O quadro eleitoral do Chade baseia-se na Constituição de 2023, no Código Eleitoral (Loi N°005/CNT/2024 de 22 de fevereiro de 2024) e na lei orgânica que rege a autoridade eleitoral e referendária permanente conhecida como ANGE (Loi organique N°002/CNT/2024 de 26 de janeiro de 2024). Uma alteração promulgada em 8 de outubro de 2025 fixa o mandato presidencial em sete anos e não estabelece limite de mandatos. Os mandatos parlamentares duram seis anos e o Parlamento tem duas câmaras. A ANGE gere o recenseamento eleitoral, o ficheiro eleitoral nacional, os cadernos eleitorais, o mapeamento das assembleias de voto e a organização das eleições. O Conseil constitutionnel analisa as candidaturas presidenciais, os resultados presidenciais e os litígios relativos às eleições legislativas. A Cour suprême proclama os resultados definitivos das eleições provinciais e comunais. A Comissão Nacional dos Direitos Humanos, conhecida como CNDH, monitoriza os direitos humanos durante as eleições. Os partidos políticos e as organizações da sociedade civil podem mobilizar delegados e observadores. O eleitor tem de ser cidadão chadiano, ter pelo menos 18 anos, conservar os direitos cívicos e políticos, constar de um caderno eleitoral e não estar sujeito a desqualificação legal. As bases de dados eleitorais internacionais classificam o voto como obrigatório, mas as sanções atuais por não votar não estão documentadas de forma fiável. As regras disponíveis não estabelecem uma taxa para votar. O processo de dezembro de 2024 registou 8.202.207 eleitores inscritos e 26.536 assembleias de voto em 23 províncias. A ANGE disponibiliza os procedimentos de recenseamento e votação, mas as datas eleitorais de 2024–25 não estabelecem um calendário para 2026. As datas atuais e os procedimentos de inscrição devem, por isso, ser confirmados junto da ANGE. O presidente é eleito diretamente por maioria em duas voltas. A eleição presidencial de 6 de maio de 2024 foi decidida na primeira volta; a ANGE anunciou os resultados provisórios em 9 de maio e o Conseil constitutionnel proclamou os resultados definitivos em 16 de maio, atribuindo 61% a Mahamat Idriss Déby Itno. A Assembleia Nacional tem 188 lugares eleitos diretamente: 83 por pluralidade de votos e 105 por representação proporcional. O Senado, com 69 lugares, reúne 46 membros eleitos indiretamente por um colégio de conselheiros municipais e provinciais e 23 nomeados pelo presidente. Os conselhos provinciais e comunais são eleitos diretamente. Os candidatos presidenciais têm de ter pelo menos 35 anos, ser chadianos de nascimento e ter pais chadianos, não possuir outra nacionalidade, conservar os direitos cívicos e políticos, cumprir os requisitos de saúde e conduta moral e satisfazer as condições de residência. O processo de candidatura inclui prova de nacionalidade e nascimento, comprovativo de residência, certificado médico emitido há menos de três meses, certificado de registo criminal, declaração programática e um depósito de 10.000.000 FCFA. Um candidato presidencial independente tem de recolher pelo menos 24.000 assinaturas em pelo menos 12 províncias, com 2.000 assinaturas por província. Os candidatos parlamentares têm de ter pelo menos 25 anos. Para as eleições presidenciais de 2024, as candidaturas foram apresentadas entre 6 e 15 de março; foram apresentados 20 processos e 10 candidatos foram aprovados. Numa assembleia de voto regular, a votação decorre geralmente das 06:00 às 17:00. A mesa de cinco membros é constituída por presidente, vice-presidente, secretário e dois escrutinadores. O eleitor apresenta prova de identidade, é identificado no caderno eleitoral, marca o boletim em segredo na cabine, assina ou é registado na documentação da assembleia e recebe tinta indelével. Foi observada votação antecipada para forças de defesa e segurança e eleitores nómadas. A aplicação atual do voto no estrangeiro e de outros regimes especiais não está suficientemente documentada. A monitorização detetou assembleias de voto sem cadernos afixados, nomes incompatíveis com os documentos de identidade, boletins ou materiais em falta ou incorretos e votação em folhas soltas. Em muitas zonas observadas, não existiam assembleias itinerantes para eleitores nómadas. O voto por procuração foi aplicado de forma inconsistente e por vezes em desacordo com o procedimento. Os relatos também descreveram pressão ou influência de membros das forças de segurança e alegações de voto múltiplo, embora a votação tenha sido geralmente calma nas zonas observadas. Partidos, observadores e eleitores podem documentar problemas através dos canais eleitorais e judiciais aplicáveis. A contagem é pública na assembleia de voto e os votos são lidos em voz alta. A campanha das eleições legislativas, provinciais e comunais de 2024 decorreu de 7 a 27 de dezembro, após a publicação faseada das listas de candidatos. Os resultados provisórios legislativos e locais foram comunicados em 11 de janeiro de 2025. A CNDH comunicou resultados definitivos em 21 de janeiro, enquanto um calendário da ANGE na Web indicava 3 de fevereiro, criando uma discrepância de datas documentada. A Cour suprême analisou 227 petições relativas às eleições provinciais e comunais, e o processo judicial específico prevalece em qualquer litígio individual. Na Assembleia Nacional, o MPS ganhou 124 dos 188 lugares, enquanto o RNDT-Le Réveil ganhou 12, o RDP 8 e o UNDR 7; estavam representados 38 partidos e as mulheres detinham 64 lugares, ou 34%. As eleições para o Senado realizaram-se em 25 de fevereiro de 2025: o MPS ganhou 43 dos 46 lugares eleitos, o RNDT-Le Réveil ganhou 2 e a URD ganhou 1; o presidente nomeou 23 senadores. As mulheres ocupavam 25 dos 69 lugares no Senado, ou 36,2%. Vários partidos da oposição boicotaram as eleições para o Senado. A CNDH comunicou uma participação superior a 70% nas eleições presidenciais de 2024. O quadro eleitoral protege o direito de votar e de se candidatar, a participação igualitária, o voto secreto, a presença de partidos e observadores e as impugnações constitucionais. A CNDH recomendou uma administração e conduta das forças de segurança mais neutras, educação eleitoral reforçada, assembleias de voto mais acessíveis a pessoas com deficiência, melhor representação de mulheres e jovens e publicação e análise mais transparentes dos resultados.
Eleições no Chade
O Chade tem um sistema eleitoral formal estabelecido para eleger o presidente, o Parlamento, os conselhos provinciais e os conselhos comunais. Os cidadãos com 18 anos ou mais podem votar se conservarem os direitos cívicos e políticos e estiverem inscritos nos cadernos eleitorais. O sistema prevê voto secreto e contagem pública, mas a monitorização documentou listas em falta, discrepâncias de identidade, material incorreto e outros problemas de implementação.
Dica
Considere o sistema eleitoral do Chade formalmente estabelecido, mas irregular na prática. Se pretende votar, candidatar-se, observar a votação ou contestar um resultado, confirme as instruções atuais junto da ANGE e mantenha registos próprios, em vez de confiar em datas ou procedimentos anteriores. As verificações antecipadas são importantes porque já foram documentadas listas em falta, discrepâncias de identidade e material incorreto.

