O sistema de justiça penal do Chade segue uma tradição jurídica principalmente romano-germânica, com elementos inquisitórios e acusatórios. O princípio da legalidade significa que uma conduta só pode ser punida segundo uma norma penal que vigorava quando ocorreu, e a responsabilidade penal em geral cabe à pessoa que cometeu, tentou cometer ou auxiliou a infração. A presunção de inocência, o direito de defesa e o direito de contestar decisões são princípios reconhecidos. O Código Penal classifica as infrações como crimes, delitos ou contravenções; a classificação afeta a investigação, o tribunal competente e as possíveis sanções. O Código abrange infrações contra a nação e a ordem pública, pessoas e grupos, propriedade, conduta em tempo de guerra, tráfico de pessoas, tortura, violência sexual, trabalho forçado, casamento infantil, mutilação genital feminina e outras condutas. Empresas podem incorrer em responsabilidade penal, mas o Estado está excluído dessa regra. O Código Penal também trata de tentativa, cumplicidade e reincidência. Uma queixa ou denúncia pode ser apresentada à polícia judiciária ou ao Ministério Público. Os agentes da polícia judiciária, conhecidos como OPJ, apuram infrações, recolhem provas e procuram suspeitos, enquanto o Ministério Público dirige ou coordena a ação penal pública. A custódia policial, chamada garde à vue, em geral é limitada a 48 horas segundo o quadro de 2025–2026. Uma prorrogação exige decisão judicial fundamentada; fins de semana e feriados são geralmente excluídos, salvo em caso de crime ou delito flagrante. Uma pessoa com residência conhecida geralmente recebe proteção adicional contra a custódia, sujeita às condições jurídicas aplicáveis. No primeiro interrogatório, a pessoa deve ser informada do direito de escolher livremente um advogado. O advogado pode acompanhar interrogatórios, acareações e buscas, examinar o registro e apresentar observações, e pode comunicar-se em privado após a custódia ou a imputação formal. A assistência jurídica gratuita existe na lei, mas seu acesso e financiamento são desiguais. O Ministério Público pode arquivar uma queixa, levar o caso diretamente a julgamento ou requerer investigação. A investigação preparatória é obrigatória para crimes e pode ser usada em certos delitos. Um juiz de instrução pode encerrar o caso sem encaminhá-lo a julgamento, remetê-lo ao tribunal correcional ou enviá-lo à câmara de instrução. Em geral, o Tribunal de Grande Instance julga delitos e contravenções, enquanto a Cour criminelle julga crimes com júri. Um juiz de paz pode tratar de casos de menor gravidade em localidades menores. Os recursos são julgados pelo Tribunal de Apelação e sua câmara de instrução, enquanto a cassação cabe à Cour Suprême. Em geral, os julgamentos são públicos, e a lei prevê meios para contestar decisões. Em regra, a ação penal prescreve após 10 anos para crimes, 3 anos para delitos e 1 ano para contravenções, sem prejuízo das regras aplicáveis de interrupção ou suspensão. A prisão preventiva, chamada détention préventive, deve ser excepcional. Em casos correcionais, pode durar até seis meses, com uma prorrogação possível de mais seis meses; em casos criminais, pode durar um ano, com até duas prorrogações adicionais de seis meses. Depois do encaminhamento do caso a julgamento, o prazo máximo é geralmente de quatro meses. As sanções disponíveis incluem prisão, multas, prisão perpétua, confisco, proibições e dissolução de pessoa jurídica, além de mecanismos de liberdade condicional e reabilitação. A pena de morte foi retirada do Código Penal, e a Lei n.º 003/PR/2020 eliminou a última exceção relativa ao terrorismo. Um decreto de 23 de junho de 2025 criou uma comissão para examinar uma possível restauração, mas a pesquisa disponível não estabelece que ela tenha ocorrido. Formalmente, as prisões separam homens e mulheres e pessoas em prisão preventiva das condenadas, mas há problemas documentados de superlotação, falta de serviços de saúde e lentidão dos processos; em 2024, a CNDH informou que uma unidade de Moundou abrigava 730 presos em instalações projetadas para 600 vagas. Uma pessoa prejudicada pode apresentar uma queixa que contribua para iniciar a ação penal pública e formular um pedido civil no processo criminal. A partie civile é a parte prejudicada que participa no processo penal para pedir reparação por danos materiais ou imateriais diretos. A legislação de assistência jurídica prevê acesso à justiça, mas sua implementação é desigual. Em casos de tráfico de pessoas, mecanismos nacionais de encaminhamento, procedimentos padrão e o plano de ação nacional 2024–2026 conectam as vítimas principalmente aos serviços de ONGs e organizações internacionais. Mecanismos de proteção a vítimas de violência também podem oferecer encaminhamentos médicos, psicológicos e jurídicos. Acordos informais de diya são usados em algumas comunidades e foram regulamentados em 2019, mas o direito penal prevalece sobre um acordo informal quando há responsabilidade criminal. Crianças com menos de 13 anos estão sujeitas a medidas de assistência, proteção e educação, em vez de punição criminal. Dos 13 anos até antes dos 18, os casos são regidos pelo sistema de justiça juvenil, incluindo juiz da infância, defesa obrigatória, audiências fechadas e proteção da identidade da criança. Não é permitida investigação acelerada, a custódia é limitada a 10 horas e a detenção deve ser último recurso. A prisão preventiva é geralmente limitada a seis meses, com uma prorrogação adicional de seis meses para um crime. A pena não pode exceder metade do mínimo legal, e a pena de morte não se aplica. Crianças detidas devem ficar separadas dos adultos. Medidas alternativas e não privativas de liberdade estão em desenvolvimento, embora haja poucas instalações especializadas. As infrações rodoviárias são regidas principalmente pelo Código da Estrada da Lei n.º 027/PR/2017. O Ministério dos Transportes e a ONASER supervisionam sua implementação, enquanto a polícia de trânsito, a polícia judiciária e o Ministério Público aplicam as regras. Excesso de velocidade, uso de álcool ou drogas, uso do telefone ao volante, obrigações de capacete e cinto de segurança e sinais de trânsito podem levar a medidas que vão de advertência ou multa a prisão, dependendo da infração. Um acidente de trânsito pode gerar tanto processo penal quanto ação civil pela pessoa ferida. As infrações digitais são tratadas principalmente pela Lei n.º 009/PR/2015 sobre cibersegurança e cibercrime, que abrange acesso ou interceptação ilegais, interferência em dados ou sistemas, uso indevido de dispositivos e tratamento ou preservação de provas eletrônicas. A ANSICE é responsável pela cibersegurança e certificação, enquanto a ARCEP regula as telecomunicações. A proteção de dados prevista na Lei n.º 007/PR/2015 é um quadro jurídico adjacente, e não um ramo separado do direito penal.
Direito penal no Chade
O direito penal no Chade define infrações, responsabilidade individual, investigações, julgamentos, sanções e os direitos de pessoas acusadas, condenadas e prejudicadas. O quadro principal é formado pela Constituição de 17 de dezembro de 2023, pelo Código Penal da Lei n.º 001/PR/2017 e pelo Código de Processo Penal da Lei n.º 012/PR/2017. Ele distingue crimes, delitos e contravenções, e os casos são tratados pela polícia ou gendarmaria judiciária, pelo Ministério Público, por juízes de instrução e por tribunais criminais. A pena de morte está atualmente abolida, embora uma comissão criada em 2025 tenha sido encarregada de examinar uma possível restauração; segundo a pesquisa disponível, não foi estabelecida sua restauração.
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