O Butão está dividido em 20 distritos, cada um chamado distrito (Dzongkhag). No nível local, a assembleia distrital (Dzongkhag Tshogdu), a assembleia de subdistrito (Gewog Tshogde) e a assembleia municipal (Thromde Tshogde) trabalham com membros eleitos. Um subdistrito (Gewog) é composto por unidades de aldeia; uma unidade de aldeia (Chiwog) inclui, entre outros, o chefe de um Gewog (Gup), o vice-chefe de um Gewog (Mangmi) e o representante local (Tshogpa), enquanto um município (Thromde) é liderado pelo chefe de um Thromde (Thrompon). As assembleias distritais reúnem-se pelo menos duas vezes por ano, enquanto as assembleias de subdistrito e municipais se reúnem pelo menos três vezes. Questões públicas locais podem ser apresentadas à administração local responsável. Cidadãos butaneses podem votar a partir dos 18 anos, desde que possuam um Cartão de Cidadania e estejam registados no círculo eleitoral há pelo menos um ano. Os tribunais estão abertos a todas as pessoas; no entanto, os cidadãos que não sejam butaneses não têm os mesmos direitos políticos que os cidadãos butaneses. A Constituição protege os cidadãos butaneses contra a discriminação com base em raça, sexo, idioma, religião, política ou outra condição e garante, entre outros, a liberdade de expressão, o acesso à informação, a liberdade religiosa e o direito à reunião e associação pacíficas. Exige que todos protejam o ambiente, a cultura e os bens públicos, prestem assistência às vítimas de acidentes e catástrofes e atuem contra a violência ou os abusos. Costumes informais podem influenciar as interações quotidianas, mas não têm força de lei própria. O budismo é considerado o património espiritual do Butão; ao mesmo tempo, o Estado protege todas as religiões. As instituições e personalidades religiosas permanecem politicamente separadas. A autoridade para as organizações religiosas (Chhoedey Lhentshog) regista organizações religiosas e tem como objetivo salvaguardar a harmonia religiosa; uma decisão de registo não deve demorar mais de seis meses. As instituições religiosas incluem o corpo monástico (Dratshang), o templo (Lhakhang), a comunidade religiosa (Goendey) e o templo hindu (Hindu Mandir). A naturalização exige, entre outras condições, pelo menos 15 anos de residência legal, conhecimento de dzonga, conhecimento da cultura e da história butanesas e renúncia à nacionalidade anterior. Não há comprovação de um canal uniforme a nível nacional para a inclusão local. As regras ambientais e de poluição aplicam-se aos espaços públicos e abrangem também o ruído e a poluição visual e física. Nos termos dos Regulamentos de Prevenção e Gestão de Resíduos, o Thromde organiza a separação, recolha, processamento, transporte e eliminação de resíduos. As comunidades, os Thumis ou Tsogpas eleitos e a Polícia Real do Butão trabalham em conjunto. As infrações podem ser comunicadas à Autoridade Local responsável ou à Polícia Real do Butão. A Hora Lixo Zero é uma atividade de limpeza de uma hora no segundo dia de cada mês. Em Thimphu, a Divisão Municipal do Ambiente também gere resíduos, parques, espaços abertos, reservas de utilização e Voluntários Comunitários para os Resíduos. Não existem regras uniformes para utilizar todos os espaços públicos; os requisitos e procedimentos locais podem variar. Os conflitos podem ser resolvidos primeiro por meio de um acordo. A Lei de Resolução Alternativa de Litígios de 2013 também permite a negociação e a arbitragem através do centro independente de resolução alternativa de litígios (Bhutan ADR Centre). As regras dos governos locais continuam a aplicar-se aos litígios locais. Os custos e a duração dependem do caso e do procedimento escolhido; não há comprovação de uma tarifa privada uniforme a nível nacional para a mediação de conflitos entre vizinhos. Em casos de violência numa relação doméstica, a Lei de Prevenção da Violência Doméstica abrange violência física, sexual, emocional e económica. A denúncia pode ser apresentada pela vítima, por uma pessoa que procure proteção, pelo cuidador de um menor, por um agente de proteção ou de assistência social, por uma instituição de ensino ou pela polícia por iniciativa própria. A denúncia pode ser feita