O Burundi dispõe de uma estrutura nacional de gestão de catástrofes, mas a sua implementação prática e a cobertura dos alertas precoces variam conforme a região. A Direção-Geral da Proteção Civil e da Gestão de Catástrofes (Direction Générale de la Protection Civile et de la Gestion des Catastrophes), no Ministério do Interior, coordena com as províncias, as comunas e as autoridades administrativas. A Plataforma Nacional de Prevenção de Riscos e Gestão de Catástrofes (Plateforme Nationale de Prévention des Risques et de la Gestion des Catastrophes), o plano nacional de contingência e as estruturas locais PRGC e ORSC apoiam o planeamento e a coordenação da resposta. A Cruz Vermelha do Burundi atua como organização humanitária que apoia as autoridades estatais e realiza avaliações rápidas, resgate, abrigos de emergência, distribuição de artigos de socorro, medidas de água e saneamento, assistência em dinheiro e equipas de resposta de voluntários, entre outras atividades. Dependendo da situação, UNHCR, IOM, UNICEF, WFP e organizações não governamentais também prestam apoio. Os riscos mais frequentes incluem cheias de rios, causadas por chuvas intensas e do lago, chuvas intensas, deslizamentos de terras e fluxos de lama, ventos fortes, granizo, seca, défices de água, terremotos e incêndios de mato ou florestais. Em Bujumbura-Mairie, Gatumba e Mutimbuzi, em torno do Lago Tanganica e do Rusizi, nas zonas fronteiriças ocidentais e orientais e nas encostas de Mumirwa, a drenagem sobrecarregada, a erosão do solo, a desflorestação e a construção informal aumentam os riscos. Famílias agrícolas, mulheres, crianças, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas deslocadas internamente e refugiados estão frequentemente particularmente expostos. O serviço hidrometeorológico do Burundi (IGEBU) produz previsões diárias, semanais e sazonais, avisos hidrológicos, informações sobre a subida do nível do Lago Tanganica e previsões para os dois dias seguintes. Os alertas podem ser divulgados pelo IGEBU, pelas autoridades administrativas e pelas estruturas comunitárias; os alertas CAP e o roteiro nacional de Alertas Precoces para Todos (Early Warnings for All) para 2024–2027 destinam-se a melhorar os alertas multirriscos. A divulgação até ao último quilómetro continua, contudo, parcialmente fraca, pelo que os alertas devem ser compreensíveis, inclusivos e imediatamente acionáveis. As medidas de preparação incluem mapas de riscos, planos locais de contingência, preparação comunitária para catástrofes, planos de evacuação com exercícios, sensibilização pública, reservas de artigos de socorro previamente posicionadas, estabilização de encostas, reflorestação e proteção das margens e da drenagem. As fontes disponíveis não estabelecem uma lista de verificação doméstica uniforme a nível nacional nem um número de telefone de emergência. Durante eventos agudos, a assistência para salvar vidas, o alojamento seguro, a água potável e o saneamento, a alimentação, a proteção, o reagrupamento familiar e a continuidade da escolaridade são prioridades. Estradas e pontes danificadas ou cortadas podem atrasar significativamente a assistência. A relocalização relacionada com riscos descreve a retirada de pessoas de uma área perigosa devido ao risco. O governo e as autoridades administrativas coordenam essas medidas, enquanto o registo e a avaliação das necessidades têm lugar nos locais de acolhimento. No caso da relocalização de Gatumba em 2024, Mubimbi e Gisagara, e mais tarde Gateri, estiveram entre os locais mencionados; a agência de habitação pública (OBUHA) forneceu abrigos de emergência e a Cruz Vermelha do Burundi apoiou o abastecimento de água. O acesso a um local de acolhimento não está estabelecido como um direito geral automático. A segurança do local, a água, a escolaridade, a terra, o rendimento e a possibilidade de regresso voluntário continuam a ser questões centrais. A assistência em caso de catástrofe é normalmente financiada pelo Estado, por doadores ou por organizações humanitárias. Pode incluir abrigos de emergência, artigos de socorro, assistência para aluguer ou reparação, água e saneamento, serviços móveis, dinheiro, proteção e espaços temporários de aprendizagem. Não estão estabelecidas taxas uniformes ou prestações de valor fixo para todas as pessoas afetadas; a assistência é normalmente gratuita para as pessoas afetadas, embora possam subsistir custos pessoais e lacunas na prestação. A assistência de emergência costuma chegar no prazo de dias ou semanas, enquanto a reconstrução e o apoio aos meios de subsistência demoram meses ou anos e continuam repetidamente subfinanciados. A recuperação pretende aumentar a resiliência e pode incluir relocalização, edifícios públicos robustos, sistemas de drenagem e controlo de cheias, dragagem dos rios, proteção das margens e dos rios, estradas, abastecimento de água, proteção do solo e das bacias hidrográficas e recuperação dos meios de subsistência. O programa Bujumbura URP (IBISAGARA BIRAMA) está associado a US$113 milhões e combina proteção contra cheias, alertas precoces e planeamento do uso do solo. Por isso, um abrigo de emergência não é automaticamente uma solução permanente. Para 2024, os relatórios disponíveis documentam, em conexão com o El Niño, chuvas intensas, cheias e deslizamentos de terras, 47 mortes, 298.222 pessoas afetadas e cerca de 47.915 pessoas deslocadas entre janeiro e junho, e mais de 126.308 pessoas afetadas por chuvas intensas, ventos fortes e cheias entre setembro e dezembro. Estes números referem-se aos respetivos períodos de reporte e não constituem uma estatística anual permanente. Devem ser seguidos os alertas e as ordens oficiais, bem como os procedimentos municipais de registo; não está estabelecido um benefício individual uniforme a nível nacional para catástrofes nem um prazo fixo nacional de evacuação.
Desastres no Burundi
Os desastres no Burundi são causados principalmente por cheias, chuvas intensas, deslizamentos de terras, tempestades, seca e escassez de água; o granizo, os terremotos e os incêndios também fazem parte do planeamento nacional de catástrofes. Bujumbura-Mairie, Gatumba e Mutimbuzi, as margens do Lago Tanganica e do Rusizi, e as bacias e encostas densamente povoadas estão particularmente expostas. A proteção depende de alertas, preparação local, assistência coordenada e, quando necessário, de uma relocalização relacionada com riscos (délocalisation), ou seja, uma mudança oficialmente apoiada para fora de uma zona de perigo.
Dica
Planeie a preparação para catástrofes de acordo com o risco no seu local específico e saia cedo de uma zona de perigo quando as autoridades ordenarem. Não dependa de um único canal de alerta e tenha em conta que o acesso à relocalização ou à assistência depende do local, com capacidade limitada e possíveis lacunas na prestação.

