As paisagens naturais do Chade mudam bastante de norte a sul. O norte inclui o Saara, o Tibesti e as formações de arenito de Ennedi. Ounianga contém 18 lagos permanentes em um ambiente hiperárido e é Patrimônio Mundial Natural da UNESCO. A região de Ennedi tem cânions, arcos, planaltos rochosos e pontos de água e é Patrimônio Mundial Misto da UNESCO. O Sahel inclui o Lago Fitri, a área Ouadi Rime–Ouadi Achim e a bacia do Lago Chade. O sul contém savana sudanesa, as planícies aluviais do Chari–Logone e Salamat e áreas protegidas como Zakouma, Siniaka Minia, Manda e Sena Oura. O Chade utiliza parques nacionais, reservas de fauna, reservas naturais e culturais, zonas úmidas Ramsar e outras paisagens geridas para conservar habitats e espécies. Os sítios Ramsar são zonas úmidas reconhecidas pela convenção internacional sobre zonas úmidas. Eles abrangem áreas importantes como Lac Fitri, a parte chadiana do Lago Chade, Binder-Léré, as planícies aluviais de Logone e Toupouri, a planície de Massenya e as planícies aluviais de Bahr Aouk e Salamat. Os seis sítios Ramsar cobrem juntos cerca de 12.405.068 hectares. Outras áreas de conservação formais ou operacionais incluem o Parque Nacional de Zakouma, o Ecossistema Funcional Maior de Zakouma, a Reserva Natural e Cultural de Ennedi, a Reserva OROA, a Paisagem Aouk-Keita, o Parque Nacional de Binder-Léré e o Parque Nacional de Sena Oura. O ministério nacional do meio ambiente lidera as políticas públicas sobre a natureza, e as autoridades de fauna e florestas, a Guarda Florestal e de Fauna, governos locais, autoridades tradicionais e comunidades compartilham responsabilidades conforme o local e a atividade. A Lei 14/PR/2008 abrange florestas, fauna e recursos pesqueiros, enquanto a Lei 23/CNT/2024 trata da proteção ambiental. Segundo o marco legal, parques nacionais geralmente são criados sem direitos comuns de uso. Os planos dos parques, regulamentos internos, regras de participação local e possíveis indenizações determinam como comunidades próximas podem usar os recursos ou participar da gestão. A governança está mudando: acordos com a African Parks voltaram a vigorar em 17 de outubro de 2025, e foi documentado em 6 de maio de 2026 um comitê governamental para renegociar acordos sobre Zakouma, o Grande Ecossistema de Zakouma, Ennedi e Aouk. Durante essa transição, o Estado continua sendo a autoridade responsável. A fauna do Chade inclui elefantes, búfalos, leões, guepardos do nordeste da África, antílopes bubalis de Lelwel, cobos de Buffon e girafas de Kordofan. Zakouma tem cerca de 66 espécies de mamíferos, mais de 1.300 girafas de Kordofan e aproximadamente 800 elefantes-da-savana. Mais de 13.000 búfalos foram registrados ali em 2025, e mais de 900 búfalos foram transferidos para Siniaka Minia em 2022. Também foram reintroduzidos dois rinocerontes-negros. As contagens de aves aquáticas em Bahr Aouk, Salamat e Lac Fitri registram mais de 140 espécies residentes e migratórias, incluindo pelicanos, grous, cegonhas e patos. O Lago Chade também oferece habitat para o gado da raça Kouri, criadouros e áreas de desova de peixes e o uso local de natron e espirulina. As áreas naturais também são paisagens de trabalho. Pesca, pecuária, transumância, agricultura de sequeiro, irrigação, arroz, sorgo, taro, lenha, plantas medicinais, frutas, natron e espirulina sustentam famílias e economias locais. As licenças de pesca diferenciam pescadores nacionais e estrangeiros, e a pesca comercial exige uma licença. A pesca de subsistência para consumo próprio não envolve a venda da captura, enquanto a pesca dentro de uma área protegida exige autorização especial. São proibidos veneno, explosivos, eletricidade, bloquear mais da metade de um rio, golpear peixes e danificar áreas de desova ou peixes jovens. Regras locais e regionais sobre malhas e períodos sazonais podem ser aplicadas após consulta às