Não existe no Afeganistão um serviço formal nacional para aproximar pessoas que procuram conhecer-se nem um registo público desse tipo. As pessoas conhecem-se habitualmente através de encontros familiares e de parentesco, bairros, redes comunitárias, mercados, mesquitas, escolas, locais de trabalho e outros contextos comunitários onde o acesso é possível. Uma rede situacional de pertença ou solidariedade (qawm) pode proporcionar confiança e acesso, mas também pode criar controlo social. Uma estrutura local de conselho para consulta, mediação ou governação comunitária, com variações locais (shura), ou uma estrutura local de anciãos com a mesma função (jirga), é usada para consulta, mediação ou governação comunitária, e não é um serviço para fazer conhecidos. A apresentação mais segura costuma ocorrer através de uma pessoa de confiança em comum, de um familiar, vizinho, intermediário comunitário ou outra pessoa cuja ligação possa ser verificada. Abordagens aleatórias a desconhecidos, encontros privados sob pressão, contacto com estrangeiros ou contacto com qualquer pessoa que suscite suspeitas oficiais podem aumentar o risco de desconfiança, detenção ou outros danos. Peça consentimento antes de marcar um encontro, partilhar dados de contacto, tirar fotografias ou encaminhar mensagens. É aceitável terminar o contacto sem dar uma explicação detalhada quando a sua continuação criar riscos. A interação pública é afetada por regras de facto e pela sua aplicação local. O Ministério da Promoção da Virtude e Prevenção do Vício (Ministry for the Propagation of Virtue and Prevention of Vice) atua num contexto em que a separação entre géneros, a circulação, o vestuário, a voz e a expressão pública das mulheres são restringidos. Um acompanhante ou parente do sexo masculino exigido por algumas regras de facto (mahram) é necessário em certos contextos, enquanto a cobertura exigida ou monitorizada em público (hijab) é esperada ou controlada publicamente. Mulheres e raparigas podem enfrentar restrições graves ou regionais ao acesso a parques, ginásios, banhos públicos, exposições e outros espaços públicos; o acesso a transportes ou serviços também pode ser recusado sem um mahram ou quando o hijab for considerado insuficiente. A aplicação varia por região, pelo que uma experiência local não estabelece uma prática segura a nível nacional. Existem alternativas formais ou semiformais apenas em contextos limitados e dependentes do prestador. Espaços seguros comunitários da UNICEF podem apoiar a interação entre pares onde os líderes locais e as autoridades o permitam. Centros comunitários para mulheres do ACNUR podem proporcionar redes sociais estruturadas, apoio ao bem-estar e apoio de saúde mental ou psicossocial. Outras vias de proteção da ONU ou de ONG podem estar disponíveis localmente, mas a elegibilidade, o acesso por género e idade, a capacidade, as autorizações, o momento e a localização variam. Estes serviços não devem ser considerados universalmente disponíveis nem um substituto para verificar as condições locais. O contacto digital com conhecidos não é um canal fiavelmente privado. Em 2024, as subscrições de banda larga móvel chegaram a cerca de 60,1 por 100 pessoas, a posse de telemóvel a cerca de 48,4% e a utilização da internet a cerca de 16,1%; a eletricidade, a acessibilidade económica e as diferenças entre distritos e géneros afetam o acesso efetivo. As autoridades talibãs ou de facto bloquearam, abrandaram ou encerraram serviços móveis e de internet em alguns locais, e inspeções documentadas a telemóveis incluíram a eliminação ou confiscação de fotografias, música e aplicações de comunicação. Partilhe apenas o mínimo de informação pessoal, evite imagens, conversas e localizações em tempo real sensíveis, obtenha consentimento antes de fazer capturas de ecrã ou encaminhar conteúdo e mantenha um plano alternativo de comunicação e navegação. Os avisos oficiais de viagem descrevem atualmente o Afeganistão como um ambiente onde não se deve viajar. O terrorismo, os raptos, a criminalidade violenta, a detenção arbitrária ou injusta, a agitação e o acesso limitado a cuidados de saúde afetam as decisões sobre encontros. Locais movimentados, mercados, escolas, mesquitas, postos de controlo, instalações governamentais ou de segurança e locais frequentados por estrangeiros podem apresentar riscos acrescidos. Mantenha um perfil discreto, informe uma pessoa de confiança sobre o seu destino, evite manifestações e não dependa da resposta policial; o número de emergência 119 é indicado pelo FCDO, mas a disponibilidade e a resposta não são garantidas. Mulheres e raparigas sujeitas a detenção ou acusações relacionadas com o vestuário também podem enfrentar estigma, isolamento ou violência familiar e comunitária; por isso, nenhum contacto ou encaminhamento deve ser forçado e não se deve prometer sigilo.
Conhecidos no Afeganistão
As relações com conhecidos no Afeganistão desenvolvem-se geralmente através da família, do parentesco, da vizinhança, da comunidade ou de outras ligações de confiança, e não através de um serviço nacional formal. O acesso ao contacto social depende fortemente do género, da idade, da localização, da etnia, da religião, do estatuto de deslocação e das expectativas locais. Os encontros e a comunicação digital exigem atenção cuidadosa à privacidade, às restrições de circulação e à segurança pessoal.
Dica
Trate um novo conhecido no Afeganistão como uma decisão de confiança e segurança, e não como um encontro social comum. Um contacto através de um intermediário conhecido ou de um espaço protegido disponível localmente é geralmente mais defensável do que uma abordagem aleatória ou um encontro isolado. Pare ou adie o contacto quando não for possível verificar a identidade, a autorização, a privacidade ou o acesso seguro.

