A Planície Costeira Baixa cobre cerca de 9 120 quilómetros quadrados e situa-se, em alguns pontos, aproximadamente 1–3 metros abaixo do nível médio do mar. Inclui cerca de 440 quilómetros de costa atlântica, mangais, lodaçais, estuários e florestas pantanosas. A Região Ondulada de Areia e Argila cobre cerca de 28 920 quilómetros quadrados e contém floresta de areia branca, floresta de wallaba e dakama, matagal e savana. A Floresta do Interior cobre cerca de 156 450 quilómetros quadrados, ou aproximadamente 73% da Guiana, e integra o Escudo das Guianas e a paisagem mais ampla ligada à Amazónia. A Savana do Rupununi inclui as savanas norte e sul, as Montanhas Kanuku, zonas húmidas, pradarias, matagal e árvores de pequeno porte. A Guiana tem cerca de 18 milhões de hectares de floresta natural. O Ministério dos Recursos Naturais (Ministry of Natural Resources) informou que mais de 99% da área florestal continua intacta. As florestas regulam a água, armazenam carbono, sustentam a biodiversidade, fornecem produtos florestais não madeireiros e apoiam atividades culturais e económicas. A Comissão Florestal da Guiana (Guyana Forestry Commission) utiliza inventários florestais, sistemas de informação geográfica e sistemas de monitorização, comunicação e verificação para decisões sobre zoneamento, conservação e utilização de madeira, mineração e outros recursos. O Sistema Nacional de Áreas Protegidas (National Protected Areas System, NPAS) inclui o Parque Nacional Kaieteur (Kaieteur National Park), Iwokrama, a Área Protegida de Shell Beach (Shell Beach Protected Area), a Área Protegida das Montanhas Kanuku (Kanuku Mountains Protected Area), a Área Protegida Ameríndia de Kanashen (Kanashen Amerindian Protected Area) e quatro parques urbanos. O Parque Nacional Kaieteur abrange 62 700 hectares, foi criado em 1929 e protege as Cataratas Kaieteur, as Terras Altas de Pakaraima e espécies associadas ao Escudo das Guianas. Iwokrama cobre 371 000 hectares e funciona desde 1996 ao abrigo da Lei Iwokrama (Iwokrama Act), através do Centro Internacional de Iwokrama (Iwokrama International Centre) e de um conselho internacional. Combina silvicultura sustentável, investigação, turismo e interesses comunitários ligados aos Makushi. A Área Protegida de Shell Beach abrange 123 055 hectares ao longo de cerca de 120 quilómetros de costa e protege extensos habitats de mangal e praia. A Área Protegida das Montanhas Kanuku abrange 611 000 hectares de floresta, savana, zonas húmidas e habitats mistos. A Área Protegida Ameríndia de Kanashen cobre cerca de 648 000 hectares e é gerida pelo Conselho da Aldeia de Kanashen (Kanashen Village Council) como uma área de conservação comunitária Wai Wai. A Comissão de Áreas Protegidas (Protected Areas Commission) gere diretamente Kaieteur, Shell Beach, as Montanhas Kanuku e os parques urbanos; o Centro Internacional de Iwokrama gere Iwokrama e o Conselho da Aldeia de Kanashen gere Kanashen com apoio técnico da Comissão. O plano de gestão da Comissão de Áreas Protegidas para 2024–2028 regista cerca de 1 816 391 hectares de áreas formais de conservação, aproximadamente 8,5% da Guiana. Muitas áreas protegidas seguem princípios da Categoria VI da IUCN, que permitem conciliar conservação e utilização sustentável controlada. As atividades permitidas são determinadas pela Lei das Áreas Protegidas de 2011 (Protected Areas Act 2011), pelos planos de gestão e pelas decisões locais. O enquadramento jurídico de Kaieteur protege a utilização tradicional indígena, sujeita às respetivas regras de gestão. Kanashen combina direitos territoriais indígenas, um título absoluto desde 2004 e acordos de conservação comunitária criados ao abrigo da Lei Ameríndia de 2006 (Amerindian Act 2006). As florestas e zonas húmidas da Guiana sustentam onças-pintadas, pumas, águias-harpia, tamanduás-gigantes, lontras-gigantes, jacarés-pretos, peixes-boi, golfinhos de rio e muitas outras espécies. Iwokrama regista mais de 500 espécies de aves. Shell Beach proporciona locais de nidificação a tartarugas-de-couro, tartarugas-de-pente, tartarugas-oliva e tartarugas-verdes, com a nidificação geralmente entre fevereiro e agosto. A Comissão de Conservação e Gestão da Vida Selvagem da Guiana (Guyana Wildlife Conservation and Management Commission) regula as espécies protegidas, a investigação sobre vida selvagem, a monitorização, o resgate, a libertação e o comércio abrangido pela CITES. Capturar, caçar ou matar espécies protegidas pode constituir crime. A utilização de animais selvagens pode exigir uma licença nacional, como licença de captura, comercial, de recolha, recreativa, para animais selvagens em cativeiro ou licença especial. As candidaturas exigem normalmente identificação ou passaporte, fotografias e número de identificação fiscal. Os caçadores recreativos também precisam de licença de armas de fogo. Em certos casos, utilizadores registados podem obter licenças através de conselhos de aldeias indígenas. A Comissão define quotas e zonas de captura, e os períodos de defeso de 2026 incluem os íbis de 1 de janeiro a 31 de agosto, os psitacídeos de 1 de dezembro a 31 de maio e os patos de 1 de abril a 30 de setembro. As taxas publicadas variam aproximadamente entre GY$10 000 e GY$100 000 para captura, GY$20 000 e GY$200 000 para uso comercial e GY$50 000 e GY$300 000 para uso recreativo. O calendário atual das espécies e as taxas devem ser confirmados antes da candidatura. O comércio internacional de vida selvagem pode exigir uma licença