O levantamento preliminar de população e habitação de 2024 (RGPHAE) registrou 12.332.788 habitantes e 2.251 pessoas sem moradia. Os tipos de habitação incluem casas comuns, casas geminadas, vilas simples e de vários andares, apartamentos, casas de fazenda e casas e cabanas tradicionais. Em 2020, 89,4% das paredes e 86,1% dos telhados eram feitos de bons materiais, mas apenas 15,7% dos pisos eram considerados bons em todo o país; nas cidades, o número era de 65,2% e, nas áreas rurais, de 9,7%. Adobe, tijolos, chapas metálicas, telhas e palha são comuns, dependendo da região e do método de construção. A propriedade é especialmente predominante nas áreas rurais: em 2020, 89,3% dos domicílios rurais viviam em habitação própria, contra 44,0% nas cidades. Em todo o país, 9,1% dos domicílios alugavam a moradia, contra 46,4% nas cidades e 4,6% nas áreas rurais; 6,3% usavam moradia gratuitamente. Em Bujumbura e outras cidades, os preços dos terrenos, o acesso, a água, a eletricidade, a drenagem e os riscos de inundação influenciam particularmente as condições habitacionais. As fontes primárias analisadas não estabelecem um sistema nacional uniforme de aluguéis sociais ou controle de aluguel; os programas de habitação social ou assentamentos integrados dependem de projetos e grupos-alvo específicos. Ao comprar ou construir, a cadeia de propriedade deve ser verificada. Isso pode envolver um título fundiário (titre foncier) ou certificado fundiário (certificat foncier), documentos de identidade, limites do imóvel, ônus, escritura de compra e análise por um notário. A autoridade de títulos fundiários e cadastrais (DTFCN) e o Cadastro Nacional (Cadastre National) mantêm registros e títulos; para direitos que ainda não foram registrados, o serviço fundiário comunal (Service Foncier Communal) e a comissão de reconhecimento em nível de colina (Commission de reconnaissance collinaire) podem ser responsáveis. Um certificado fundiário confirma um direito real, enquanto os demais direitos são documentados no registro comunal. Sem um serviço comunal estabelecido, um município não pode emitir esse certificado. Os direitos consuetudinários de uso são difundidos localmente, mas muitas vezes não são documentados e, por isso, são mais difíceis de provar. Novas construções, ampliações e alterações substanciais geralmente exigem uma licença de construção. O pedido é apresentado por meio da Autoridade de Habitação do Burundi (OBUHA) ou do balcão único (Guichet Unique) e pode exigir plantas, uma carta de atribuição (lettre d’attribution) ou título, um extrato cadastral, levantamento topográfico, informações sobre uma fossa séptica (fosse septique) ou um poço de infiltração (puits perdu), um orçamento e regras de uso. Edifícios de vários andares podem exigir um estudo geotécnico e cálculos estruturais. A autoridade informa que o seguro de responsabilidade civil da construção é obrigatório a partir de um orçamento estimado de 100.000.000 FBu. Sem licença, podem ocorrer paralisação da obra, sanções, modificações posteriores ou, quando aplicável, demolição; não há evidência de um prazo uniforme de processamento em todo o país. O sistema governamental de licenças de construção permite solicitações digitais desde 2024, embora o status e as taxas dependam do portal e do procedimento aplicáveis. As moradias para aluguel normalmente são encontradas por meio de locadores particulares, agentes ou redes pessoais. Antes de efetuar um pagamento, o aluguel em FBu, o calendário de pagamentos, o pagamento antecipado ou depósito, os custos adicionais, os reparos, o subaluguel, a rescisão e a entrega do imóvel devem ser registrados por escrito. Também devem ser verificados a propriedade ou autorização do locador, os recibos, as fotografias, as leituras dos medidores, as ligações de água e eletricidade, o saneamento, a drenagem, os riscos de inundação e a segurança do edifício. A referência anterior ao Decreto-Lei n.º 1/25 de 30.07.1977 (Décret-Loi n°1/25) está marcada como revogada; portanto, antigos limites de aluguel ou prazos não devem ser adotados sem verificação atual. As obrigações do inquilino e do locador dependem do contrato e da legislação aplicável, de modo que afirmações gerais sobre depósitos, prazos de aviso ou reembolso não são confiáveis. Para compras, construção, aquisição de terras ou desenvolvimento de moradias para aluguel, o KCB oferece um produto de crédito habitacional para burundeses que vivem no Burundi, pessoas da diáspora e não burundeses que vivem no país. O prazo máximo para fins habitacionais é de 20 anos, e o financiamento geralmente se estende a até 75% do valor; para Bujumbura, o produto indica até 75%, enquanto para Gitega e Ngozi indica 60%. Segundo as informações do produto, a taxa de juros começa em 14%. Os documentos normalmente exigidos incluem plantas aprovadas, licença de construção, título ou pesquisa oficial, avaliação, comprovante de renda, extratos bancários e seguro. A aprovação, a taxa de juros e a capacidade de pagamento dependem do produto e da avaliação individual. Após uma venda ou transferência, a cadeia documental deve permanecer completa. O registro da transferência de propriedade (mutation) junto ao serviço fiscal comunal deve ser concluído no prazo de um mês, de acordo com as informações analisadas. Para um certificado fundiário, o pedido e o original ou uma cópia autenticada são apresentados; o certificado antigo é cancelado e um novo é emitido, e podem ser cobradas taxas comunais conforme a tarifa local. O registro digital georreferenciado de proprietários de imóveis (RPPCUB), lançado em 2026, inicialmente registra proprietários de terras e imóveis em Mugere, Mukaza, Ntahangwa, Gitega, Ngozi e Rumonge. Seu objetivo é criar um registro digital georreferenciado de proprietários e ele não equivale a um certificado de locação ou posse.
Habitação no Burundi
A habitação no Burundi inclui aluguéis privados, propriedade, moradia gratuita, construção própria e direitos de uso reconhecidos localmente. Em 2020, 84,4% dos domicílios em todo o país viviam em habitação própria, enquanto o aluguel era particularmente comum nas cidades. A qualidade da habitação, a segurança da terra, os serviços públicos e as licenças de construção variam significativamente conforme o local e o imóvel.
Dica
Trate a comprovação de propriedade ou locação, as condições do imóvel e os custos contínuos como verificações separadas no Burundi. Alugar costuma proporcionar acesso mais fácil nas cidades, enquanto comprar ou construir por conta própria depende mais dos documentos fundiários, das licenças e do financiamento. Só faça pagamentos depois que o contrato, os documentos comprobatórios, a entrega do imóvel e as ligações de serviços públicos tiverem sido claramente documentados.

