O Brunei é plenamente soberano desde 1 de janeiro de 1984. A Constituição de 1959 é a base da ordem estatal. A Monarquia Malaia Islâmica (Melayu Islam Beraja), abreviada MIB, combina a identidade malaia, o Islão como religião oficial e o governo monárquico. O sultão é simultaneamente chefe de Estado, primeiro-ministro, ministro da Defesa, ministro das Finanças, comandante supremo e chefe dos assuntos religiosos oficiais. Exerce o poder executivo e nomeia ministros e vice-ministros. Estes respondem exclusivamente perante ele; o mandato normal é de cinco anos, salvo decisão em contrário do sultão. Bahasa Melayu é a língua oficial e o inglês é amplamente utilizado. As outras religiões podem ser praticadas em paz e harmonia. Os órgãos constitucionais incluem o Conselho Privado, o Conselho de Sucessão, o Conselho Religioso, o Conselho de Ministros e o Conselho Legislativo. Nos termos da Constituição, o Conselho Legislativo pode ter no máximo 45 membros e conta atualmente com 34. Entre os membros estão o primeiro-ministro e os ministros, por inerência, bem como pessoas nomeadas de cargos tradicionais, da função pública, de várias profissões e da comunidade. Podem ser previstos até 15 representantes distritais dos quatro distritos administrativos. O mandato normal é de cinco anos. As disposições práticas relativas a eleições e partidos políticos são distintas deste quadro e não fazem parte da estrutura institucional geral do governo. O Conselho Legislativo debate e aprova leis. Os atos são promulgados por este órgão e publicados no Government Gazette. Durante um estado de emergência, o sultão pode emitir ordens amplas ao abrigo do artigo 83(3) da Constituição. Pode ser declarado estado de emergência quando há uma ameaça à segurança ou à vida económica. A Attorney General’s Chambers mantém uma lista continuamente atualizada das ordens relevantes; a renovação documentada estende-se até 6 de março de 2026. O poder judicial ordinário compreende o Supremo Tribunal, com o Tribunal de Recurso e o Tribunal Superior, o Tribunal Intermédio e os tribunais inferiores. Os tribunais inferiores incluem, entre outros, o Tribunal de Magistrados, o Tribunal de Menores, o Tribunal do Coroner e o Tribunal de Pequenas Causas. Em matéria penal, o Tribunal de Recurso é a instância final. Em certos processos cíveis, pode recorrer-se ao Judicial Committee of the Privy Council se ambas as partes tiverem acordado previamente. Os tribunais da Syariah também existem como jurisdição local paralela. A Attorney General’s Chambers aconselha o Estado, redige leis e exerce as funções de Ministério Público. Em geral, os processos são conduzidos sem direção ou controlo de outros órgãos; os processos nos tribunais da Syariah e nos tribunais militares estão sujeitos a jurisdições especiais. O Brunei está dividido nos quatro distritos administrativos de Brunei e Muara, Belait, Tutong e Temburong. Abaixo dos distritos estão as subdivisões (Mukim) e as aldeias (Kampung). Os serviços distritais funcionam sob a tutela do Ministério dos Assuntos Internos. Existem departamentos municipais, entre outros locais, em Bandar Seri Begawan, Kuala Belait e Seria, bem como em Tutong. Na estrutura oficial do Estado não se identifica uma autoridade legislativa ou financeira subnacional independente. As funções de liderança local e consulta são desempenhadas, entre outros, por Pegawai Daerah, Penghulu Mukim, Ketua Kampung e Majlis Perundingan Mukim dan Kampung. Estes apoiam a administração comunitária, a mediação local, a consulta e o retorno de informação sobre segurança e infraestruturas. O sultão nomeia o Ketua Kampung. Elementos de eleição local ou E-Undi na nomeação de determinados responsáveis comunitários não constituem um sistema nacional de governo. O Gabinete do Primeiro-Ministro coordena os ministérios centrais, as autoridades e a função pública. O Diretório do Governo enumera ministérios, departamentos, organismos estatutários, embaixadas e consulados. As principais instituições incluem o Gabinete do Primeiro-Ministro, o Ministério das Finanças e da Economia, o Ministério dos Assuntos Internos, o Ministério da Educação, o Ministério da Defesa, o Ministério da Saúde, o Ministério dos Assuntos Religiosos, o Ministério dos Transportes e das Infocomunicações, a Attorney General’s Chambers, o poder judicial, o Departamento de Auditoria, o Gabinete Anticorrupção, o Departamento de Segurança Interna do Brunei, a Polícia Real do Brunei e as Forças Armadas Reais do Brunei. Para muitos serviços públicos, gov.bn com e-Darussalam funciona como ponto central de acesso. O acesso está disponível a cidadãos com cartão de identidade amarelo (Yellow IC), residentes permanentes com cartão vermelho (Red IC) e estrangeiros com cartão verde (Green IC) e um