A Constituição é a lei suprema de Essuatíni. Estabelece uma ordem pública dual, na qual os organismos modernos do Estado funcionam em paralelo com instituições tradicionais e o direito e costume suázi. O direito e costume suázi refere-se a regras, práticas e autoridades consuetudinárias reconhecidas, sobretudo nas comunidades tradicionais; o direito comum romano-neerlandês também faz parte do quadro jurídico. O PDF oficial da Constituição ainda pode ter o antigo título Swaziland, embora o Estado constitucional seja o Reino de Essuatíni. A Constituição protege direitos como o direito à vida, à liberdade pessoal, à proteção contra a tortura, à igualdade, a uma audiência justa, à propriedade, à religião, à expressão, à reunião, à associação, à circulação e à justiça administrativa. Qualquer suspensão ou limitação de direitos durante uma emergência deve respeitar as regras constitucionais. Espera-se que os cidadãos respeitem a Constituição e a lei, protejam o interesse nacional e os direitos dos outros, apoiem a democracia e o Estado de direito, protejam os bens públicos, cooperem com medidas legais de segurança pública e protejam o ambiente. O Rei Mswati III é o chefe de Estado hereditário e também é chamado iNgwenyama. O poder executivo pertence ao Rei e é exercido diretamente ou através do Gabinete e dos ministros. O Rei nomeia o Primeiro-Ministro de entre os membros da House of Assembly, sanciona legislação, convoca e dissolve o Parlamento, desempenha funções diplomáticas constitucionais, concede perdões ou comutações de pena e pode exercer poderes constitucionais relativos a emergências, comissões, vusela e referendos. É Comandante-em-Chefe da Umbutfo Eswatini Defence Force e Comissário-em-Chefe da polícia e dos serviços prisionais. Russell Mmiso Dlamini é Primeiro-Ministro desde a sua nomeação, em 3 de novembro de 2023. O Gabinete é composto pelo Primeiro-Ministro, pelo Vice-Primeiro-Ministro e pelos ministros; os Principal Secretaries administram os ministérios e o Attorney-General presta o principal aconselhamento jurídico ao governo. O Parlamento é composto pelo Senado e pela House of Assembly. O King-in-Parliament é a autoridade legislativa suprema. O Senado pode ter até 31 membros, dois terços dos quais são nomeados pelo Rei. A House of Assembly pode ter até 76 membros, dos quais até 60 são escolhidos através dos círculos eleitorais Tinkhundla e os restantes são nomeados pelo Rei. A legislação precisa da sanção do Rei. Os projetos de lei financeiros e de apropriação são tratados principalmente pela House of Assembly. O Parlamento aprova leis, representa as comunidades e fiscaliza a atividade executiva. Reúne-se normalmente pelo menos uma vez por ano; em 2026, o 12.º Parlamento encontrava-se na sua terceira sessão. As Order Papers, o Hansard, os relatórios das comissões e os Votes and Proceedings constituem registos públicos do trabalho parlamentar. O poder judicial é constitucionalmente independente. O Supreme Court é o tribunal de última instância e trata da interpretação constitucional e da jurisdição de supervisão. O High Court julga processos em primeira instância e recursos, enquanto os Magistrates’ Courts tratam geralmente dos processos em primeira instância. As instituições especializadas incluem o Industrial Court, o Industrial Court of Appeal, o Commercial Court e o Small Claims Court. Os Swazi National Courts e outros tribunais consuetudinários tratam de matérias regidas pelo direito e costume suázi. O Rei nomeia os juízes dos tribunais superiores sob recomendação da Judicial Service Commission, e a Comissão nomeia os magistrados. O Director of Public Prosecutions conduz os processos criminais de forma independente e consulta o Attorney-General em matérias de segurança nacional. O acesso aos tribunais é feito através das secretarias judiciais; pode haver assistência jurídica e interpretação, e os tribunais especializados aplicam as suas próprias taxas e procedimentos. Essuatíni tem quatro regiões administrativas: Hhohho, com 15 Tinkhundla; Manzini, com 18; Shiselweni, com 15; e Lubombo, com 11, num total de 59 Tinkhundla. Não existe um nível de governo federal. Cada região tem um Regional Council e um Regional Administrator nomeado pelo Rei sob recomendação ministerial. O