autoridades locais e comunidades pesqueiras. A mobilidade pastoril depende de corredores de pastagem e pontos de água. Secas, insegurança da posse da terra, zoneamento de áreas protegidas e insegurança podem criar disputas entre agricultores e pastores ou afetar a transumância. Em algumas áreas, utilizam-se comitês de diálogo, mapeamento de corredores, mediação local e cooperação transfronteiriça entre o Chade, Camarões e República Centro-Africana. Outros conflitos envolvem caça ilegal, danos a plantações e rebanhos causados por animais selvagens, pressão pesqueira, sobrepastoreio, incêndios, exploração de petróleo, mineração, irrigação, produção de cimento e pesticidas. O turismo de natureza no Chade concentra-se em locais específicos, em vez de funcionar por um único sistema nacional de acesso. Zakouma geralmente recebe visitantes do fim de novembro ao fim de maio e fecha durante a estação chuvosa, de maio ou junho a outubro. Prestadores oferecem safáris guiados em veículos, observação de aves e acampamentos; para a viagem relevante, podem ser necessários reserva, carta-convite, passaporte válido por pelo menos seis meses, duas páginas em branco no passaporte, visto ou e-visa, registro policial e certificado de febre amarela. Fotografar em Zakouma pode exigir autorização especial, e a fotografia em vilarejos pode ser restrita. O acesso a Ennedi e Ounianga depende do local, das condições de segurança e do plano de gestão. Não há uma tarifa nacional única e confiável para entrar em todas as áreas naturais protegidas ou designadas. Seca, desertificação, calor, erosão, ventos fortes, incêndios florestais e inundações extremas afetam os ecossistemas e as pessoas. O risco de inundação é alto e crescente ao redor de rios, lagos e cursos d’água sazonais; grandes inundações ocorreram em 2012, 2022 e 2024. Cerca de 4% do território do Chade apresenta risco de inundação fluvial e cerca de 18%, risco de inundação pluvial. Medidas preventivas voltadas à natureza incluem proteger zonas úmidas, manter a vegetação e os sistemas hídricos, gerir pastagens e incêndios e acompanhar mudanças. Incêndios florestais fora do marco legal são proibidos; queimadas antecipadas controladas estão limitadas a áreas definidas, condições diurnas e tempo calmo, com aviso prévio de pelo menos 15 dias. A educação e o monitoramento da biodiversidade recorrem a currículos ambientais perto de alguns sítios Ramsar, rádio comunitária, francês e línguas nacionais, associações locais, comitês de gestão, formação de guardas florestais e levantamentos anuais de biodiversidade ou aves aquáticas. O Camp Dari, em Zakouma, recebe mais de 6.500 visitantes locais por ano. O acesso à educação ambiental é fragmentado e costuma estar ligado a projetos ou áreas protegidas, em vez de um único programa nacional. O monitoramento usa levantamentos aéreos, colares GPS, contagens de aves aquáticas e operações contra a caça ilegal, mas as informações fora dos principais parques e sítios Ramsar continuam desiguais.
Natureza no Chade
A natureza no Chade vai do Saara e das montanhas Tibesti às zonas úmidas do Sahel, ao Lago Chade e à savana sudanesa no sul. Áreas protegidas, zonas úmidas e paisagens geridas pelas comunidades sustentam a vida silvestre, a pesca, a pecuária, a agricultura e o turismo de natureza. Secas, inundações, degradação do solo, sobrepastoreio, incêndios, caça ilegal e usos concorrentes da terra pressionam esses ecossistemas.
Dica
Trate qualquer atividade em áreas naturais do Chade conforme o local específico: primeiro identifique o status jurídico da área, o plano de gestão, as condições de segurança e a autoridade responsável. Proteja simultaneamente o acesso aos meios de subsistência e a conservação, confirmando autorizações, limites sazonais, regras de participação local e restrições de uso dos recursos antes de pescar, pastorear, cultivar, visitar ou investir.