Employment Pass ou Work Permit válido. A autoridade responsável, as taxas, os documentos e o prazo de tratamento dependem do serviço específico. A Talian Darussalam 123 recebe, ininterruptamente, pedidos de informação geral, reclamações, perguntas e comentários. Pode ser contactada pelo 123, pelo WhatsApp no número 8333123, por info@123.com.bn e em TD123.gov.bn. O Ministério das Finanças e da Economia e o Tesouro gerem as finanças públicas. O orçamento proposto para o exercício de 2026/2027 é de 6,3 mil milhões de BND. Desse valor, 2,31 mil milhões de BND, ou 36,7 por cento, destinam-se a despesas com pessoal; 2,45 mil milhões de BND, ou 38,8 por cento, a despesas correntes dos ministérios e departamentos; e 480 milhões de BND a despesas de desenvolvimento. O RKN12 tem um valor total de plano de 4 mil milhões de BND. Para 2025, foram reportadas receitas de 3 335,2 milhões de BND e despesas de 6 428,4 milhões de BND; o saldo orçamental foi negativo em 3 093,3 milhões de BND. As receitas de petróleo e gás ascenderam a 2 357,2 milhões de BND. A diversificação económica e a disciplina orçamental são, portanto, tarefas centrais do Estado. Nos termos da Audit Act Cap. 152, o Auditor-Geral examina, entre outros elementos, as contas públicas, os fundos públicos, os depósitos governamentais, os organismos estatutários e as empresas do governo. As irregularidades graves são comunicadas sem demora ao ministro responsável. Os relatórios e as recomendações de auditoria são apresentados ao ministro e ao sultão. Os ministérios e departamentos também dispõem de unidades de auditoria interna. O Gabinete Anticorrupção é um organismo independente que investiga e previne a corrupção nos setores público e privado. O seu diretor é nomeado pelo sultão e não está subordinado a qualquer outra pessoa ou autoridade. É possível fazer denúncias anónimas. Os funcionários públicos devem comunicar subornos que lhes tenham sido oferecidos; o incumprimento pode resultar numa multa de pelo menos 500 BND e em até seis meses de prisão. Não se identifica um sistema nacional direto de provedor de justiça no diretório oficial nem na investigação institucional. As reclamações administrativas podem, em alternativa, ser apresentadas através da Talian Darussalam 123. Consoante as circunstâncias, também podem ser relevantes o Gabinete Anticorrupção, as reclamações à Comissão da Função Pública ou ao abrigo dos respetivos regulamentos, os tribunais e as perguntas e atas do Conselho Legislativo. A informação pública é moldada pelo Departamento de Informação, sob a tutela do Gabinete do Primeiro-Ministro. Os serviços de informação do governo incluem Pelita Brunei, Radio Television Brunei, gov.bn, Hansard e os documentos de perguntas do Conselho Legislativo. Os meios de comunicação estrangeiros precisam de um Media Accreditation Pass para acreditação e, em geral, devem apresentar o pedido pelo menos duas semanas antes da entrada no país. O Departamento de Informação pode recusar ou revogar a aprovação. A Newspapers Act Cap. 105, a Broadcasting Act Cap. 180 e a Official Secrets Act Cap. 153 estabelecem quadros jurídicos centrais. A regulação da radiodifusão abrange, entre outros aspetos, o interesse público, a harmonia nacional e os padrões de conteúdo; em situações de emergência ou de segurança pública ou defesa nacional, podem ser emitidas diretivas ministeriais. O Ministério da Defesa e as Forças Armadas Reais do Brunei são responsáveis pela segurança do Estado. Protegem a soberania e a integridade territorial, apoiam a polícia e as autoridades civis e desempenham tarefas relacionadas com ameaças externas, terrorismo, insurreições, catástrofes e busca e salvamento. O Departamento de Segurança Interna do Brunei, sob a tutela do Gabinete do Primeiro-Ministro, trata da inteligência e do alerta precoce e tem quatro escritórios distritais. Os seus poderes baseiam-se, entre outros instrumentos, na Internal Security Act Cap. 133 e incluem investigações e detenções ao abrigo da lei local. A Polícia Real do Brunei é responsável pela ordem pública e pela aplicação da lei. Em caso de emergência, ligue 993 para a polícia, 991 para ambulâncias, 995 para incêndios e salvamento ou 998 para busca e salvamento. Um Good Conduct Certificate custa 50 BND e é tratado em cerca de duas semanas.
Estado e governo no Brunei
O Brunei tem uma ordem constitucional monárquica centralizada, baseada na Constituição do Brunei Darussalam de 1959. O sultão Hassanal Bolkiah acumula as funções de chefe de Estado, chefe de governo e titular dos mais altos poderes executivos. As funções do Estado abrangem a administração e as finanças públicas, bem como a adjudicação, a fiscalização, a informação pública e a segurança.
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