Regional Secretary é um funcionário público sénior que planeia, orçamenta e coordena o trabalho dos ministérios na região. Um Inkhundla é uma autoridade local que apoia a prestação descentralizada de serviços, o planeamento de baixo para cima e os projetos comunitários. O seu comité executivo Bucopho é presidido pelo Indvuna YeNkhundla. Os chiefdoms e os Imiphakatsi situam-se abaixo do Inkhundla, e os chefes exercem autoridade tradicional. A administração local urbana tem uma estrutura mais fragmentada. Os conselhos municipais, os conselhos de localidades e as juntas de localidades funcionam ao abrigo do Urban Government Act 1969 e são administrativamente supervisionados pelo Ministry of Housing and Urban Development. O acesso rural passa normalmente pelas estruturas Tinkhundla e pela liderança tradicional, enquanto os serviços urbanos são prestados pelo município, conselho de localidade ou organismo governamental competente. Foram comunicadas propostas de reforma do governo local e de descentralização, mas estas ainda não constituem um sistema completamente novo. A Civil Service Commission trata da nomeação, promoção, transferência, cessação de funções, demissão e disciplina dos funcionários públicos. Os Principal Secretaries lideram a administração dos departamentos. Dependendo do serviço, as pessoas podem ter de contactar um ministério nacional, a administração regional, um Inkhundla, uma autoridade urbana ou uma autoridade tradicional. Os portais governamentais, ministérios, departamentos, a Gazette e os serviços eletrónicos disponibilizam informações públicas e candidaturas. A Regional Administration presta serviços como casamento civil, declarações sob compromisso de honra e funções de Commissioner of Oaths. As taxas e os prazos de processamento dependem do serviço; não existe uma tabela nacional única de taxas e prazos para todos os procedimentos públicos. Os fundos públicos são geridos através do Consolidated Fund. Em geral, os levantamentos exigem uma cobrança prevista na lei, uma Appropriation Act ou uma estimativa suplementar. O ano financeiro decorre de 1 de abril a 31 de março, e as estimativas anuais são apresentadas antes do início do ano financeiro ou nos 60 dias seguintes ao seu começo. Para 2026/27, os documentos orçamentais indicaram receitas, excluindo subvenções, de E31,42 mil milhões, subvenções de E0,474 mil milhões e receitas e subvenções apropriadas de E31,90 mil milhões. As despesas correntes foram de E29,14 mil milhões, as despesas de capital de E7,78 mil milhões e as despesas totais de E36,92 mil milhões, excluindo o reembolso da dívida de E5,33 mil milhões. O défice orçamental indicado foi de E5,02 mil milhões, equivalente a 4,9% do PIB; a massa salarial foi de E12,44 mil milhões e as receitas SACU utilizadas foram de E11,4 mil milhões. A dependência das receitas SACU, a dívida pública, a prestação de serviços e a descentralização determinam a relevância prática das finanças públicas. A contratação pública é regida pelo Public Procurement Act 2011 e pelos Public Procurement Regulations 2020, que entraram em vigor em 24 de maio de 2021. A Eswatini Public Procurement Regulatory Agency, habitualmente conhecida como ESPPRA, regula o sistema. Os concursos governamentais são publicados no portal financeiro ou de concursos relevante. Cada concurso estabelece os seus próprios documentos, taxas e prazos, pelo que não existe um prazo geral aplicável a todas as aquisições. O Auditor-General audita as contas públicas dos organismos governamentais, tribunais e autoridades públicas. Os relatórios de auditoria são enviados através do Minister for Finance às duas câmaras do Parlamento, e despesas ilegais podem ser rejeitadas ou imputadas aos funcionários responsáveis. O Office of the Auditor-General publicou um Auditor-General’s Report relativo a 2023 e relatórios forenses e de conformidade em 2024. A Anti-Corruption Commission funciona ao abrigo do Prevention of Corruption Act 2006, recebe queixas, investiga suspeitas de corrupção e encaminha processos para o Director of Public Prosecutions. A Commission on Human Rights and Public Administration, conhecida como CHRAPA, recebe queixas escritas relativas a violações de direitos, má administração, abuso de poder e