No quotidiano, um relacionamento amoroso no Brunei pode ser chamado namoro (berpacaran). Para os casais muçulmanos, o percurso formal passa geralmente por conhecerem-se discretamente ou cortejarem-se até ao casamento através de um contrato de casamento islâmico (nikah) ou kahwin. Um casamento válido exige o consentimento de ambas as pessoas e, em geral, um tutor matrimonial (wali) ou um tutor nomeado pelo tribunal (wali Hakim). O gabinete competente analisa o pedido; os cidadãos e residentes permanentes têm normalmente de obter a aprovação necessária antes de se casarem no Brunei ou no estrangeiro, através do gabinete distrital de aprovação (4PROI) ou do gabinete distrital de aprovação (PPPPROI) do distrito responsável. Podem ser exigidos documentos de identificação, comprovativo do estado civil, certidões de óbito ou divórcio, se aplicável, confirmação do chefe da aldeia e uma taxa prescrita. O casamento pode incluir o pagamento matrimonial acordado (mas kahwin), ofertas tradicionais eventuais (Berian) e, após o registo, uma certidão de casamento (Marriage Certificate), um cartão de casamento (Marriage Card) e uma certidão de condições matrimoniais (Ta’liq Certificate). Para um casamento adicional, um homem muçulmano também precisa de autorização escrita de um juiz islâmico (Syar’ie Judge), juntamente com informações sobre os motivos, o rendimento, os dependentes e a opinião da esposa atual. Os casais não muçulmanos recorrem geralmente ao registo civil de casamentos (Civil Marriage Registry) ao abrigo da lei civil do casamento (Marriage Act); os casamentos muçulmanos não seguem esta via. Os requisitos incluem consentimento livre, ausência de casamento existente e capacidade mental, além de, normalmente, pelo menos 14 dias de aviso prévio e pelo menos 14 dias de residência. A ficha informativa indica dois selos com o custo de 10 BND cada e uma certidão de inexistência de impedimento matrimonial (Certificate of No Impediment) com o custo de 50 BND por pedido; os requisitos de idade, tutela e licenciamento devem ser confirmados em cada caso. As demonstrações públicas de afeto podem causar ofensa, pelo que encontros privados e discretos costumam gerar menos conflitos. O isolamento proibido (Khalwat) pode envolver muçulmanos ou não muçulmanos com uma pessoa muçulmana quando a coabitação, o confinamento ou a proximidade geram suspeitas; ao abrigo do atual código penal da Syariah (Syariah Penal Code), pode ser punido com uma multa até 4.000 BND e/ou um ano de prisão. Zina refere-se a relações sexuais sem casamento válido e pode levar a sanções mais severas, consoante a infração, o estatuto religioso e as provas. Liwat é tratado no mesmo regime de Zina, e a infração de atividade sexual entre mulheres (musahaqah) pode, no caso de uma mulher muçulmana ou de uma mulher não muçulmana com uma mulher muçulmana nas condições previstas na lei, levar a uma pena de até 40.000 BND, dez anos de prisão ou 40 chicotadas, bem como até duas dessas sanções. O simples relacionamento ou a coabitação não criam automaticamente um casamento, direitos de alimentos ou outros direitos matrimoniais. A unidade de aconselhamento do JAPEM (JAPEM) oferece aconselhamento individual, de casal e familiar gratuito, mediação e acompanhamento social. Em casos de violência doméstica, o JAPEM pode ajudar com formulários e encaminhamentos para o tribunal da Syariah ou o tribunal civil; em emergências, os números são 993 para a polícia, 991 para a ambulância e 123 para a linha de atendimento Talian Darussalam (Talian Darussalam). Um casamento muçulmano termina através do Tribunal da Syariah, por divórcio ou anulação, com informações sobre os motivos, as tentativas de reconciliação, os alimentos, as condições de habitação, os cuidados e a divisão dos bens. Os casamentos não muçulmanos têm vias civis através do Registo Civil de Casamentos e do Supremo Tribunal; as taxas e a duração exatas dependem do caso.
Relacionamentos amorosos no Brunei
Um relacionamento amoroso no Brunei não tem estatuto estatal próprio; o reconhecimento formal decorre sobretudo de um casamento válido. O início de uma relação e o namoro são muitas vezes informais e, entre casais muçulmanos, orientam-se frequentemente para o casamento. A religião, o consentimento, a aprovação do casamento, a conduta em privado e o local dos encontros influenciam os riscos jurídicos e práticos.
Dica
Não considere um relacionamento amoroso no Brunei como um estatuto jurídico independente. Esclareça desde cedo se está previsto um casamento e qual a via religiosa ou civil aplicável. Para casais muçulmanos, as aprovações e o gabinete competente têm prioridade; para casais não muçulmanos, a residência, o aviso prévio e os documentos devem ser verificados com antecedência. Mantenha os encontros discretos, evite situações com risco de Khalwat e procure apoio cedo em caso de conflito ou perigo.

