As principais fontes incluem a Constituição Socialista, a Lei Civil aprovada em 5 de setembro de 1990, a Lei do Processo Civil aprovada em 10 de janeiro de 1976, com alterações publicamente disponíveis até 15 de dezembro de 2009, a Lei da Família aprovada em 24 de outubro de 1990, a Lei das Sucessões aprovada em 13 de março de 2002, a Lei da Indemnização por Danos aprovada em 19 de abril de 2005 e a Lei das Relações Civis Externas aprovada em 6 de setembro de 1995 e alterada em 10 de dezembro de 1998. A Assembleia Popular Suprema e o seu Presidium legislam. O Tribunal Central, os tribunais provinciais e das cidades, os Tribunais Populares municipais, distritais e dos condados, os tribunais especiais, os procuradores públicos, os Comités Populares, o órgão de administração da população, os serviços de registo, os notários, os executores judiciais e os bancos competentes desempenham diferentes funções jurídicas ou administrativas. Em geral, uma pessoa tem direitos civis desde o nascimento até à morte. A maioridade plena começa aos 17 anos. A partir dos 16 anos, uma pessoa pode agir autonomamente no âmbito do rendimento que ganhou pessoalmente; os atos fora desse âmbito geralmente requerem o consentimento dos pais ou do tutor. A partir dos 6 anos, uma criança pode, em geral, comprar material escolar e artigos de uso quotidiano. Os pais, tutores ou representantes agem em nome de uma pessoa sem capacidade, e a tutela é supervisionada pelo órgão de administração da população. A representação pode ser oral ou escrita. A propriedade divide-se em propriedade estatal, propriedade social ou cooperativa e propriedade individual ou privada. A propriedade individual pode incluir bens obtidos através da distribuição do trabalho, prestações estatais ou sociais, criação complementar de animais, compra, herança, ofertas ou outros meios lícitos. Casas, bens domésticos e culturais, artigos de primeira necessidade, automóveis e outros bens permitidos podem fazer parte da propriedade individual. Em geral, os bens familiares são comuns. A utilização e transferência de uma habitação estatal têm proteção jurídica formal, mas a investigação disponível não demonstra a existência de um mercado livre de propriedade fundiária ao estilo ocidental. O direito civil regula transações como compra e venda, prestação de serviços laborais, depósito e guarda, empréstimos, transporte de passageiros, depósitos bancários, seguros e mandatos. Os direitos e deveres das partes decorrem do cumprimento correto da transação. Para negócios patrimoniais com uma contraparte estrangeira, pode aplicar-se um tratado; as partes podem escolher a lei aplicável e, na ausência de escolha, geralmente aplica-se a lei do local do ato ou a legislação norte-coreana. A lei estrangeira não é aplicada quando o seu conteúdo não pode ser estabelecido ou quando entra em conflito com os princípios jurídicos norte-coreanos. O casamento é livre e requer registo num serviço de registo civil. A idade mínima é de 18 anos para os homens e 17 para as mulheres. Um casamento anterior registado, um parentesco próximo proibido ou o incumprimento da idade mínima podem levar o tribunal a declarar o casamento nulo. Os cônjuges têm direitos iguais e deveres de apoio mútuo. Se as partes não resolverem essas questões, um tribunal pode decidir sobre divórcio, alimentos, criação dos filhos e bens. Em geral, uma criança com menos de três anos fica com a mãe, e o progenitor que não tem a guarda pode ter de pagar entre 10% e 30% do rendimento mensal para as despesas de criação dos filhos até a criança atingir a idade de trabalhar. Os filhos nascidos fora do casamento têm direitos iguais. A adoção de uma criança com menos de 17 anos requer os consentimentos parentais ou tutelares exigidos, o consentimento de uma criança com mais de seis anos, a aprovação do órgão de administração da população e o registo civil. A Lei das Sucessões protege a propriedade privada e permite sucessões legais e testamentárias, doações e execução de testamentos. Homens e mulheres recebem tratamento igual, enquanto as pessoas sem capacidade para agir autonomamente beneficiam de proteção preferencial dos seus interesses. Num caso externo, os bens imóveis regem-se, em geral, pela lei do local onde se situam, e os bens móveis pela lei ligada ao domicílio do falecido. As regras relativas à forma de um testamento podem remeter para a lei norte-coreana, a lei do local do ato, a lei do domicílio do testador ou a lei do Estado onde se situam os bens imóveis. A Lei Civil e a Lei da Indemnização por Danos abrangem lesões corporais e danos patrimoniais. A indemnização pode incluir custos de tratamento ou rendimentos perdidos devido à incapacidade da pessoa lesada para trabalhar. A violação de direitos ou deveres civis pode dar origem a responsabilidade civil; uma conduta grave também pode suscitar uma questão separada de direito penal, que pertence a outra área jurídica. Os processos