corrupção. Pode emitir intimações e formular conclusões e recomendações, mas pode recusar matérias apresentadas mais de 12 meses depois do acontecimento relevante. A Integrity Commission aplica deveres do código de conduta dos titulares de cargos públicos, incluindo declarações de bens e responsabilidades antes da posse ou nos seis meses seguintes, de dois em dois anos e no fim do mandato, para funcionários abrangidos, como ministros, membros do Parlamento, juízes e altos funcionários públicos. A liberdade de expressão, reunião e associação está protegida constitucionalmente. O Parlamento publica documentos legislativos e de fiscalização, enquanto a Gazette é o meio de publicação obrigatória de leis e determinados avisos oficiais. O Government Press Office e os canais governamentais nas redes sociais comunicam informações públicas. A Eswatini Communications Commission, ou ESCCOM, regula as comunicações eletrónicas, a proteção de dados, a cibersegurança, a radiodifusão, os serviços postais e de estafeta e o comércio eletrónico ao abrigo do ESCCOM Act 2013. As redes públicas, a radiodifusão e o espetro radioelétrico estão sujeitos a licenciamento. A ESCCOM pode impor multas administrativas ou suspender ou revogar uma licença. Uma licença de rádio tem normalmente a duração de 12 meses e deve ser renovada pelo menos 30 dias antes de expirar. As informações públicas estão disponíveis, na prática, nos sítios Web governamentais, no Parlamento, na Gazette e nos serviços eletrónicos, embora as fontes oficiais analisadas não tenham identificado um equivalente autónomo geral de liberdade de informação. O Royal Eswatini Police Service mantém a ordem pública, previne e deteta crimes, detém suspeitos e protege a segurança pública. O Commissioner of Police dirige a sua administração, comando e disciplina. A Umbutfo Eswatini Defence Force é uma força permanente, disciplinada e apartidária, responsável perante a autoridade civil e encarregada de defender a soberania e a integridade territorial. His Majesty’s Correctional Services asseguram custódia segura, ordem, reabilitação e reintegração. A gestão de catástrofes rege-se pelo Disaster Management Act 2006 e envolve a National Disaster Management Agency, o National Emergency Operations Centre, o National Disaster Management Council, os Regional Disaster Management Committees e as Emergency Task Forces. Planos nacionais, regionais e comunitários, sistemas de alerta precoce e um fundo para catástrofes apoiam a preparação e a resposta. A National Cybersecurity Agency trabalha com a polícia e a força de defesa em matéria de riscos cibernéticos. O registo de cidadania é tratado pelo Citizenship Board, que pode conceder ou cancelar o registo. O processo inclui uma audiência e representação jurídica; segundo o quadro analisado, espera-se que as matérias de cidadania sejam concluídas no prazo máximo de seis meses. Assim, os serviços públicos, as queixas e a assistência de segurança dependem da instituição responsável e do nível em que surge a questão: ministério nacional, tribunal, região, Inkhundla, autoridade urbana, autoridade tradicional ou organismo de fiscalização especializado.
Estado em Essuatíni
Essuatíni é um Reino democrático, soberano e unitário, governado ao abrigo da Constitution of the Kingdom of Eswatini Act 2005. O Estado combina instituições modernas e tradicionais e o direito e costume suázi, tendo o siSwati e o inglês como línguas oficiais. O Rei, o Gabinete, o Parlamento bicameral, os tribunais, os ministérios, a administração regional, as Tinkhundla e as autoridades urbanas desempenham diferentes funções públicas, enquanto a Constituição protege direitos fundamentais e define deveres cívicos.
Dica
Considere o Estado de Essuatíni um sistema multinível: o primeiro contacto adequado depende de a questão dizer respeito a um serviço público, uma matéria consuetudinária, uma queixa sobre direitos, um processo judicial, um incidente de segurança ou um concurso. Confirme por escrito o organismo responsável, os documentos necessários, a taxa e o prazo, pois os percursos regionais, urbanos e tradicionais não seguem um calendário universal. Mantenha um registo datado e encaminhe a questão à instituição com poderes para investigar, decidir ou rever o caso.

