As evidências locais sobre a história mais antiga do Brunei são fragmentárias, e as sequências arqueológicas datadas com segurança são limitadas. Fontes chinesas descrevem contactos ou relações tributárias desde cerca do século VI, com evidências mais sólidas a partir de aproximadamente o século X, mas os nomes P'o-li, Poli, Puni e Boni não são equivalentes em todas as fontes, e a sua identificação continua a ser controversa. A narrativa histórica oficial do Brunei remonta o sultanato islâmico a Awang Alak Betatar, que se tornou o sultão Muhammad Shah, passando por Sultan Sharif Ali, o terceiro sultão, e Sultan Bolkiah, o quinto sultão, cujo reinado, nos séculos XV e XVI, está associado à maior influência regional do sultanato. Tarsilah, também chamada Salasilah, é uma tradição genealógica malaia, enquanto Batu Tarsilah é um registo genealógico inscrito; ambos devem ser comparados com a arqueologia, a epigrafia, fontes externas e outras evidências históricas, em vez de serem tratados como formas idênticas de prova. O envolvimento europeu expandiu-se a partir do século XVI. Os conflitos, as crises dinásticas, a pirataria, a expansão do regime Brooke e a pressão colonial europeia contribuíram para perdas territoriais. Sarawak foi cedido a James Brooke em 1841, Labuan à Grã-Bretanha em 1846, e um tratado de relações comerciais foi celebrado em 1847. O Brunei tornou-se um Estado sob proteção britânica em 1888, mas descrevê-lo simplesmente como uma colónia britânica oculta o papel contínuo do sultanato. O Acordo Suplementar de 1905/1906 introduziu um Residente Britânico, e a Residência Britânica durou de 1906 a 1959. O Residente aconselhava sobre a administração, enquanto a narrativa oficial indica que os costumes, as tradições e a religião islâmica malaios permaneceram sob a autoridade do sultanato. Também funcionava um Conselho de Estado durante esse período. O petróleo transformou a história moderna do Brunei. A exploração começou com uma primeira tentativa de perfuração em 1899, foi descoberto petróleo comercial em Seria em 1929 e a primeira exportação de petróleo ocorreu em 1932. As receitas do petróleo e do gás apoiaram as infraestruturas, a administração e o desenvolvimento social, moldando também a dependência do país de uma economia baseada em recursos. O Japão ocupou o Brunei de 1941 a 1945. A reconstrução do pós-guerra incluiu a Administração Militar Britânica, seguida do primeiro plano quinquenal de desenvolvimento, de 1953 a 1958. A Constituição escrita de 1959 estabeleceu o autogoverno interno e substituiu o Residente Britânico por um Alto Comissário. Uma rebelião armada em 1962 levou à proclamação do estado de emergência ao abrigo da Lei de Emergência (Ordem Pública e Prevenção do Crime) de 1962. O sultão Omar Ali Saifuddien abdicou voluntariamente em 1967, e o sultão Hassanal Bolkiah foi coroado em 1968. Um acordo revisto em 1971 concedeu ao Brunei pleno autogoverno interno, enquanto a Grã-Bretanha manteve a responsabilidade pela defesa e pelos assuntos externos. O Brunei tornou-se plenamente soberano e independente em 1 de janeiro de 1984 e, nesse mesmo ano, aderiu à ASEAN, à Organização da Cooperação Islâmica e às Nações Unidas. Desde a independência, a interpretação histórica tem sido moldada pela continuidade dinástica, pelo Islão, pela ideologia de Estado Melayu Islam Beraja ou MIB, pelo petróleo e pelo gás, e pelas narrativas de desenvolvimento do Estado. Estas perspetivas são importantes para compreender a identidade nacional e a educação cívica, mas os historiadores também as comparam com perspetivas sociais, minoritárias, de guerra, coloniais e outras. O Pusat Sejarah Brunei recolhe histórias orais e pesquisa lugares, comunidades, instituições, monumentos, o sultanato, Kampong Ayer, Bandar Brunei, Seria e a ocupação japonesa. O Departamento de Museus do Brunei preserva artefactos e apresenta exposições de arqueologia e história. Os Arquivos Nacionais do Brunei Darussalam preservam registos governamentais e disponibilizam materiais selecionados através do e-Arkib, enquanto a Universiti Brunei Darussalam e a sua Academia de Estudos do Brunei apoiam a investigação académica. O Ministério da Educação do Brunei inclui a história nacional no ensino escolar, incluindo História do Brunei Darussalam 1800-1984. As exposições públicas e os eventos educativos estão geralmente disponíveis, mas o acesso aos arquivos e as condições de investigação dependem da instituição e devem ser confirmados com antecedência. Não se deve presumir que artigos históricos, antiguidades e materiais de arquivo públicos podem ser exportados livremente; a autoridade responsável pode exigir autorização. Um relato fiável da história do Brunei regista, portanto, o tipo, a data e o contexto institucional das fontes, distingue a narrativa oficial da interpretação académica e verifica evidências concorrentes quando a cronologia, o território ou os primeiros nomes permanecem incertos.
História do Brunei
A história do Brunei abrange os primeiros contactos regionais, a ascensão do sultanato islâmico, as mudanças territoriais, o protetorado britânico, a ocupação japonesa, o desenvolvimento baseado no petróleo e a independência em 1984. As evidências incluem registos chineses, manuscritos malaios, genealogias, histórias orais, arqueologia, tratados, registos administrativos e documentos constitucionais. As primeiras referências a nomes como P'o-li, Poli, Puni e Boni continuam a ser debatidas e não identificam automaticamente o Brunei.
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