A Constituição protege a igualdade perante a lei, os direitos iguais das mulheres e dos homens e os direitos iguais das crianças, independentemente do estado civil dos seus pais. Pessoas singulares e coletivas têm capacidade jurídica civil, e a maioridade começa geralmente aos 18 anos, nos termos da Lei 5/76. Os cidadãos estrangeiros e os residentes apátridas têm, em geral, direitos e deveres civis com base na reciprocidade, sujeitos a restrições relativas a direitos políticos e a determinados direitos públicos. O estado civil é registado pela Direção de Identificação Civil, Registos e Notariado e por repartições de registo e notariais relacionadas. Os nascimentos devem, em geral, ser registados no prazo de 30 dias, e o registo é gratuito até a criança completar sete anos. Um óbito deve, em geral, ser comunicado no prazo de 24 horas; a certidão de óbito é normalmente emitida em cerca de três dias e é utilizada para o funeral, a herança e alguns procedimentos de assistência social. Uma certidão de casamento pode ser necessária para transferências de terrenos e crédito bancário. O Código Civil regula as obrigações, os contratos, o incumprimento contratual e os danos. Provas escritas ou notariais são muitas vezes valiosas na prática, mesmo quando a avaliação jurídica depende do tipo de transação. O arrendamento urbano é regido principalmente pela Lei do Inquilinato, aplicando-se o Código Civil de forma subsidiária, enquanto os arrendamentos rurais dependem mais diretamente do Código Civil. As transações societárias e comerciais podem estar sujeitas às regras da OHADA, em vez de seguirem exclusivamente a via do direito civil. A terra é propriedade do Estado e património comum nacional, pelo que não é possível haver propriedade privada da própria terra. Pessoas e organizações podem deter direitos sobre edifícios e outras benfeitorias e podem obter direitos de uso da terra através do uso consuetudinário ou de uma concessão. As comunidades, o Governo, os Municípios, as Comissões Fundiárias, os Serviços Cadastrais e de Registo e o Serviço Nacional de Geografia e Cadastro podem ter responsabilidades diferentes. O uso consuetudinário da terra pode ser protegido sem contrato escrito ou registo. As transferências dentro de uma comunidade local podem seguir o costume local, incluindo a herança; as transferências para pessoas de fora exigem a aprovação estatal ou comunitária pertinente e uma concessão. As concessões urbanas de superfície são tratadas pelos municípios, enquanto as concessões rurais envolvem o serviço cadastral nacional. O direito da família combina a Lei da Família 10/92, o Código Civil e várias leis posteriores à independência. O casamento civil exige, em geral, que a pessoa tenha 18 anos, ou 16 anos com consentimento parental ou do tutor, e o registo do casamento é obrigatório. Uma união de facto ou casamento não formalizado pode ser reconhecido judicialmente após pelo menos três anos e pode então produzir efeitos comparáveis aos do casamento, incluindo efeitos retroativos. O divórcio pode ocorrer por mútuo consentimento ou através de um processo litigioso. As regras formais também abrangem a filiação, as responsabilidades parentais, a guarda e a adoção, mas os conflitos entre uniões formais, consuetudinárias e religiosas podem afetar o resultado prático. A sucessão é regulada pelo Livro V do Código Civil e por princípios constitucionais. A certidão de óbito é normalmente um requisito prático prévio à administração da herança. O estado formal do casamento e da filiação pode afetar a sucessão, enquanto os direitos consuetudinários de uso da terra podem ser transmitidos por herança segundo a prática local. Os testamentos, as regras da legítima e as transmissões de heranças obedecem a requisitos jurídicos formais, mas os custos e prazos atuais não são publicados de forma fiável em todo o país. A responsabilidade contratual e extracontratual é reconhecida pelo Código Civil. Os organismos públicos podem incorrer em responsabilidade civil por violações de direitos ou danos causados no exercício de atividades oficiais, e a legislação fundiária também prevê responsabilidade por danos causados pelo uso da terra. O montante da indemnização e qualquer prazo de prescrição dependem dos factos e do procedimento aplicável. O Código de Processo Civil e as leis complementares regem as ações cíveis. Os Tribunais Regionais têm jurisdição geral, o Supremo Tribunal de Justiça é o tribunal superior, e Bissau dispõe de tribunais cíveis, de família e de menores, bem como de funções de execução civil. Os tribunais setoriais oferecem procedimentos mais simples, com jurisdição civil e criminal limitada. O acesso formal aos tribunais não é igualmente fiável em todas as regiões, e várias zonas não dispõem de um tribunal a que seja possível aceder de forma consistente. Uma decisão judicial vincula organismos públicos e privados, mas a sua execução pode ser afetada pelas custas judiciais, pela falta de pessoal, pelas infraestruturas e por outras limitações de recursos. Os procedimentos da OHADA podem ajudar na cobrança simplificada de dívidas e na execução em matérias principalmente comerciais. A Constituição e a Lei Orgânica protegem o acesso à justiça independentemente dos meios económicos. Pode haver assistência jurídica para um caso concreto e viável quando o requerente tem interesse pessoal e comprova insuficiência económica. Os pedidos podem, em geral, ser apresentados em qualquer jurisdição e em diferentes fases processuais. A OAGB oferece vias de assistência jurídica ou trabalho jurídico pro bono, enquanto os centros CAJ ligados ao Ministério da Justiça prestam informação jurídica, mediação, encaminhamento e assistência jurídica. A UNICEF comunicou a existência de sete centros CAJ em 2025, incluindo centros em Bissau, Cacheu, Oio, Quinara, Bafatá e Gabú, e um relatório da ONU registou quase 27 000 beneficiários em 2024. Os processos com assistência podem beneficiar de isenção de custas judiciais. As autoridades consuetudinárias e os mecanismos comunitários continuam a ser importantes, sobretudo nos litígios relativos a terras, família e herança. Os seus efeitos práticos e jurídicos dependem do assunto: as práticas consuetudinárias de uso da terra têm proteção legal explícita em alguns contextos, mas uma decisão consuetudinária não equivale automaticamente a uma decisão judicial. Um litígio pode passar da mediação dos CAJ ou de um processo comunitário para um tribunal formal quando a mediação falha ou é necessária uma decisão juridicamente executável. As matérias de consumo, laborais e criminais pertencem sobretudo a outras áreas do direito, embora possam sobrepor-se a ações cíveis.
Direito civil na Guiné-Bissau
O direito civil na Guiné-Bissau rege as relações jurídicas entre pessoas e organizações privadas, incluindo contratos, propriedade, questões familiares, herança, responsabilidade civil e processos nos tribunais cíveis. Baseia-se principalmente no Código Civil, influenciado pelo direito português, em alterações nacionais posteriores e em leis conexas, enquanto as regras consuetudinárias continuam relevantes em várias áreas. O acesso e a aplicação variam conforme a região, pois tribunais, registos, serviços de assistência jurídica e outras instituições não estão igualmente disponíveis em todo o país.
Dica
Trate as questões de direito civil na Guiné-Bissau como uma escolha entre uma solução consuetudinária ou mediada e uma via jurídica formal e executável. Obtenha os registos de estado civil, as provas escritas e as aprovações pertinentes antes de se basear num casamento, numa herança, num direito de uso da terra ou num contrato. Quando estiverem em causa dinheiro, terra, estado familiar ou execução, recorra à assistência dos CAJ ou da OAGB e confirme qual instituição acessível pode tratar do assunto.