oralmente, por escrito ou por outro canal de comunicação e é tratada confidencialmente. Uma ordem provisória de proteção pode, em certas condições, ser emitida sem audiência prévia; a resposta ao pedido não deve demorar mais de 15 dias, e uma ordem de proteção pode permanecer válida por até nove meses. A Polícia Real do Butão e os tribunais executam as ordens de proteção. A Comissão Nacional para Mulheres e Crianças presta serviços jurídicos e de proteção e pode encaminhar casos à polícia, aos tribunais, às administrações locais ou a organizações da sociedade civil. Em caso de perigo iminente, a Polícia Real do Butão pode ser contactada pelo número 113. A informação atual sobre a linha de apoio para mulheres e crianças 1098 deve ser novamente verificada antes de ser utilizada, pois as informações oficiais não são consistentes. As organizações da sociedade civil e as organizações de benefício público complementam os serviços do Estado e podem promover a harmonia social e a Felicidade Nacional Bruta. No entanto, não podem realizar atividades eleitorais ou políticas diretas nem incitar hostilidade com base em raça, sexo, idioma, religião ou região. A Autoridade para Organizações da Sociedade Civil decide sobre os registos no prazo máximo de seis meses. Friends of Police é um programa voluntário de policiamento comunitário (Friends of Police) destinado a cidadãos adultos e a pessoas que não sejam butanesas e vivam no Butão; o registo é feito online e a integração dura um dia. A Polícia Real do Butão também está a desenvolver estratégias de policiamento comunitário. Para a convivência em habitação arrendada, aplicam-se apenas as partes da Lei do Arrendamento de 2015 e dos Regulamentos e Regras de Arrendamento de 2021 relacionadas com a convivência. Entre outros direitos, os inquilinos têm direito à privacidade, ao uso pacífico, a habitação adequada e à proteção contra a rescisão ilegal. Devem eliminar os resíduos corretamente e manter condições de higiene. Os litígios de arrendamento devem primeiro ser resolvidos por acordo; depois, uma Comissão de Resolução de Litígios a nível distrital, municipal ou de subdistrito poderá ter competência. Pode ser interposto recurso de uma decisão perante o Tribunal Real no prazo de dez dias úteis. Não há comprovação de um canal uniforme a nível nacional para conflitos entre colegas de casa. Em conflitos e abusos digitais, aplicam-se, entre outras normas, a Lei de Informação, Comunicações e Meios de Comunicação de 2018, a Estratégia Nacional de Cibersegurança 2024-2029 e a Lei NDI de 2023. Estas normas dizem respeito à privacidade online, aos dados pessoais, à comunicação com crianças, às comunicações obscenas, ao cibercrime, às transações eletrónicas e ao controlo das credenciais de acesso digital e das violações de dados. A equipa nacional de resposta a incidentes cibernéticos (BtCIRT) também aceita denúncias anónimas de incidentes cibernéticos. A Unidade de Investigação de Cibercrime da Polícia Real do Butão trata, entre outras questões, de fraude, pirataria informática e roubo de identidade. Não existe um serviço de mediação separado para a convivência digital; dependendo do caso, podem estar envolvidos o BtCIRT, a polícia, a Comissão Nacional para Mulheres e Crianças ou a PEMA e o prestador de serviços relevante. Não há comprovação de taxas gerais para aceder a serviços locais relacionados com a convivência. As taxas, os prazos e os procedimentos podem variar para registos, processos de arrendamento, resolução alternativa de litígios e serviços administrativos locais.
Viver em comunidade no Butão
A vida em comunidade no Butão é moldada pelos governos locais, pelas comunidades, pelas instituições religiosas e pelos órgãos estatais de proteção. Os governos locais eleitos tratam de questões públicas, envolvem organizações comunitárias e atuam nos níveis distrital, de subdistrito e municipal. As regras sobre resíduos, espaços públicos, arrendamento, segurança digital e conflitos variam conforme a jurisdição e o procedimento. A Constituição protege a igualdade e os direitos dos cidadãos e exige que todos protejam o ambiente, a cultura e os bens públicos.
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