cíveis abrangem litígios patrimoniais que não estejam sujeitos a arbitragem ou processos administrativos, divórcio, criação e sustento dos filhos e determinação de direitos civis ou de factos juridicamente relevantes. Um cidadão, instituição, empresa ou organização pode apresentar uma ação, e um procurador público pode processar para proteger interesses do Estado, da sociedade ou dos cidadãos. Em geral, a petição identifica a idade, o sexo, a profissão e o endereço das partes, expõe o pedido e os fundamentos e enumera as provas. Podem participar representantes ou advogados. As provas podem incluir declarações, testemunhas, documentos, objetos, avaliações periciais e inspeções. Os processos decorrem em coreano, com um intérprete ou intérprete-construtor disponível para necessidades linguísticas ou de fala. Em geral, os julgamentos são públicos, salvo exceções de confidencialidade, e o tribunal é normalmente composto por um juiz e dois assessores populares. Em geral, o domicílio do requerido determina a competência territorial. Algumas exceções permitem apresentar a ação no domicílio do autor em casos de alimentos para filhos, danos à saúde ou à vida, ou processos que envolvam uma mulher com um filho com menos de um ano ou vários filhos. Um processo com parte estrangeira é normalmente remetido para um tribunal provincial ou de uma cidade; os processos ligados a Rason podem ser remetidos para o tribunal da zona de Rason. Um processo em primeira instância tem um prazo previsto de dois meses; a complexidade ou importância pode acrescentar um mês com aprovação do presidente do tribunal e mais um mês com aprovação do tribunal superior. Os recursos, recursos extraordinários e novos julgamentos têm um prazo previsto de um mês. As custas judiciais habituais incluem taxas estatais e selos de entrega de documentos, mas não há taxa estatal nos processos de alimentos para filhos, sustento de dependentes, danos à saúde ou à vida, danos causados por crimes ou ações de procuradores. Em geral, o requerido paga após a aceitação da ação e o autor paga após a sua rejeição. As cópias da sentença ou decisão devem ser entregues no prazo de dois dias. Em geral, um recurso ou protesto é apresentado no prazo de dez dias, durante o qual a execução fica suspensa. Não há recurso ordinário contra uma decisão do Supremo Tribunal. A revisão extraordinária pode ser iniciada pelo presidente do Supremo Tribunal ou pelo Procurador-Geral, e um novo julgamento pode tratar de provas falsas, factos materiais recém-descobertos, atos ilegais ou uma base jurídica revogada; em geral, uma parte no processo apresenta o pedido no prazo de três meses após descobrir o fundamento. Uma sentença ou decisão definitiva é executada por um executor judicial. Em geral, o mandado de execução relativo a uma reclamação patrimonial deve ser pedido no prazo de dois meses após a decisão se tornar definitiva, e o executor atua normalmente no prazo de um mês. Os bens de uma instituição, empresa ou organização podem ser penhorados através do respetivo banco no prazo de dez dias. Se o pagamento continuar pendente após um mês, pode ser possível bloquear uma conta. A resistência pode exigir a colaboração de um órgão de segurança popular. Uma reclamação contra a execução é dirigida ao tribunal competente, que em geral a resolve no prazo de quinze dias. Nos litígios transfronteiriços, a competência ou a escolha da lei pode decorrer de um acordo relativo a negócios patrimoniais, e a jurisdição norte-coreana pode aplicar-se quando o requerido reside ou tem sede no país, quando os danos ou os bens se encontram na Coreia do Norte ou quando estão envolvidos bens imóveis norte-coreanos. O reconhecimento de uma sentença estrangeira depende de um acordo estatal mútuo, dos princípios jurídicos norte-coreanos e dos limites de competência. As provas estrangeiras podem ser utilizadas depois de autenticadas por um notário público estrangeiro.
Direito civil na Coreia do Norte
O direito civil na Coreia do Norte regula as relações jurídicas entre pessoas e organizações privadas, incluindo contratos, propriedade, questões familiares, heranças, indemnizações e processos cíveis. A lei norte-coreana reconhece direitos civis desde o nascimento até à morte, com regras de capacidade jurídica e representação que mudam com a idade ou incapacidade. As informações publicamente verificáveis sobre a prática local atual, os acordos informais e os resultados da aplicação das regras continuam limitadas.
Dica
Considere uma questão de direito civil na Coreia do Norte como um processo formal com prazos rigorosos, mas não presuma que os direitos escritos garantem uma aplicação prática previsível. Comece por classificar a questão, preserve documentos e provas, identifique o órgão competente e obtenha assistência local qualificada quando o assunto envolver propriedade, estado civil e relações familiares, heranças, partes estrangeiras ou uma reclamação substancial.

