A Constituição do Burundi protege o direito a uma audiência justa em prazo razoável, o princípio de que uma conduta deve ser criminalizada por lei, a proibição da punição penal retroativa, o direito de defesa, a presunção de inocência, os processos públicos e a proteção contra a detenção arbitrária e a interferência. A competência territorial geralmente segue o local da infração e outras regras legais. O Burundi também pode processar certas infrações cometidas no exterior quando estiverem preenchidas condições como a nacionalidade do autor ou a existência de uma vítima burundiana e a dupla incriminação. O Código Penal revisado foi estabelecido pela Lei nº 1/27, de 29 de dezembro de 2017. A Lei nº 1/09, de 11 de maio de 2018, rege o processo penal. A legislação especial acrescenta regras sobre violência baseada no gênero, proteção de vítimas e testemunhas, cibercrime e trânsito rodoviário. As infrações penais incluem violência e homicídio, tortura, crimes sexuais, sequestro, crimes contra o patrimônio, corrupção e infrações cometidas por agentes públicos, tráfico de pessoas, crimes contra a segurança do Estado, genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e delitos digitais. Uma queixa, denúncia ou comunicação pode ser recebida por um agente da Polícia Judiciária (OPJ), da Polícia Judiciária (Police Judiciaire), ou pelo Ministério Público. O Procurador da República (Procureur de la République) dirige ou supervisiona o trabalho do OPJ e decide como o caso prosseguirá. O Ministério Público também pode agir com base em informações sobre uma infração sem esperar uma queixa particular, especialmente em casos de crimes sexuais. Agentes públicos que tomem conhecimento de uma infração podem ter de comunicar ou transmitir a informação sem demora. Os casos de flagrante delito seguem um procedimento especial acelerado. Durante uma detenção policial para investigação aprofundada (garde à vue) comum, a detenção pode durar até sete dias e ser prorrogada uma vez pelo Ministério Público. Antes do interrogatório, o suspeito deve ser informado sobre os direitos relevantes. O suspeito pode ter um conselheiro jurídico (Conseil) ou um advogado (Avocat), comunicar-se livremente e permanecer em silêncio sem a presença de um advogado. A retenção temporária especial por intoxicação, verificação de identidade ou condição mental perigosa está limitada a 24 horas. Um mandado de prisão provisória pode durar até 15 dias. A prisão preventiva exige fundamentos suficientes para a suspeita, uma infração punível com pelo menos um ano de prisão e um interesse na detenção reconhecido pelas regras aplicáveis. Uma ordem judicial dura inicialmente 30 dias, e cada prorrogação deve ser fundamentada e renovada mensalmente. Segundo o sistema do Código de Processo Penal descrito, o máximo é de um ano para uma infração cuja pena máxima seja de cinco anos e, nos demais casos, de até três anos. A libertação é a regra e a detenção é uma exceção, mas o cálculo exato deve ser conferido com base na classificação atual da infração e no processo. O Ministério Público pode encaminhar um caso para investigação ou diretamente ao tribunal competente. Os tribunais comuns incluem o Tribunal de Residência (Tribunal de Résidence), o Tribunal de Grande Instância (Tribunal de Grande Instance), o Tribunal de Apelação (Cour d’Appel) e o Tribunal Supremo (Cour Suprême), aplicando-se tribunais ou câmaras especiais quando a lei assim determinar. As audiências são geralmente públicas, embora a lei ou o tribunal possam ordenar uma audiência fechada. As sentenças devem ser fundamentadas e proferidas publicamente. O Código prevê vias como oposição, recurso e cassação, com prazos e requisitos de admissibilidade que dependem do caso. Um procedimento separado de confissão de culpa, admissão e declaração de culpa (aveu et plaidoyer de culpabilité), exige uma admissão detalhada e análise pelo Ministério Público dentro do prazo máximo aplicável de 30 dias. Se a admissão for rejeitada, o procedimento comum continua, e a admissão rejeitada não pode ser usada como prova. A vítima pode apresentar uma queixa ao OPJ ou ao Ministério Público e tornar-se parte civil (partie civile) desde o encaminhamento do caso pelo tribunal até o fim dos debates. Em geral, é exigido um depósito processual (consignation), mas uma vítima indigente pode solicitar uma isenção mediante uma declaração de insuficiência econômica (attestation d’indigence). Uma associação aprovada pode atuar em certos casos relacionados a crimes sexuais ou violência com o consentimento da vítima ou do representante autorizado. Vítimas e testemunhas vulneráveis podem receber medidas de proteção e ser ouvidas sem confronto com o suposto autor quando a proteção assim exigir. Se o Ministério Público arquivar um caso sem prosseguimento, o denunciante, a vítima e o suspeito devem ser informados dentro do prazo aplicável, indicado nos materiais de pesquisa como no máximo duas semanas. A indenização pelo dano pode ser requerida por meio da parte civil dentro do processo penal; isso