os Comités de Mediação Comunitária são órgãos locais ou ligados a projetos, não uma alternativa nacional ao sistema formal de justiça. Num programa documentado, seis comités deste tipo funcionaram em seis distritos de Áden; prestaram aconselhamento jurídico a 1.296 detidos em prisão preventiva e ajudaram a resolver 138 casos civis ou de infrações menores através de mediação e libertação. A mediação informal por membros dos Conselhos Locais, figuras comunitárias ou xeques pode ser acessível, mas exige uma avaliação cuidadosa dos desequilíbrios de poder, da desigualdade de género, da pressão sobre os participantes e da proteção das pessoas vulneráveis. Os Muhamasheen, as pessoas deslocadas internamente, os refugiados e requerentes de asilo, os migrantes — principalmente da Etiópia e da Somália —, as mulheres e raparigas, as crianças, as pessoas idosas e as pessoas com deficiência podem enfrentar obstáculos específicos ao trabalho, à obtenção de documentos, à habitação ou aos serviços nos locais, à água, à educação e à assistência. Não foi identificado no Iémen um mecanismo nacional fiável de acesso para resolver problemas de discriminação. Os mecanismos locais de proteção e encaminhamento podem envolver a OIM, o ACNUR, o PNUD, a UNICEF ou organizações parceiras, mas o acesso depende da localização, da documentação, da segurança e da capacidade disponível. Os migrantes podem ficar fora dos sistemas locais de proteção e apoio com maior frequência do que outros grupos. As estradas públicas, os mercados, as escolas, as unidades de saúde, os locais de pessoas deslocadas internamente e os centros comunitários são espaços partilhados importantes. Os postos de controlo, os restos explosivos de guerra e as minas, as inundações, as infraestruturas danificadas, a violência de género e o assédio podem limitar a sua utilização segura. A UNICEF e o YEMAC promovem a mensagem de segurança SAWR: Stop, Avoid, Warn, Report (Parar, Evitar, Avisar, Comunicar). Os espaços adaptados às crianças, o apoio psicossocial e as plataformas comunitárias podem proporcionar alternativas mais seguras quando o acesso normal a espaços públicos não é seguro, mas não eliminam a necessidade de seguir as instruções de segurança locais. Segundo a investigação fornecida, mais de 1,6 milhões de pessoas deslocadas vivem em mais de 1.900 locais não planeados ou semelhantes a campos. Os serviços nesses locais dependem, por isso, da coordenação entre as comunidades deslocadas e de acolhimento, da capacidade de água, saneamento e higiene (WASH) e de proteção, da documentação, dos recursos e das autoridades locais. A sobrelotação, as falhas nos serviços, a pressão sobre as rendas e o risco de despejo podem gerar tensões; a legislação detalhada sobre arrendamento e habitação pertence ao tema da habitação, e não a este tema. Não há documentação de um serviço nacional de civilidade ou mediação para a convivência digital. A conectividade móvel, as aplicações de mensagens, as redes sociais e a atividade cívica em linha proporcionam canais funcionais, mas o acesso é desigual; em 2023, havia 34,3 subscrições de banda larga móvel por cada 100 pessoas. A vigilância, o bloqueio, a pressão e a autocensura, sobretudo em zonas controladas por autoridades de facto, podem tornar arriscada a participação digital. Os direitos formais à reunião pacífica, à associação, à expressão e à participação nos assuntos públicos não garantem proteção igual, liberdade de circulação ou a mesma qualidade de serviços em todos os distritos. Os custos práticos podem incluir transporte, documentos, comunicações, perda de trabalho e alojamento seguro; não foi possível confirmar de forma fiável taxas diretas para notificações de reuniões ou mediação local. Os serviços comunitários e humanitários também podem diminuir quando há lacunas de financiamento. Quem organizar um evento, procurar mediação ou pedir assistência deve identificar a autoridade que exerce o controlo, verificar as condições locais de acesso e segurança, documentar o problema e recorrer a uma via formal de proteção ou jurídica quando a pressão informal possa expor alguém a danos.
Convivência no Iémen
A convivência quotidiana no Iémen é moldada pela legislação formal, pelas autoridades locais e por acordos comunitários, e não por um único sistema nacional. O acesso a serviços, espaços públicos, mediação e participação cívica varia entre províncias e distritos, incluindo as zonas administradas pelo Governo Internacionalmente Reconhecido e as zonas controladas por autoridades de facto. O conflito, a deslocação, a discriminação, os restos explosivos de guerra e as condições de segurança desiguais afetam profundamente a forma como as pessoas partilham bairros e espaços públicos.
Dica
Considere a convivência quotidiana no Iémen como uma decisão local, dependente da segurança, e não como um serviço nacional. Antes de utilizar um espaço público, procurar mediação ou pedir assistência, identifique a autoridade que exerce o controlo, confirme as condições de acesso atuais e escolha a via segura mais viável. Dê prioridade à proteção e às vias jurídicas formais quando a influência informal, a discriminação ou a desigualdade de poder possam expor alguém a danos.

