A União das Comores é constituída por Ngazidja, também chamada Grande Comore, Ndzuwani, também chamada Anjouan, e Mwali, também chamada Mohéli. As condições de acesso e cobertura dos serviços variam entre ilhas. Mayotte é uma jurisdição francesa separada; por isso, os serviços policiais e de apoio comorenses não se aplicam automaticamente à ilha. A Polícia Nacional (Police Nationale) e a Gendarmaria Nacional (Gendarmerie nationale) são os dois principais canais formais para comunicar infrações e realizar investigações. A Polícia Nacional, através da DGPSN, trata da ordem pública, deteção de crimes, informações e questões de fronteira ou movimentação de pessoas. A gendarmaria oferece um canal paralelo de comunicação e investigação. Existem esquadras da polícia ou da gendarmaria em Moroni, Mutsamudu e Fomboni, além de postos da gendarmaria nas três ilhas. O Gabinete Central Nacional da INTERPOL em Moroni (INTERPOL NCB Moroni) apoia a cooperação policial transfronteiriça. A vítima pode apresentar uma queixa (plainte) numa esquadra ou posto da gendarmaria. A autoridade deve recebê-la mesmo que a infração tenha ocorrido noutra zona territorial. Uma pessoa singular ou coletiva pode apresentar queixa, e o autor desconhecido pode ser identificado como contra desconhecidos (contre X), o que significa que a queixa é apresentada contra uma pessoa não identificada. A queixa deve descrever o que aconteceu, quando e onde, as perdas ou lesões e as provas disponíveis; quem a apresenta não precisa de determinar a qualificação jurídica. Pode pedir-se um recibo e uma cópia da queixa. Não há uma tabela oficial atual de encargos nem um prazo fixo de tratamento publicado. As informações do Ministério da Justiça indicam prazos de prescrição de um ano para contravenções, seis anos para delitos e vinte anos para crimes, sujeitos a exceções. A violência contra mulheres e crianças tem grande relevância prática. Foram comunicados 170 casos aos serviços de apoio durante o primeiro trimestre de 2026, incluindo 66 casos de violência sexual, dos quais 55 envolviam raparigas entre os 11 e os 17 anos, e 55 casos de violência económica. Mulheres e raparigas representavam 85% dos casos comunicados. Em 2024, estavam operacionais dez serviços públicos de escuta e encaminhamento (services d’écoute), que registaram mais de 700 contactos de apoio. Os serviços nas três ilhas podem prestar orientação psicológica, jurídica, social e médica. O número de apoio a vítimas indicado na investigação é 332 37 87. A vítima pode procurar ajuda junto de um serviço, hospital ou centro de saúde antes de apresentar uma queixa formal. Devem guardar-se fotografias, certificados médicos, mensagens e dados de testemunhas. O Ministério da Justiça refere um procedimento para medidas de proteção, mas o acesso e a cobertura são irregulares fora dos centros principais. Há relatos de acordos entre famílias ou anciãos das aldeias para resolver alegações de violência sexual; isso pode reduzir a aplicação formal da lei e não deve ser confundido com uma decisão judicial. As crianças estão abrangidas por um processo próprio de proteção e justiça juvenil. A maioridade penal começa aos 15 anos. Em regra, as crianças com menos de 15 anos não são colocadas em detenção policial (garde à vue); a retenção excecional de uma criança entre os 10 e os 15 anos pode durar até dez horas, sob controlo de um magistrado. O progenitor ou tutor e o procurador devem ser informados; o juiz de menores (juge des enfants) ou o tribunal de menores (tribunal pour mineurs) pode participar, juntamente com a avaliação social e médica. Crianças vítimas podem ser encaminhadas através da polícia, da gendarmaria e dos serviços de apoio. O tráfico continua a ser relevante. O relatório de 2024 sobre tráfico de pessoas classificou as Comores no Nível 2 (Tier 2) e já tinha começado um mecanismo nacional de encaminhamento, mas não foi comunicada nenhuma condenação de traficante e a capacidade dos abrigos continuava limitada. As crianças em trabalho doméstico ou em escolas corânicas e as pessoas que regressam ou são deportadas de Mayotte estão entre os grupos identificados como vulneráveis. A capacidade de prevenção e encaminhamento varia entre ilhas. A Lei 21-012/AU, promulgada em 2022, abrange a cibersegurança, o cibercrime e a prova digital. A ANADEN e a DNCS são as autoridades competentes em cibersegurança, enquanto o CERT nacional monitoriza ameaças, emite alertas e orientações públicas, presta assistência em incidentes e coordena com outros CERT. Não foi publicado claramente nenhum canal específico nem número para apresentar denúncias de cibercrime como cidadão. Os atos criminosos devem ser comunicados à polícia ou à gendarmaria; os incidentes de sistemas também podem ser comunicados à ANADEN ou ao CERT nacional, quando acessíveis. Guarde capturas de ecrã, registos, mensagens, dados das contas e provas dos dispositivos. Para a segurança quotidiana, proteja dinheiro, documentos de identidade e passaportes, guarde uma cópia do passaporte, evite exibir objetos de valor, mantenha-se atento perto de locais movimentados e caixas multibanco, utilize transportes de confiança e escolha ferries licenciados. Não fotografe instalações policiais ou militares. Há relatos de fraude em aplicações de encontros, roubo e agressão. As embarcações pequenas e as viagens em mar aberto têm um risco distinto de pirataria ou assalto à mão armada, pelo que importa tomar precauções marítimas. Os números de emergência publicados são contraditórios: as orientações dos EUA indicam Polícia 17 e as do Reino Unido indicam Polícia 117; confirme localmente antes de confiar em qualquer um. O material citado do FCDO não comunica uma história recente de terrorismo, mas essa observação não garante risco zero. Relatos de corrupção ou suborno envolvendo forças policiais ou de segurança podem afetar a confiança e o acesso. Os cuidados médicos, o transporte e a resposta rápida podem ser limitados, sobretudo fora de Moroni.
Criminalidade nas Comores
A criminalidade nas Comores inclui furtos, violência, abuso sexual, fraude, tráfico e outros atos que ameaçam pessoas ou bens. Há relatos de furtos oportunistas em mercados movimentados, parques, praias e transportes públicos, enquanto os roubos na via pública são descritos como raros. O risco aumenta ao caminhar sozinho à noite, exibir objetos de valor ou frequentar praias e centros urbanos isolados. Não existem atualmente dados fiáveis sobre a prevalência nacional da criminalidade; por isso, as observações em avisos e os casos comunicados aos serviços não devem ser tratados como taxas populacionais.
Dica
Tome decisões de segurança nas Comores considerando a ilha: proteja os objetos de valor, evite exposição previsível à noite e recorra a ajuda formal em casos de violência, exploração ou perdas graves. Guarde provas e use a polícia ou a gendarmaria mesmo que contacte primeiro os serviços de apoio. Confirme os contactos de emergência e as condições locais de acesso, sem presumir que os tempos de resposta, os serviços ou os procedimentos sejam iguais em Ngazidja, Ndzuwani e Mwali.