não transforma o processo penal em um processo separado de direito civil. As sanções penais incluem servidão penal (servitude pénale), multas, confisco e outras consequências legais. A prisão perpétua continua possível, enquanto a pena de morte foi abolida e a pena máxima determinada no sistema revisado é de 30 anos. A pena exata depende da infração, de sua classificação legal e das circunstâncias agravantes. O Ministério da Justiça administra as prisões e a administração da justiça penal, mas as condições prisionais e a aplicação efetiva não devem ser tratadas como idênticas ao texto das disposições penais. A responsabilidade penal começa aos 15 anos. Uma criança com menos de 15 anos não é penalmente responsável e pode estar sujeita apenas à reparação civil segundo o quadro indicado. Para pessoas de 15 a menos de 18 anos, a lei reduz as penas aplicáveis: quando a infração do adulto prevê prisão perpétua, a faixa é de cinco a dez anos; quando prevê pena determinada ou multa, o máximo é de quatro anos. Podem aplicar-se medidas de proteção, educativas e de supervisão. As autoridades devem verificar primeiro a idade, informar o pai, tutor ou responsável e um assistente social ou organização aprovada, realizar uma investigação social e usar a detenção apenas como último recurso. O interrogatório de uma pessoa menor de 18 anos sem advogado ou pessoa autorizada qualificada pode invalidar o procedimento. A Câmara de Menores (Chambre des Mineurs) do Tribunal de Grande Instância e a câmara correspondente do Tribunal de Apelação tratam dos casos juvenis, que são julgados em sessão fechada. As infrações rodoviárias são regidas pela Lei nº 1/26, de 23 de novembro de 2012, o Código da Circulação Rodoviária (Code de la circulation routière). Elas abrangem dirigir sem habilitação, álcool, excesso de velocidade, capacidades reduzidas, abandono do local, defeitos técnicos do veículo e violações de segurança ou de equipamentos. A Polícia Rodoviária (Police de roulage) ou as autoridades de segurança rodoviária podem atuar juntamente com os tribunais penais competentes. Dependendo da infração, as sanções podem combinar multas, apreensão ou retenção do veículo, retirada da habilitação e prisão. Exemplos no Código incluem 50.000 FBu por álcool acima do limite aplicável e por excesso de velocidade, e 20.000 FBu mais retirada da habilitação por capacidades reduzidas; a prática de aplicação deve ser conferida para o caso específico. A Lei nº 1/10, de 16 de março de 2022, trata do cibercrime e da prevenção relacionada. Ela abrange acesso não autorizado, manipulação ou eliminação de dados, interrupção, interceptação, software abusivo, fraude com cartões de pagamento, roubo de identidade digital, assédio ou dano on-line, rumores prejudiciais e exploração infantil ou sexual on-line. As provas eletrônicas e os poderes de investigação são relevantes, enquanto operadores e provedores têm deveres de cooperação, identificação e retenção de dados. Os exemplos indicados incluem dez a quinze anos de prisão e 20 a 30 milhões de FBu por violações da integridade dos dados, dez a quinze anos e 10 a 20 milhões de FBu por interceptação, e dois a cinco anos e 10 a 20 milhões de FBu por infrações de identidade digital. Infrações específicas de operadores podem acarretar multas de 100 a 500 milhões de FBu. O acesso geralmente ocorre por meio do OPJ, do Ministério Público (Parquet), da secretaria judicial ou do tribunal competente, com um advogado representando a vítima ou a pessoa acusada. O Ministério da Justiça administra programas de acesso à justiça e assistência jurídica, e o Tribunal Supremo identifica a assistência judiciária como um serviço. A elegibilidade, as taxas e a disponibilidade devem ser verificadas localmente, pois não foi estabelecido nenhum procedimento penal geral inteiramente gratuito. Uma parte civil também pode estar sujeita a um depósito processual, salvo quando se aplicar uma isenção por insuficiência econômica. Os prazos legais de detenção e processuais podem ser precisos, mas a duração total de um caso e a infraestrutura local variam e não devem ser prometidas antecipadamente.
Direito penal no Burundi
O direito penal no Burundi define a conduta criminosa, os poderes de investigação, os processos judiciais, as sanções e os direitos dos suspeitos, condenados e vítimas. O quadro principal é composto pelo Código Penal de 2017, pelo Código de Processo Penal de 2018 e por leis especiais sobre violência baseada no gênero, proteção das vítimas, trânsito rodoviário e cibercrime. Os agentes da Polícia Judiciária, o Ministério Público e os tribunais comuns exercem funções diferentes desde a primeira denúncia até a sentença final.
Dica
Trate uma questão penal no Burundi como um processo formal e urgente: preserve as provas, utilize a Polícia Judiciária ou o Ministério Público e obtenha assistência jurídica desde cedo. O melhor próximo passo depende de você estar denunciando um dano, defendendo-se, lidando com uma detenção ou tratando de um caso juvenil, rodoviário ou de cibercrime.