comercial de importação ou exportação, uma licença para instalações de detenção e uma autorização ou certificado de transação. A utilização tradicional em torno das áreas protegidas inclui caça, pesca, agricultura, recolha e obtenção de produtos florestais não madeireiros. A atividade florestal nas Florestas Estatais exige autorização da Comissão Florestal da Guiana (Guyana Forestry Commission). Grandes concessões podem abranger mais de 8 097 hectares ao abrigo de um contrato de concessão florestal, contrato de venda de madeira ou licença de corte de madeira, geralmente por até 40 anos e com renovação condicional. Concessões menores, até 8 097 hectares, podem usar uma Autorização Florestal Estatal (State Forest Permission) ou um Acordo de Gestão Florestal Comunitária (Community Forest Management Agreement), geralmente por até três anos. A Licença Exploratória Florestal Estatal (State Forest Exploratory Permit) também tem normalmente o limite de três anos. Projetos que possam afetar o ambiente, incluindo extração de recursos, construção, indústria e investigação sobre biodiversidade, podem exigir uma Autorização Ambiental ou Licença Ambiental da Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency). A mineração é regulada pela Comissão de Geologia e Minas da Guiana (Guyana Geology and Mines Commission) ao abrigo da Lei de Minas de 1989 (Mining Act 1989) e pode também exigir uma avaliação ambiental. A combinação de mineração, infraestruturas, exploração madeireira, sobrepesca, comércio de carne de caça e recolha ilegal pode danificar florestas, rios e vida selvagem. As avaliações oficiais identificam a mineração de ouro como um dos principais fatores de desflorestação, degradação dos solos e perda de biodiversidade. A exploração mineral comercial não é permitida na Área Protegida das Montanhas Kanuku segundo as disposições que a regem. O acesso a áreas naturais remotas depende frequentemente do local, de uma comunidade local, de um prestador aprovado e de um guia. A deslocação pode exigir transporte rodoviário, barcos ou aeronaves, e não foi estabelecida de forma fiável uma taxa de entrada nacional única para todas as áreas protegidas. As Cataratas Kaieteur, o alojamento fluvial de Iwokrama, os trilhos e o centro de investigação, o Rupununi e a paisagem de tartarugas e mangais de Shell Beach são locais estabelecidos de turismo de natureza. A observação de tartarugas é sazonal e rege-se pelas regras locais. Os visitantes devem seguir as instruções das áreas protegidas e respeitar os locais culturais e sagrados. Kaieteur também exclui desportos radicais e atividades consideradas incompatíveis com os costumes Patamona. As condições naturais criam riscos distintos em diferentes partes da Guiana. As zonas costeiras enfrentam subida do nível do mar, marés de tempestade, erosão, intrusão de água salgada e perda de mangais, estuários e praias. Os rios e as terras baixas podem sofrer cheias sazonais ou fluviais e alterações da qualidade da água. As zonas interiores enfrentam seca, calor, incêndios de savana, degradação de habitats e mortalidade ou deslocação da vida selvagem. Chuvas intensas podem causar erosão, deslizamentos e sedimentação. A mineração pode alterar o caudal dos rios e aumentar o lodo, a contaminação por metais pesados e o ruído. O Serviço Hidrometeorológico (Hydrometeorological Service), a Agência de Proteção Ambiental, a Comissão de Áreas Protegidas, a Comissão de Conservação e Gestão da Vida Selvagem e a Comissão Florestal monitorizam diferentes aspetos destes riscos. A educação ambiental é oferecida através de escolas formais, ações de sensibilização das áreas protegidas, campos e programas comunitários. O currículo educativo ambiental de 2026 para a Gestão Sustentável da Vida Selvagem da Comissão de Conservação e Gestão da Vida Selvagem (Sustainable Wildlife Management environmental education curriculum) começou em cinco escolas nas Regiões 4 e 6 e abrange plantas nativas, vida selvagem, habitats, cursos de água, agricultura, pesca e cultura costeira. Um modelo na Região 9 atende crianças com mais de sete anos. A Comissão de Áreas Protegidas organiza o Zoo Camp para idades dos 6 aos 14 anos, campos de natureza e ações escolares, enquanto Iwokrama oferece aprendizagem sobre trabalho de guarda-florestal, orientação, gestão participativa de recursos comunitários e gestão de áreas protegidas.
Natureza na Guiana
A Guiana possui quatro grandes regiões naturais, incluindo a planície costeira, a região ondulada de areia e argila, a floresta do interior e a savana do Rupununi. A floresta cobre cerca de 85–87% do país, enquanto rios, zonas húmidas, mangais, savanas e o Escudo das Guianas sustentam elevada biodiversidade e endemismo. O Sistema Nacional de Áreas Protegidas (National Protected Areas System, NPAS) protege determinadas paisagens através de gestão estatal, internacional, indígena e comunitária. A caça, a pesca, a atividade florestal, a mineração, o turismo e a conservação são regidos por regras, autorizações e planos de gestão específicos para cada local.
Dica
Trate um plano de contacto com a natureza na Guiana como uma decisão sobre local e atividade, e não como uma questão única de acesso nacional. Escolha primeiro a paisagem e o organismo gestor; depois, ajuste o plano ao guia, licença, autorização, época e transporte necessários. Não assuma compromissos com utilização de vida selvagem, silvicultura, mineração ou investigação antes de confirmar por escrito as aprovações e restrições locais.

