O Burundi situa-se na região dos Grandes Lagos e do Rift Albertino. As suas principais paisagens naturais incluem a Crista Congo-Nilo, as planícies de Imbo e Rusizi, o litoral do lago Tanganica, o complexo de lagos e pântanos de Bugesera, a depressão de Kumoso ou Mosso-Malagarazi e as savanas orientais. Florestas montanas, bosques de miombo, florestas-galeria, pântanos de papiro, corredores fluviais e ecossistemas lacustres sustentam diferentes espécies e funções ecológicas. As áreas protegidas (aires protégées) são estabelecidas e geridas legalmente através do sistema nacional. O Ministério do Ambiente, da Agricultura e da Pecuária define as políticas, enquanto o Escritório Burundês para a Proteção do Ambiente (Office Burundais pour la Protection de l’Environnement) é responsável pela criação e gestão das áreas protegidas, pela fiscalização e pelo acompanhamento da biodiversidade. As administrações provinciais, comunais e locais trabalham com as comunidades, e a Comissão Nacional do Burundi para a UNESCO (COMNAT) participa nas candidaturas internacionais. Os totais dos inventários dependem da base legal ou de listagem: um inventário nacional funcional regista 14 áreas protegidas, enquanto uma página relativa a uma lei de 2011 refere 16, incluindo o Arboreto de Bujumbura. As quatro zonas húmidas Ramsar abrangem 78.515 hectares: Rusizi, Ruvubu, Paisagem Aquática Protegida do Norte (Paysage Aquatique Protégé du Nord) e Malagarazi. O estatuto Ramsar apoia o uso racional, a manutenção do caráter ecológico e a consulta quando as zonas húmidas atravessam fronteiras nacionais. O Parque Nacional de Kibira cobre cerca de 40.000 hectares na Crista Congo-Nilo, entre aproximadamente 1.600 e 2.700 metros, e liga-se à paisagem de Nyungwe, no Ruanda. A sua floresta tropical montana, o bambu e os pântanos de altitude regulam a água das regiões de Imbo e dos planaltos e contêm mais de 644 espécies de plantas, cerca de 98 espécies de mamíferos, aproximadamente 200 espécies de aves e 10 espécies de primatas, incluindo o chimpanzé. O Parque Nacional de Ruvubu cobre 50.800 hectares ao longo de um corredor fluvial de 62 quilómetros. As suas savanas arborizadas, campestres e herbáceas, florestas-galeria e pântanos de papiro proporcionam habitat para hipopótamos, búfalos, sitatungas, leopardos e crocodilos-do-Nilo, além de 421 espécies de aves registadas, 44 espécies de mamíferos e 14 espécies de peixes. O Parque Nacional de Rusizi cobre 10.673 hectares na planície de Imbo e no delta do Tanganica. O seu delta, as formações de palmeiras e o corredor de ligação abrigam hipopótamos, sitatungas, cerca de 350 espécies de aves residentes e migratórias, 44 espécies de peixes fluviais, 11 espécies de peixes de lagoa e 17 espécies de anfíbios. O parque é também uma importante área de reprodução de peixes; o seu plano de gestão atual abrange 2025 a 2029 e inclui infraestruturas para visitantes e ecoturismo. A Paisagem Aquática Protegida do Norte cobre 16.242 hectares em Kirundo e Bugesera. Inclui oito lagos, a Floresta de Murehe, com 3.075 hectares, e pântanos de papiro com plantas aquáticas como Nymphaea e Potamogeton. Rwihinda é conhecida como o lago das aves, enquanto a agricultura, a pesca, a erosão e a sobre-exploração dos recursos moldam as pressões locais; o seu plano de gestão abrange 2025 a 2034. A zona húmida protegida de Malagarazi situa-se na depressão de Kumoso, perto da fronteira com a Tanzânia, e liga savanas, florestas-galeria, pulsos de inundação e habitats de peixes da bacia do Congo. Bururi, Monge, Rumonge, Vyanda e Kigwena protegem diferentes tipos de florestas montanas, de miombo e de terras baixas, enquanto Gisagara e as paisagens protegidas em torno de Mabanda, Nyanza-Lac e Mukungu-Rukambasi contêm savanas, miombo e florestas-galeria. Os inventários de espécies continuam incompletos em várias destas áreas menores. As Cataratas de Karera e as Falhas de Nyakazu têm o estatuto de Monumento Natural. As pessoas utilizam os recursos das áreas protegidas para agricultura, pesca, pastoreio, plantas medicinais, alimentos silvestres, cogumelos, bambu, papiro, lenha, carvão vegetal, madeira para construção, mel e serviços de água ou transporte. Uma portaria de 2022 regula o uso de recursos biológicos nas áreas protegidas e nas áreas naturais. As orientações do OBPE resumem as proibições de caça, pesca e corte de madeira dentro das áreas protegidas, enquanto o cultivo nas proximidades das áreas protegidas está limitado a terrenos situados além de 1.000 metros; a extração autorizada de recursos indispensáveis pode ser possível para as populações vizinhas, segundo as regras aplicáveis. Disputas de limites, povoamento e expropriações anteriores, danos às culturas, conflitos entre pessoas e animais selvagens, partilha limitada de benefícios e consulta insuficiente geram tensões, incluindo em torno de Kibira e Rusizi. A desflorestação, o avanço agrícola, a produção de carvão vegetal, o corte ilegal de madeira, os incêndios, o sobrepastoreio, a caça furtiva, a mineração, as infraestruturas, os resíduos, a poluição, a erosão e o assoreamento afetam os ecossistemas. As secas, inundações e deslizamentos de terra podem tornar-se mais frequentes ou graves à medida que as condições climáticas mudam, enquanto entre as plantas invasoras se encontram Lantana camara, Eichhornia crassipes e Sericostachys scandens. A observação de aves, a observação de hipopótamos, os passeios guiados e a educação ecológica são usos em desenvolvimento. Ruvubu promove visitas guiadas curtas, Kibira tem pontos de acesso em Busekera e Rwegura, e Rusizi situa-se perto de Bujumbura, mas não foi localizado nenhum tarifário nacional atual nem um calendário de horários de abertura. A estratégia de biodiversidade do Burundi para 2021 a 2030, os planos das áreas protegidas para 2025 a 2029 e 2025 a 2034, a restauração, a demarcação de limites, a remoção de espécies invasoras, a monitorização, a cogestão comunitária e os meios de subsistência alternativos moldam o trabalho atual de conservação. A cooperação com o Ruanda, a Tanzânia e a República Democrática do Congo continua relevante quando os ecossistemas, a fauna ou os rios atravessam fronteiras.
Natureza no Burundi
O Burundi reúne florestas tropicais montanas, zonas de bambu, savanas, florestas-galeria, pântanos de papiro, deltas fluviais e o litoral do lago Tanganica. As áreas protegidas conservam a biodiversidade, regulam a água, apoiam a pesca e fornecem recursos utilizados pelas comunidades vizinhas. A sua gestão também envolve restrições de acesso, meios de subsistência locais, riscos ecológicos e cooperação transfronteiriça.
Dica
Escolhe a área protegida de acordo com o teu objetivo concreto e confirma diretamente no local o acesso, o acompanhamento, as taxas e as autorizações. Não consideres automaticamente permitida a utilização de madeira, peixe, pastagens, plantas ou outros recursos; verifica as regras da área específica e as possíveis exceções. Em projetos com comunidades, agricultura, infraestruturas ou águas transfronteiriças, é importante documentar a coordenação com as autoridades responsáveis e as comunidades afetadas.

